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“Playboy do golpe” se passou por atleta para dar calote

Preso duas vezes por fingir mal-estar para não pagar contas em bares, Ruan Pamponet Costa deu golpe em bar de Águas Claras

atualizado 23/04/2022 11:23

Ruan Pamponet Costa, suspeito de não pagar contas de bares e restaurantes em Goiânia e TocantinsReprodução

Com carro importado e cercado por três seguranças particulares. Foi assim que o estelionatário Ruan Pamponet Costa (foto em destaque), 28 anos, chegou a um bar de Águas Claras, em 13 de abril de 2019. O homem, preso duas vezes na última semana por não pagar contas em restaurantes de Goiânia (GO) e Palmas (TO), se passou por “jogador famoso” e deu o calote no estabelecimento. O valor do prejuízo não foi informado pelos empresários.

Funcionários relataram que ele ficou no local durante a tarde e, na hora de pagar pelo consumo, informou que o cartão não poderia ser utilizado duas vezes no estabelecimento porque a esposa dele descobriria que ele estava lá.

O golpista tentou, ainda, enganar os garçons dizendo que havia feito um acordo com o dono do bar e que passaria o cartão mais tarde. Diante da constatação de fraude, todos foram encaminhados à delegacia.

Aos policiais um dos seguranças explicou ter sido contratado para fazer a proteção de Ruan Pamponet porque ele alegou que era um jogador muito famoso e que corria perigo ao andar desacompanhado. O suspeito também alugou um carro importado com o tanque de combustível completo. O caso foi investigado pela 21ª Delegacia de Polícia (Pistão Sul).

Vida de balada

O modus operandi do suspeito costuma ser o mesmo: consumir os produtos mais caros e dar desculpas para não arcar com os custos. Ele vai a bares e restaurantes badalados. Tem rotina de luxo, festas e saídas com garotas de programa.

Conforme a coluna revelou, Ruan Pamponet chegou a consumir R$ 5.810,31 em um bar localizado no Pontão do Lago Sul, em 7 de abril deste ano. Ele saiu sem pagar, e os funcionários chamaram a polícia. O suspeito foi liberado após assinar Termo Circunstanciado de Ocorrência.

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Em 2019, o estelionatário veio a Brasília, em abril, e aplicou golpe durante todos os dias da semana em que permaneceu na capital.

Em 12 de abril, um motorista de transporte por aplicativo e duas garotas de programa denunciaram o estelionatário. O motorista relatou, à época, ter feito diversas viagens com Ruan. Os percursos incluíam idas à Feira dos Importados, a bares e até mesmo a um motel.

“Durante a madrugada, ele saiu do bar com duas garotas de programa e pediu que eu ficasse esperando. Já era a terceira ou a quarta corrida do dia, apenas com ele. Sempre pedia para adiantar algo em dinheiro, mas ele dizia que ia pagar a conta ao final. Quando chegamos no motel, fiquei aguardando dentro do estabelecimento, mas na parte externa do quarto. Após muita demora, concluí que eu levaria um calote e alertei o fato a uma das meninas, pois elas também poderiam ser vítimas”, contou o homem sem se identificar.

Assim como fez em um bar de Goiânia, o suspeito fingiu que estava passando mal para não arcar com os custos. “Já de manhã, decidi ligar para a PM, e todos foram para a delegacia, incluindo as garotas de programa e o gerente do motel”, contou. O prejuízo do motorista ficou em cerca de R$ 600 por causa das corridas não pagas. As garotas deixaram de receber R$ 1 mil, cada. O motel levou o calote de R$ 3,2 mil.

Cartão clonado

Questionado pelo gerente do estabelecimento, Ruan confessou que era estelionatário e que costumava aplicar golpes. Narrou ter comprado um cartão de crédito clonado, no valor de R$ 800, com limite de compras de R$ 10 mil. Afirmou que usaria o cartão no pagamento do programa, do motel e do transporte, mas o limite estava estourado e não conseguiu êxito na empreitada.

No dia anterior, ele havia dado um golpe semelhante em um taxista, em três garotas de programa e em outro motel do DF. Ainda em 2019, Ruan passou por um restaurante, localizado no Sudoeste, onde consumiu R$ 3.329,20 em comidas e bebidas. No momento de pagar a conta, alegou que havia perdido o cartão. Ele também deixou de pagar R$ 778,96 a um motorista de transporte por aplicativo.

Natural de Aracaju (SE), o golpista também foi denunciado nos anos de 2015, 2018 e 2019 por inúmeros golpes, incluindo vendas de produtos de informática, suplementos e contas não pagas em bares do Plano Piloto e de Sobradinho.

Prisão

No último sábado (16/4), o suspeito ficou preso durante três dias por fingir mal-estar para não pagar uma conta de R$ 6,2 mil em um bar da capital de Goiás. Ao ganhar a liberdade, Ruan Pamponet voltou a ser detido na quinta-feira (21/4) suspeito de praticar o mesmo golpe em um restaurante em Palmas (TO). Desta vez, ele consumiu mais de R$ 5,2 mil em produtos e serviços e se recusou a pagar a conta.

Na semana passada, a juíza Maria Antônia de Faria, da Justiça de Goiás, determinou que o homem ficasse longe de bares, prostíbulos e locais de má fama para não praticar novos calotes. Na ocasião, a magistrada concedeu a liberdade ao homem sem o pagamento de fiança, por entender que o barman não tem condições de arcar com o valor da conta. Ele também é suspeito de aplicar o golpe Brasil afora.

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