Casal ostentava BMWs, jet skis e viagens com dinheiro do Comboio do Cão
Homem usava conta bancária da companheira para movimentar recursos do tráfico; rotina de luxo era exibida em perfil aberto nas redes sociais

Um casal de Anápolis (GO), que levava uma vida marcada por carros de luxo, viagens, passeios de motos aquáticas à beira de lagos, churrascos e hospedagens em hotéis, tornou-se um dos principais alvos da Operação Fornitori, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na manhã desta quinta-feira (18/6).
Segundo as investigações, toda a ostentação era sustentada pelo dinheiro do tráfico de drogas da facção criminosa Comboio do Cão.
A apuração aponta que o homem utilizava a conta bancária da companheira para movimentar recursos da organização criminosa. Conforme o dinheiro ilícito aumentava, o padrão de vida do casal também subia de nível.
BMWs, viagens frequentes e encontros de lazer com motos aquáticas passaram a fazer parte da rotina, constantemente exibida em um perfil aberto no Instagram, onde a mulher publicava vídeos ostentando o patrimônio acumulado e a vida de luxo mantida pelo casal. Os dois foram presos temporariamente por 30 dias.
A Operação Fornitori, coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) em conjunto com a 4ª Promotoria de Entorpecentes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), tem como objetivo atingir os braços financeiro e logístico da facção Comboio do Cão.
Diferentemente das fases anteriores, voltadas para lideranças e executores, a nova etapa concentra esforços nos responsáveis pelo abastecimento interestadual de drogas e no grupo encarregado de lavar e ocultar os recursos obtidos com a atividade criminosa.
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Estrutura hierarquizada
Cerca de 120 policiais participam da ofensiva, que cumpre 15 mandados de prisão temporária e 20 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e em Goiás. Também foram determinadas medidas patrimoniais para retirar da organização os bens adquiridos com recursos ilícitos.
As investigações conduzidas desde 2023 revelaram uma estrutura criminosa hierarquizada e com divisão de tarefas. Uma liderança histórica do tráfico no Distrito Federal comandava o esquema à distância, utilizando identidades falsas e intermediários para dificultar sua identificação.
O abastecimento da droga era feito por um núcleo instalado em regiões de fronteira, enquanto operadores no DF e no Entorno cuidavam do armazenamento, fracionamento e distribuição dos entorpecentes.
Um dos principais articuladores da facção havia sido preso em dezembro de 2025, em Redenção (PA), após permanecer foragido desde 2008. Condenado a mais de 30 anos de prisão por triplo homicídio, ele continuava exercendo influência sobre o tráfico mesmo longe da capital federal.
Lavagem de dinheiro
As investigações também identificaram um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Empresas de fachada, imóveis e veículos de luxo registrados em nome de terceiros eram usados para ocultar o patrimônio da organização.
Contas bancárias de familiares e pessoas interpostas serviam para pulverizar os valores obtidos com a venda de drogas. A incompatibilidade entre a renda declarada e a ostentação de embarcações e automóveis de alto padrão reforçou os indícios de ocultação patrimonial.
A estrutura já havia sido associada a grandes apreensões de entorpecentes. Em 2023, mais de seis toneladas de maconha foram interceptadas. Recentemente, outras duas toneladas da droga foram apreendidas em Mato Grosso do Sul, ambas atribuídas aos investigados.
Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou o sequestro de imóveis e veículos localizados no Distrito Federal, em Goiás, no Mato Grosso do Sul e São Paulo, além do bloqueio de contas bancárias em até R$ 1 milhão por investigado ou empresa ligada ao esquema. Também foram quebrados os sigilos fiscal e financeiro de pessoas físicas e jurídicas relacionadas à organização.
Organização criminosa
As diligências ocorreram em Taguatinga, Ceilândia e Recanto das Emas, no Distrito Federal; em Novo Gama, Caldas Novas, Anápolis e Abadiânia, em Goiás; e em Campo Grande e Bela Vista, em Mato Grosso do Sul. A operação contou com apoio do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras), das polícias Civil de Mato Grosso do Sul, de Goiás e da Divisão de Operações Especiais da PCDF.
Os investigados poderão responder por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais. Somadas, as penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.











