MPDFT investiga existência de fantasmas no gabinete de Daniel Donizet

Órgão fiscalizador oficiou, nesta quinta-feira (29/08/2019), presidência da CLDF para que forneça informações sobre servidores do distrital

atualizado 29/08/2019 22:17

JP Rodrigues/Metrópoles

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) investiga a possível existência de servidores fantasmas no gabinete do deputado distrital Daniel Donizet (PSDB). A apuração foi instaurada após a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) ter recebido, por meio da ouvidoria do órgão, denúncia anônima com informações acerca da existência de funcionários contratados pela Câmara Legislativa (CLDF) com altos salários, mas que não davam expediente no local. O documento foi protocolado na Presidência da Casa.

De acordo com o MPDFT, foi expedido ofício para a CLDF com requisição da relação de todos os servidores do gabinete, desde janeiro de 2019. “Deve ser instruída com documentação que foi exigida para cada um deles para a posse no cargo, acompanhada das folhas de ponto até agosto de 2019, inclusive, devendo ser informado quem é o responsável pelo controle de frequência”, frisa.

Segundo o Portal de Transparência da Câmara Legislativa, atualmente, 20 servidores ocupam cargos no gabinete do parlamentar.

Além do distrital, os promotores também querem apurar se, durante o curto mandato da primeira suplente do titular, Kelly Bolsonaro (Patriota) corroborou com a possível manutenção de ilegalidades. Ela ficou no cargo no período em que Daniel Donizet esteve licenciado da Casa para ocupar a Administração Regional do Gama.

O outro lado

Procurado, o deputado Daniel Donizet afirmou, por meio de nota, que, “diante da notificação enviada pelo Ministério Público para a presidência da Câmara Legislativa, por meio do Ofício nº 733/2019, ressaltamos que todos os funcionários lotados neste gabinete prestam serviços regularmente, respeitando o horário de expediente pré-estabelecido, conforme pode ser verificado em todas as folhas de ponto que serão encaminhadas ao MP”.

Ainda segundo o deputado, se por acaso alguma denúncia for comprovada, ele agirá “com rigor”. “Não vamos admitir servidor que não esteja cumprindo estritamente com as suas funções”, finalizou.

Robério

O caso vem à tona no mesmo dia em que o celular do deputado distrital Robério Negreiros (PSD) foi confiscado, durante nova fase da Operação Absentia. O parlamentar é alvo de investigação que apura fraude em listas de presença na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Pela manhã, o MPDFT, com o apoio da Polícia Civil do DF, cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do político, no Lago Sul, bem como na residência do servidor da CLDF Arlécio Gazal.

Em nota, Robério atribuiu a denúncia a uma “ex-assessora de gabinete exonerada ainda no ano passado”. “O assunto não se refere a nenhum ato de propaganda eleitoral ilegal. Apenas foram recebidos, em meu gabinete, crachás da coligação do partido de que eu era líder na Casa”, pontuou. O servidor citado não foi localizado pela reportagem para comentar o assunto.Colaborou Mirelle Pinheiro

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