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“Uma catinga”: garotas de programa reagem após puteiro de luxo alagar
Carpete encharcado, teto no chão e caos nos bastidores da sacanagem: os áudios das garotas de programa que expuseram o colapso da Paradise
atualizado
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“Uma catinga.” A frase, dita entre risos nervosos e incredulidade por uma garota de programa que trabalha na boate de prostituição Paradise, viralizou em grupos de WhatsApp após o desabamento parcial do teto da casa noturna, no Setor Hoteleiro Sul. Os áudios, carregados de ironia, desespero e com ares de fofoca de bastidor, revelam muito mais do que um acidente estrutural: escancaram a tensão dentro de um dos endereços mais conhecidos da capital da República quando o assunto é sexo em troca de dinheiro.
Enquanto vídeos mostravam água descendo do teto, fios expostos e o salão completamente alagado, as vozes das meninas da casa dominavam os celulares da mulherada. “Filha, vai ter que trocar aquele carpete todinho. Vai ficar fedendo aquelas cadeiras molhadas. Nossa Senhora… não é só arrumar o teto”, bradou uma das garotas. Apesar do dilúvio, a coluna Na Mira apurou que, mesmo com gambiarras no teto, a boate abriu as portas e funcionou normalmente na segunda-feira (11/5).
Em outro trecho, a garota de programa descreve o cenário de destruição com espanto: “O carpete foi embora. O estofado foi embora. Se ele (a chefia) botar pra secar isso aí, vai feder, dá uma catinga feia”, contou, rindo do prejuízo.
Marcha dos Prefeitos
As gravações circulam desde domingo (10/5), quando a estrutura da Paradise cedeu após uma infiltração que teria atingido o forro e as tubulações internas. O episódio aconteceu justamente às vésperas da 27ª Marcha dos Prefeitos, período em que Brasília recebe centenas de políticos e visitantes, muitos deles frequentadores históricos da noite do Setor Hoteleiro Sul. “Espero que esse teto nunca caia quando eu tiver aqui”, analisou outra menina da noite.
Entre as falas mais compartilhadas, uma garota relata que o problema já era conhecido há meses dentro da boate.
“Eu sempre falei daquelas goteiras ali. Tem goteira perto dos ar-condicionado. Eu sempre falei: ‘Velho, espero que esse teto nunca caia quando eu tiver aqui’”, disse.
A declaração ganhou repercussão porque revela um temor antigo das funcionárias da casa. Em outro momento do áudio, ela imagina uma tragédia ainda maior: “Você já pensou se o teto cai com os prefeito lá dentro? Mano de Deus”.
Muito problema
O tom debochado, típico das conversas internas da noite brasiliense, rapidamente dá lugar à preocupação real com a estrutura do imóvel. “Aquela boate ali tem que acontecer alguma coisa… muito problema numa semana só”, analisou uma das meninas. Outra rebateu: “As putas tudo em bar na semana que vem”, profetizou.
O colapso também provocou apreensão financeira entre as garotas, que dependem do movimento da casa. Com a Paradise temporariamente comprometida, bares e casas concorrentes podem absorver o fluxo de clientes.
Além do teto, o vazamento atingiu carpetes, estofados, palco e parte da instalação elétrica da boate. Em um dos áudios, uma garota compara o incidente a um problema doméstico: “Infiltração é uma grana. Quando o cano estourou lá de casa, foi mil conto só para arrumar. Imagina isso aí”, ressaltou.
Luxo molhado
A Paradise é administrada pelos irmãos Fayed e Louis Traboulsi, nomes conhecidos da noite brasiliense. A casa costuma operar com grande movimentação durante eventos políticos e empresariais na capital federal, especialmente em semanas de congressos e encontros institucionais.
Conhecida pelos ambientes em veludo vermelho, luz baixa e presença constante de autoridades, empresários e turistas, a Paradise virou assunto não apenas pelo acidente, mas pelo retrato cru revelado nos áudios.
