
Na MiraColunas

TST abre processo disciplinar contra servidor investigado por abuso. Veja vídeo
Técnico é suspeito de importunação sexual contra adolescente em Águas Claras. Ele foi afastado das funções na quarta-feira (8/4)
atualizado
Compartilhar notícia

A presidência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou, na noite de quarta-feira (8/4), a instauração de um processo administrativo disciplinar contra o servidor Elmer Catarino Fraga, investigado por prática de importunação sexual contra uma adolescente em Águas Claras, no Distrito Federal. O caso foi revelado pela coluna Na Mira.
A medida foi adotada após a Ouvidoria do tribunal receber, no mesmo dia, denúncia sobre os fatos relacionados a condutas atribuídas ao servidor em atividades externas à instituição.
Segundo o TST, a abertura do processo disciplinar também se baseou em esclarecimentos repassados pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) sobre o inquérito policial que investiga o caso. As informações foram encaminhadas ao tribunal em resposta a ofício enviado pela própria Corte.
Ainda na quarta-feira, após a divulgação de reportagem sobre o crime contra a adolescente, a presidência do tribunal determinou o afastamento imediato do servidor de suas funções até a conclusão das investigações.
Com a decisão, o acesso dele às dependências físicas e aos sistemas corporativos do TST foi suspenso. O tribunal também determinou a suspensão do porte de arma de fogo concedido ao servidor.
Em nota, o TST afirmou que mantém compromisso com o combate a quaisquer formas de assédio e desrespeito à integridade física e psicológica de crianças e adolescentes, além de reforçar a promoção de ambientes seguros.
Entenda o caso
O caso, que chocou os moradores de Águas Claras, desenrolou-se dentro da sala de estudos de um condomínio fechado. Elmer, que é técnico judiciário lotado no Núcleo de Policiamento Ostensivo do TST, utilizava a função de professor de reforço de matemática para se aproximar de uma adolescente de 16 anos.
Embora as aulas tenham começado em setembro de 2023 sob aparente profissionalismo, a coluna Na Mira revelou que, no fim de 2025, o comportamento do servidor sofreu uma “mutação drástica”. O que era suporte acadêmico transformou-se em importunação sexual e terror psicológico.
Sentindo-se acuada pela postura invasiva do professor, que buscava proximidade física excessiva e ocupava seu espaço pessoal de forma intimidadora, a jovem tomou uma atitude corajosa: utilizou o celular para gravar os encontros.
As imagens, agora em posse da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), foram descritas como perturbadoras. Os registros mostram o servidor:
- Tocando as coxas da estudante de forma lasciva.
- Acariciando o pescoço e a nuca da vítima.
- Questionando a menor sobre o consumo de conteúdos eróticos na internet.
Ameaças
O crime não se limitou ao abuso físico. Após os atos, Elmer teria enviado áudios via WhatsApp com ameaças, exigindo o silêncio absoluto da adolescente para que os pais não soubessem do ocorrido.
“Minha filha conseguiu gravar todo o comportamento do abusador. É um caso extremamente sério que precisa de visibilidade para que não haja impunidade”, desabafou o pai da vítima.
Com o apoio da família e as provas em mãos, a denúncia foi formalizada.
