Donizet volta à CLDF para votações e Kelly Bolsonaro deixa o cargo

Segundo o governador, Ibaneis, o administrador regional do Gama retornará ao posto após as sessões. Atuação da suplente causa polêmicas

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atualizado 19/06/2019 19:38

Com menos de um mês no cargo, a passagem da deputada distrital Kelly Bolsonaro (Patriotas) pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) já vai ser interrompida. Empossada em 24 de maio na vaga de Daniel Donizet, que assumiu a Administração Regional do Gama, ela deixará o mandato para o retorno do titular. A informação foi confirmada ao Metrópoles pelo governador, Ibaneis Rocha (MDB).

O motivo da mudança seriam as votações marcadas para a última semana de trabalhos legislativos antes do recesso, quando a pauta da Casa acumula um grande número de proposições. “Daniel está saindo [da administração regional] porque entendeu que os projetos são importantes e quer participar das sessões. Ele volta em seguida [para a AR]. Tudo tranquilo e combinado com a deputada Kelly Bolsonaro, que entendeu e retornará ao cargo após as votações”, afirmou o emedebista.

A exoneração de Daniel Donizet foi publicada na tarde desta quarta-feira (19/06/2019), em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF). Veja:

A atuação da representante do Patriotas, no entanto, tem acirrado os ânimos na CLDF. Deputados e servidores reclamam do forte temperamento da distrital e revelam algumas confusões em que ela estaria envolvida. A mais recente ocorreu na manhã desta quarta, durante audiência pública organizada pelo deputado Fábio Felix (PSol).

O intuito da reunião era discutir a possibilidade de dar o nome da ex-vereadora carioca Marielle Franco a uma praça no centro de Brasília. Autodeclarada de extrema-direita, Kelly pediu palavra durante o encontro (veja o vídeo abaixo). Na ocasião, ela disse aos presentes que a cidade tinha assuntos mais importantes para serem debatidos e ligou Marielle ao tráfico de drogas.

Em seguida, a deputada sugeriu que a praça tivesse o nome do garoto Rhuan, mutilado e morto pela mãe e a companheira no DF. Segundo Kelly, o crime teria ocorrido devido à ideologia de gênero, uma vez que as mulheres eram homossexuais. Ao ouvir manifestações a favor da vereadora, Kelly rebateu com uma folha na mão, gritando: “Marielle vive – enchendo o saco”.

 

Confusões

Nos bastidores, a saída da deputada suplente do cargo, mesmo que temporariamente, é vista como um sinal amarelo para o comportamento dela. Outra confusão envolvendo Kelly teria ocorrido na última sexta-feira (14/06/2019), quando ela tentou pendurar na janela do prédio uma faixa pedindo a demissão dos servidores públicos grevistas e de apoio à reforma da Previdência. A distrital teria sido impedida por assessores do próprio gabinete – nomeados em sua maioria por Donizet –, sob alegação de que o ato era ilegal. Ela não teria gostado da interferência e supostamente entrou em conflito com eles.

No mesmo dia, Kelly teria discutido com servidores do Fundo de Assistência à Saúde dos Deputados Distritais e Servidores da CLDF (Fascal) por causa de um panfleto contrário à reforma. Foi necessária a intervenção da Polícia Legislativa para acalmar os ânimos. Segundo os trabalhadores, eles foram desacatados pela deputada. A parlamentar disse também ter se “sentido desacatada como cidadã” devido ao material sindical afixado no balcão.

Colegas da distrital também se ressentem de outros fatos, como comentários contrários a medidas tomadas pela Mesa Diretora, o comportamento em reuniões da base e posições contrárias a projetos de interesse do Palácio do Buriti.

Procurada pela reportagem, Kelly Bolsonaro se limitou a dizer que não havia sido informada pelo governo sobre sua saída e não poderia falar por estar em uma reunião. O deputado Daniel Donizet também não quis comentar o assunto.

Terrorismo

Antes mesmo de concorrer às eleições, Kelly Bolsonaro causava polêmicas. Ela é apontada como organizadora de um ato de extrema-direita em junho de 2016, quando convocou pelas redes sociais um evento que acabou sendo investigado como uma ação de terrorismo contra alunos da Universidade de Brasília (UnB).

O pequeno grupo se concentrou no Instituto Central de Ciências (ICC), onde teria atacado estudantes com discursos de teor homofóbico e racista. Os universitários da instituição ainda foram acusados de serem “vagabundos” e de “gastarem dinheiro público”. Bombas chegaram a ser estouradas no campus. A 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) abriu investigação sobre o caso.

Colaborou Isadora Teixeira