Na Mira

Exclusivo: vizinha à de Bolsonaro, veja cela onde coronéis da PMDF cumprirão pena. Assista a vídeo

Local será ocupado por cinco militares. Com cerca de 25m², o cômodo fica ao lado do espaço onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena

atualizado

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Cela onde coronéis da PMDF cumprem pena na Papudinha - Metrópoles
1 de 1 Cela onde coronéis da PMDF cumprem pena na Papudinha - Metrópoles - Foto: Material obtido ao Metrópoles

Os policiais militares do Distrito Federal condenados por omissão nos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro de 2024 passaram a cumprir pena pelos crimes nesta quarta-feira (11/3). A coluna Na Mira obteve imagens exclusivas do alojamento da Papudinha onde a cúpula ficará presa.

Como mostra o vídeo, a cela conta com ar-condicionado, camas, armário com cerca de 50 divisórias e um extintor. Possui, ainda, um banheiro com dois chuveiros, dois vasos sanitários e três pias, além de área de serviço, cozinha e tomadas de energia elétrica.

O cômodo tem paredes brancas com detalhes azuis e aparenta ter, aproximadamente, 25 metros quadrados. Fica ao lado da cela do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes.

A cela será ocupada pelos coronéis da PMDF Fábio Augusto Vieira, então comandante-geral corporação no 8 de Janeiro; Klepter Rosa Gonçalves, então subcomandante-geral; Jorge Eduardo Barreto Naime, ex-chefe do Departamento de Operações; Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra; e Marcelo Casimiro Vasconcelos.

Antes da chegada da cúpula da PMDF, o espaço era ocupado pelo dobro de pessoas — mais de 10 militares dormiam na sala. Essas pessoas foram realocadas para um cômodo ainda menor, apurou a coluna.

Prisão ordenada pelo STF

Uma vez que se esgotaram as chances de recursos, o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou, nesta quarta-feira (11/3), que Jorge Eduardo Naime, Fábio Vieira, Klepter Gonçalves, Paulo Bezerra e Marcelo Vasconcelos comecem a cumprir as penas definidas pelas condenações referentes aos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro.

Os cinco policiais se entregaram horas depois da decisão, na Corregedoria da PMDF, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Depois, eles foram conduzidos ao 19º Batalhão da PM, conhecido como Papudinha.

Ex-chefe do Departamento de Operações da PMDF, Naime foi o último a se entregar, chegando à Corregedoria da corporação por volta das 15h de quarta-feira. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a esposa de Naime lamentaram a prisão do militar.

A condenação

Os  militares foram condenados por unanimidade pela Primeira Turma do STF pelos seguintes crimes:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado por violência, grave ameaça com emprego de substância inflamável contra patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima;
  • Deterioração de patrimônio tombado; e
  • Violação de dever contratual de garantir a ordem pública e por ingerência da norma.

A sentença prevê pena de 16 anos de prisão e 100 dias-multa, além do pagamento de R$ 30 milhões de forma solidária por danos morais coletivos junto aos outros réus pelo 8 de Janeiro e a perda dos cargos públicos.

O que dizem as defesas

A defesa do coronel Klepter Rosa informou que discorda “de alguns fundamentos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal”, mas que irá cumpri-la, “como sempre cumpriu a Constituição da República e as leis do país”.

Segundo os advogados Newton Rubens e Almiro Júnior, a consciência do coronel “permanece tranquila, uma vez que foi ele próprio quem determinou e conduziu a prisão de manifestantes ainda no dia 8 de janeiro, bem como nos dias subsequentes aos fatos. A defesa confia que os equívocos possam ser devidamente corrigidos pelo próprio Supremo Tribunal Federal”.

Já a defesa do coronel Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues lamentou “os efeitos da decisão condenatória, uma vez que permanece convicta da inocência do coronel Marcelo Casimiro”.

Em nota divulgada, o advogado Mário de Almeida afirmou que “lamenta-se que um pai de família e oficial que dedicou mais de três décadas de sua vida à Polícia Militar do Distrito Federal, sempre com conduta funcional ilibada e sem qualquer mácula em sua carreira, esteja hoje obrigado a iniciar o cumprimento de uma pena que a defesa considera incompatível com a realidade dos fatos apurados nos autos”.

Também em nota, a esposa de Jorge Eduardo Naime, Mariana Naime, destacou que a “decisão que permanece cercada de contradições que jamais foram devidamente enfrentadas”. “A história ainda haverá de mostrar, com clareza, quem de fato tentou evitar o pior naquele 8 de Janeiro”, acrescentou.

A defesa de Paulo Bezerra, por meio do advogado Alexandre Collares, afirmou que “o desfecho deste processo causa imensa consternação”. Collares citou Paul Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha Nazista, para se posicionar acerca do caso.

“Goebbels dizia que ‘uma mentira contada mil vezes poderia se tornar uma verdade’”, afirmou Collares. “Foi desse mal que padeceu o processo que condenou a Cúpula da PMDF perante o Supremo Tribunal Federal”, completou.

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