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Bando roubou remédios para câncer que custavam até R$ 80 mil a caixa. Veja vídeo
Remédios contra câncer, altamente caros e essenciais, eram desviados e revendidos ilegalmente em todo o país por uma organização criminosa
atualizado
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Medicamentos usados no tratamento de câncer, com preços que chegam a ultrapassar R$ 80 mil por caixa, estavam entre os principais alvos de uma organização criminosa investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Entre eles, remédios como o Imbruvica, o Venclexta e o Tagrisso eram frequentemente roubados ou desviados devido ao seu alto valor de mercado e à grande demanda no sistema de saúde. Todos eram alvos da organização criminosa desmantelada pela Polícia Civil do Distrito Federal durante a deflagração da operação Alto Custo, desta sexta-feira (17/4).
Treze funcionários de empresas farmacêuticas foram alvo da operação. Segundo a polícia, o esquema sofisticado contava com planejamento prévio e divisão de tarefas. Eles retiravam os medicamentos de alto valor do estoque, ocultavam os produtos em caixas destinadas ao descarte, transportavam até a doca de expedição e entregavam os medicamentos a terceiros posicionados em veículos.

O Imbruvica, utilizado no tratamento de cânceres do sangue como leucemias e linfomas, está entre os mais caros. Dependendo da dosagem e da quantidade, o medicamento pode custar entre R$ 15 mil e mais de R$ 82 mil. Embalagens maiores, com até 120 cápsulas, ultrapassam facilmente os R$ 60 mil.
Outro alvo frequente era o Venclexta, indicado para tratar leucemias graves. Uma única caixa com 120 comprimidos pode custar entre R$ 47 mil e R$ 68 mil. Já o Tagrisso, usado no tratamento de câncer de pulmão, também apresenta valores elevados, frequentemente acima de R$ 30 mil a R$ 40 mil por unidade.
Controle rigoroso
Esses medicamentos são considerados antineoplásicos de alto custo e exigem controle rigoroso de armazenamento, transporte e prescrição médica. Justamente por isso, tornaram-se peças centrais no esquema criminoso, que lucrava com o desvio e a revenda ilegal desses produtos.
A Operação Alto Custo, deflagrada na sexta-feira (17/4), revelou que a quadrilha não apenas roubava cargas desses medicamentos, como também contava com a participação de funcionários de empresas farmacêuticas, responsáveis por desviar produtos diretamente de dentro das distribuidoras.
Para dar aparência legal aos remédios roubados, o grupo utilizava empresas de fachada que emitiam notas fiscais falsas. Assim, os medicamentos retornavam ao mercado como se fossem produtos legítimos, sendo vendidos até para hospitais e instituições de saúde.
Carga de R$ 4 milhões
O esquema ganhou força após a interceptação de uma carga avaliada em cerca de R$ 4 milhões, roubada no Rio de Janeiro e transportada até o Distrito Federal. A partir dessa apreensão, a polícia conseguiu identificar toda a rede criminosa.
Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e cinco prisões preventivas, além do indiciamento de 13 funcionários envolvidos no desvio interno dos medicamentos. Para o delegado-chefe da 10ª DP, Laércio Rosseto, responsável pelo caso, o crime vai muito além de prejuízo financeiro. “Não se trata apenas de um esquema milionário, mas de um ataque direto à vida. Esses criminosos colocaram em risco pacientes extremamente vulneráveis, que dependem desses medicamentos para sobreviver. Muitos medicamentos não eram mantidos sob refrigeração e isso faz com que perdesse o feito, virando placebo”, afirmou.
As investigações continuam e apontam que o grupo pode ter ligação com facções criminosas responsáveis pelos roubos das cargas. A operação Alto Custo contou com o apoio da Divisão de Operações Especiais (DOE), além da Polícia Civil de Goiás (PCGO) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Segundo a polícia, o prejuízo não é apenas financeiro. Ao desviar medicamentos essenciais e de altíssimo custo, a organização compromete diretamente o tratamento de pacientes que dependem dessas substâncias para sobreviver, agravando ainda mais a gravidade do crime
