PCDF apreende R$ 1,8 milhão em apê; dinheiro pertence a doleiro famoso
Conhecido por comandar boates e casas de poker no DF por meio de testas de ferro, doleiro Fayed Traboulsi teve fortuna apreendida pela PCDF

Duas bolsas recheadas com R$ 1,8 milhão em espécie apreendidas em um prédio sofisticado na Asa Norte têm um dono conhecido nos bastidores da capital: o doleiro e empresário Fayed Antoine Traboulsi.
A coluna Na Mira descobriu detalhes exclusivos da investigação. A dinheirama foi localizada e recolhida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) durante a Operação Cedro de Ouro, deflagrada em 14 de agosto. Logo após a ação policial e a apreensão do montante, Fayed deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos. A reportagem tenta contato com Fayed para ouvi-lo sobre a apreensão do dinheiro.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasA operação foi desencadeada conjuntamente pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR/DECOR), da PCDF, e pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (PRODEP), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O objetivo central da ação é desarticular um robusto esquema de lavagem de dinheiro com indícios de circulação, ocultação e dissimulação de recursos de origem ainda não esclarecida.
Modus operandi
As investigações do inquérito policial revelaram um modus operandi frequente e refinado por parte dos suspeitos. De acordo com os investigadores, um dos investigados atuava como encarregado de efetuar sucessivos saques de elevadas quantias em espécie — inclusive valores na casa dos milhões — em agências bancárias situadas a poucos metros da residência do segundo investigado.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesApós a retirada no balcão das agências, o dinheiro era entregue diretamente a este segundo envolvido ou repassado a terceiros, que completavam a cadeia de entrega ao destinatário final do esquema.
O volume financeiro movimentado chamou a atenção dos órgãos de fiscalização:
- Período: apenas nos últimos sete meses de apuração.
- Volume Sacado: aproximadamente R$ 5 milhões em moeda corrente.
- Incompatibilidade: o montante sacado corresponde a cerca de 283 vezes a capacidade financeira declarada do primeiro investigado, evidenciando o uso de laranjas.
Fortuna guardada
Na execução dos mandados de busca e apreensão expedidos para os endereços dos investigados, localizados na Asa Norte e na região de Sobradinho, as equipes apreenderam dispositivos eletrônicos, documentos relevantes e o montante de R$ 1,8 milhão guardado nas duas bolsas que estavam no apartamento de Fayed. A PCDF confirmou que as investigações continuam em andamento sob sigilo judicial.
Nos bastidores do Distrito Federal, o nome de Fayed Antoine Traboulsi tornou-se indissociável das estruturas invisíveis de poder. Muito além do papel de doleiro e operador financeiro em grandes escândalos, Fayed ficou amplamente conhecido na cidade por comandar um império de entretenimento noturno e casas de jogos de alto padrão — como a lendária boate Vegas (na 403 Sul) – que já fechou as portas – e a casa de entretenimento adulto Paradise, no Setor Hoteleiro, além do clube de poker Play To Win (P2W).
Para se esquivar do alcance da lei e ocultar a real propriedade dos empreendimentos, o empresário recorria sistematicamente a uma rede de laranjas e testas de ferro. Estes estabelecimentos não eram apenas negócios lucrativos, mas verdadeiros centros de diplomacia paralela, onde a política, o dinheiro vivo e o poder se misturavam sem sobressaltos.
A viagem de Fayed rumo ao território norte-americano logo após o estouro da Operação Cedro de Ouro adiciona um novo capítulo à extensa ficha do operador, que já foi alvo de operações emblemáticas da Polícia Federal, como a Miquéias e a Naum.





