Na Mira

Quem é o servidor do TST que abusou de estudante em aulas particulares

O que antes eram explicações acadêmicas tornou-se o toque lascivo. Vídeos gravados pela vítima mostram o servidor acariciando as coxas dela

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
homem dando aula para menina
1 de 1 homem dando aula para menina - Foto: Material cedido ao Metrópoles

O nome que hoje estampa o inquérito da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) carrega um peso institucional que torna o crime ainda mais estarrecedor. Elmer Catarino Fraga, de 63 anos, não é apenas um professor particular de matemática; ele é técnico Judiciário de carreira, lotado no Núcleo de Policiamento Ostensivo do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A função que deveria garantir a segurança e a ordem em uma das mais altas Cortes do país, contrasta violentamente com as acusações de que teria transformado uma sala de estudos, de um condomínio em Águas Claras, em seu próprio campo de caça.

A coluna apurou que Elmer utilizava sua figura de autoridade e a maturidade dos seus 63 anos para conquistar a confiança de famílias. Servidor público estável, ele transitava livremente pelos condomínios de luxo da capital federal ministrando aulas particulares. No entanto, por trás da fachada de professor dedicado, escondia-se um comportamento predatório que veio à tona no segundo semestre 2025.

O “cálculo” do abuso

O servidor começou a lecionar para uma adolescente de 16 anos em setembro de 2023. Durante meses, agiu sob a sombra da normalidade. Contudo, recentemente, a máscara de educador caiu.

De acordo com as investigações, Elmer passou a inviabilizar o espaço físico: ele sentava-se a distâncias desnecessariamente curtas, encurralando a jovem contra a mesa de estudos.

O que antes eram explicações de fórmulas tornou-se o toque lascivo. Vídeos gravados pela vítima (veja mais acima) mostram o servidor acariciando suas coxas, pescoço e nuca. Elmer questionava a menor sobre o consumo de vídeos eróticos, tentando normalizar conversas de cunho sexual durante o horário das aulas.

Tentativa de silenciamento

O detalhe mais sombrio da investigação reside no poder de coação exercido pelo servidor. Aproveitando-se de sua experiência no setor de segurança e policiamento do TST, Elmer teria ameaçado a adolescente de morte caso ela relatasse os episódios aos pais.

A coragem da vítima em registrar os abusos  capturando imagens e áudios das ameaças foi o golpe final na impunidade de Elmer. O pai da adolescente formalizou a denúncia na PCDF.

A Polícia Civil do Distrito Federal agora investiga se há outras vítimas que, intimidadas pelo cargo ocupado por Elmer no Poder Judiciário, ainda não levaram seus relatos às autoridades.

TST se manifesta

Procurado pela coluna, o tribunal se manifestou sobre o caso envolvendo o servidor. “O TST não identificou nenhuma informação sobre o caso nas unidades competentes, mas conta com estruturas e procedimentos administrativos para tratar da questão internamente caso a denúncia se concretize”, informou a Corte.

O servidor não foi localizado pela reportagem. O espaço permanece aberto para eventuais manifestaçõs.

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