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Operação Eixo: colombiano preso na Espanha lavava milhões para o CV

Entre os alvos da Draco, está um operador colombiano preso em solo europeu e que lavava dinheiro para o Comando Vermelho com criptoativos

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
homem sem camisa e de barba
1 de 1 homem sem camisa e de barba - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A rede transnacional que interliga o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro no Brasil sofreu um duro golpe nas primeiras horas desta sexta-feira (10/4). Um dos principais alvos da Operação Eixo, deflagrada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), é o colombiano Efren Ipuz Prada (foto em destaque), considerado peça-chave na lavagem de capitais para o Comando Vermelho (CV), no Amazonas.

Preso desde outubro do ano passado, na Espanha, após ser localizado pela Difusão Vermelha da Interpol, o suspeito simboliza a sofisticação do grupo, que utilizava o mercado europeu e ativos digitais para blindar o lucro do narcotráfico.

Enquanto os operadores financeiros cuidavam do fluxo de caixa no exterior, a base operacional da quadrilha, sediada no Distrito Federal, buscava especialização bélica. A investigação revelou que criminosos brasilienses foram oficialmente “batizados” pelo Terceiro Comando Puro (TCP), uma das maiores facções do Rio de Janeiro.

Mais do que uma aliança comercial, o grupo participou de um “intensivão” tático no Complexo da Maré. Imagens obtidas pelos investigadores mostram bandidos do DF ostentando fuzis em vielas cariocas, participando de uma espécie de “workshop” para operar armamento pesado e táticas de guerra urbana.

Ofensiva em grande escala

A PCDF mobilizou um contingente de 200 policiais para cumprir uma série de medidas judiciais severas:

  • 40 mandados de prisão temporária;
  • 56 mandados de busca e apreensão;
  • Bloqueio de bens de 49 alvos, incluindo imóveis e ativos digitais (criptomoedas).

As diligências ocorreram simultaneamente em 10 regiões do DF e em estados como São Paulo, Santa Catarina, Amazonas, Paraná, Minas Gerais e Goiás. A operação também se conecta aos desdobramentos da Operação Xeque-Mate, focada no núcleo financeiro comandado por Alan Sérgio Martins Batista, o “Alan do Índio”. O colombiano Efren Ipuz Prada, especialista em lavagem via fintechs, foi capturado recentemente na Colômbia.

Assim como os alvos da operação desta sexta, Prada utilizava uma estrutura de empresas de fachada e marketing fictício para movimentar cerca de R$ 122 milhões. Para evitar a prisão, ele e seus comparsas realizaram procedimentos estéticos e utilizavam documentos falsos, vivendo na clandestindagem internacional.

Blindagem Patrimonial

A organização não se limitava ao tráfico doméstico. A engenharia financeira identificada pela polícia incluía:

  • Laranjas e testas de ferro para ocultação de bens;
  • Operações no mercado de capitais para pulverizar o rastro do dinheiro;
  • Logística armada: Um dos operadores do grupo morreu recentemente em confronto com a PM de Minas Gerais enquanto transportava carga de maconha com armas de uso restrito.

Embora a conexão com o Rio de Janeiro seja alarmante, a PCDF destaca que não há indícios de instalação de estruturas próprias das facções cariocas em Brasília. Os envolvidos responderão por tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem somar 33 anos de prisão.

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