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“Alto Custo”: PCDF desmonta esquema que desviava remédios para câncer

A investigação revelou uma organização criminosa que atuava no furto e roubo de medicamentos de alto custo, muitos deles para tratar câncer

atualizado

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Arte/Metrópoles
Ladrões furtando medicamentos de alto custo
1 de 1 Ladrões furtando medicamentos de alto custo - Foto: Arte/Metrópoles

Nas primeiras horas desta sexta-feira (17/4), uma megaoperação mobilizou agentes da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) em uma ofensiva contra um dos esquemas criminosos mais alarmantes dos últimos tempos.

Batizada de Alto Custo, a investigação revelou uma organização sofisticada e perigosa que atuava no furto e roubo de medicamentos de altíssimo valor, muitos deles essenciais para o tratamento de pacientes com câncer e pessoas que passaram por transplantes de órgãos, justamente os que mais dependem da eficácia e da procedência segura desses remédios para sobreviver.

Coordenada pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), a operação escancarou uma engrenagem criminosa que ia muito além do simples furto. Tratava-se de um sistema estruturado de “lavagem de medicamentos”, no qual empresas de fachada eram utilizadas para emitir notas fiscais frias, conferindo aparência de legalidade a produtos roubados.

Dessa forma, os remédios, desviados ou tomados em assaltos, retornavam ao mercado como se fossem legítimos, sendo revendidos inclusive a hospitais públicos e outras instituições de saúde em diversas regiões do país.

Carga milionária

As investigações ganharam força após a interceptação de uma carga roubada avaliada em impressionantes R$ 4 milhões. Os medicamentos haviam sido tomados de assalto no Rio de Janeiro, no dia 31 de março, e posteriormente transportados por via aérea até o Distrito Federal.

No último dia 6, os investigadores conseguiram intrceptar os produtos, que tinham como destino o Hospital Salgado Filho, na capital fluminense. A partir desse ponto, a polícia conseguiu rastrear a complexa rede criminosa que operava nos bastidores.

Durante a operação, os policiais cumpriram 17 mandados de busca e apreensão, além de cinco mandados de prisão preventiva, em ações realizadas no Distrito Federal, em municípios do Entorno e também em Goiânia.

Veja comum funcionava o esquema:

organograma de crime

Funcionários do crime

O trabalho revelou não apenas a atuação externa da quadrilha, mas também um preocupante esquema interno: 13 funcionários de uma empresa farmacêutica foram identificados como responsáveis por desviar medicamentos diretamente de dentro da própria companhia, utilizando artifícios para mascarar os furtos e evitar suspeitas. Todos foram indiciados, assim como os líderes do grupo, capturados durante a operação.

Outro aspecto ainda mais grave veio à tona ao longo das investigações: após o roubo, os medicamentos não eram armazenados sob condições adequadas de refrigeração, fundamentais para preservar sua eficácia.

Sem esse cuidado, muitas dessas substâncias perdiam completamente seu efeito terapêutico, transformando-se em verdadeiros placebos. Em alguns casos, havia risco ainda maior, o de causar danos à saúde dos pacientes.

Pacientes oncológicos

Mesmo assim, esses produtos continuavam sendo comercializados e administrados em pessoas em estado crítico, incluindo pacientes oncológicos, o que eleva o crime a um nível de extrema crueldade.

A polícia também apura a existência de um braço da organização com ligação direta a facções criminosas atuantes no Rio de Janeiro, responsáveis pelos roubos das cargas. Essa conexão evidencia o alcance e a periculosidade do esquema, que unia crimes patrimoniais, fraudes fiscais e atentados diretos à saúde pública.

Para o delegado-chefe da 10ª DP, Laércio Rossetto, responsável pelo caso, o crime vai muito além de prejuízo financeiro. “Não se trata apenas de um esquema milionário, mas de um ataque direto à vida. Esses criminosos colocaram em risco pacientes extremamente vulneráveis, que dependem desses medicamentos para sobreviver. Muitos medicamentos não eram mantidos sob refrigeração e isso faz com que perdesse o feito, virando placebo, degradando o príncipio ativo e tornando-os ineficazes ou até tóxicos à saúde das pessoas”, afirmou.

A operação Alto Custo contou com o apoio da Divisão de Operações Especiais (DOE), além da Polícia Civil de Goiás (PCGO) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

 

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