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Aprendizes da morte: Draco identifica 3 brasilienses treinados com fuzis nas favelas cariocas
Investigação da Draco revela que três criminosos da capital federal foram treinados com fuzis pelo Terceiro Comando Puro, no Rio de Janeiro
atualizado
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A operação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) revelou detalhes estarrecedores sobre a sofisticação e a ousadia do crime organizado local. A investigação confirmou que pelo menos três faccionados deixaram o Distrito Federal com destino ao Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, para um “estágio de guerra”.
Sob a tutela de “puxadores” do Terceiro Comando Puro (TCP), criminosos especializados em invasões e confrontos armados, os brasilienses participaram de um verdadeiro “workshop do fuzil”, aprendendo a manusear armas de grosso calibre e táticas de combate em ambientes confinados.
A descoberta foi o estopim para a Operação Eixo, deflagrada nas primeiras horas desta sexta-feira (10/4). As apurações da Draco expuseram uma estrutura criminosa altamente profissionalizada, voltada ao abastecimento do mercado de drogas no DF e à ocultação de lucros ilícitos por meio de mecanismos típicos de lavagem de dinheiro.
Mais do que simples tráfico, a polícia identificou a atuação de núcleos ligados a facções cariocas em uma articulação interestadual com reflexos diretos na segurança da capital federal.
Logística do crime
As apurações alcançaram dois núcleos centrais de atuação no Distrito Federal, vinculados a grupos criminosos rivais. Um dos principais investigados ocupava um cargo de relevância na logística, sendo o responsável pela remessa de grandes carregamentos de entorpecentes vindos de outros estados.
A vinculação desses investigados a ambientes criminosos fortemente armados e facções já consolidadas fora do DF reforça a gravidade do cenário. A Draco reuniu indícios consistentes de que essa “difusão operacional” visa importar para Brasília o modelo de violência e domínio territorial observado no Rio de Janeiro.
A rede criminosa contava com o suporte de estrangeiros para operar sua engrenagem financeira. Entre os alvos, estão dois colombianos e um venezuelano. Um dos colombianos, já investigado pela Polícia Federal por lavar dinheiro para o Comando Vermelho (CV) no Amazonas e com nome na difusão vermelha da Interpol, foi capturado em outubro do ano passado, na Espanha.
O grupo ocultava valores através de:
- Empresas de fachada e laranjas distribuídos pelo país;
- Criptoativos e bloqueios de ações na CVM;
- Operadores financeiros em múltiplas unidades da federação.
Cerco Fechado
Nesta fase ostensiva, foram cumpridos 40 mandados de prisão temporária e 56 de busca e apreensão. Além do Distrito Federal, onde as equipes atuaram em regiões como Asa Norte, Ceilândia, Samambaia, Guará e Lago Norte, a operação se estendeu por sete estados.
As diligências ocorreram em Valparaíso de Goiás e Planaltina (GO); na capital, Guarujá e Atibaia (SP); em Uberlândia (MG); em Manaus e Careiro Castanho (AM); em Foz do Iguaçu (PR); e nas cidades de Jaraguá do Sul, São Lourenço do Oeste e Itapema (SC). A ação resultou no bloqueio de bens de 49 alvos e no sequestro de imóveis, veículos e ativos digitais.
Embora a PCDF tenha identificado conexões operacionais profundas e treinamentos táticos, a corporação afirma que não há indícios da instalação de uma estrutura de comando própria de facções cariocas no Distrito Federal. A Operação Eixo visa justamente sufocar o avanço desses núcleos e responsabilizar toda a cadeia hierárquica. Os investigados podem ser condenados a penas que variam de 11 a 33 anos de reclusão por tráfico, organização criminosa majorada e lavagem de dinheiro.








