Mortes na UTI: coleta de provas acaba e juiz decide se técnicos vão a júri
A primeira fase de instrução do processo, que inclui coleta de provas e depoimentos terminou na última quinta-feira (24/9)

A Justiça do Distrito Federal deve decidir nos próximos dias o futuro dos técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, denunciados pelas mortes de três pacientes entre novembro e dezembro de 2025 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
A primeira fase de instrução, que inclui coleta de provas e depoimentos terminou na última quinta-feira (24/9). Agora, o juiz irá analisar o caso que foi apresentado nas alegações finais e decidir se há base legal suficiente para mandar os réus para o Tribunal do Júri ou se o caso terá outro desfecho.
Na decisão, o juiz do caso poderá optar por seguir quatro caminhos: pronúncia, impronúncia, desclassificação e absolvição sumária.
Possíveis caminhos para o processo dos técnicos de enfermagem:
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF- Pronúncia: Caso o juiz entenda que existem indícios suficientes de autoria e prova de que o crime aconteceu, os réus vão para júri popular.
- Impronúncia: O juiz pode optar por esse caminho caso não haja provas suficientes da autoria ou da materialidade do crime para enviar o réu a julgamento. Nesse caso, o processo seria encerrado, podendo ser reaberto no futuro caso surjam novas provas.
- Desclassificação: O juiz pode desclassificar a denúncia do crime homicídio doloso (quando não há intenção de matar), e entender que o crime foi de outra natureza, como por exemplo, lesão corporal seguida de morte. O processo deixaria de ir para o Tribunal do Júri e passaria a ser julgado por um juiz comum.
- Absolvição Sumária: O juiz reconheceria que os réus são inocentes e seriam absolvidos antes mesmo de ir a júri.
No fim de maio e início de junho, mais de 32 testemunhas foram ouvidas durante audiência de instrução realizada no Tribunal do Júri de Taguatinga.
Os três técnicos de enfermagem foram os últimos a serem ouvidos e nenhum dos acusados admitiu participação nas mortes. No seu depoimento, o técnico Marcos Vinícius detalhou o contato que teve com as vítimas e afirmou que elas tiveram piora no estado de saúde.
Em seu depoimento, Marcela Camilly chorou ao falar que não fazia ideia do que teria acontecido com as vítimas e disse que confiava no treinamento de Marcos Vinícius porque todos gostavam dele. Ao ser indagada se Marcos teria utilizado a presença dela para cometer os crimes sem ser descoberto, Marcela confirmou que sim.
“Fiquei muito nervosa quando fui para a delegacia. Não sabia o motivo e ninguém me explicava. Disseram que eu voltaria para casa, mas eu não voltei”, falou Marcela.
Terceira a depor, a técnica Amanda Rodrigues de Souza contou que tinha a expectativa de que Marcos assumisse a responsabilidade e tirasse dela e de Marcela a culpa pelos crimes. “Esperávamos que ele falasse a verdade e que desse uma explicação para todos, para vocês advogados, para a população, para a mídia. Sou ameaçada de morte no presídio e falam que vão fazer comigo o que foi feito com as vítimas.”

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As imagens divulgadas em primeira mão pelo Metrópoles foram essenciais para a denúncia das três mortes de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
Registros feitos pelas câmeras de segurança do hospital mostram o momento em que o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, prescreve uma substância utilizando o login de uma médica que não estava no plantão, retira o medicamento na farmácia do hospital e aplica injeções intravenosas nos pacientes.
Conforme a investigação, o remédio utilizado foi letal para as vítimas.
Outra envolvida, a técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, também aparece em uma das imagens manuseando a substância letal, envolto num pacote laranja, na farmácia da unidade.
No dia 12 de março, Ministério Público (MPDFT) denunciou o trio por homicídio doloso, quando há a intenção de matar e também por cinco tentativas de homicídio.
Caso sejam condenados, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.
Relembre o caso
- Em 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
- Àquela altura, porém, o caso ainda não havia sido revelado. O teor da operação só foi noticiado em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta.
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição estranhar os óbitos e identificar um padrão de semelhança entre os casos.
- Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, teriam injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.
- Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.
Quem eram as vítimas
Marcos Moreira, 33 anos, era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos. O servidor dos Correios deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.
Outra vítima é João Clemente Pereira. Ele tinha 63 anos e era servidor da Caesb. Segundo a família, o paciente reclamava de dores de cabeça. No hospital, foi constatado que ele estava com um coágulo na parte superior do crânio.
Após cirurgia, o paciente apresentou complicações pulmonares devido à intubação, mas melhorou com o passar dos dias. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. João Clemente se aposentaria em dois anos. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.
A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a investigação policial, o técnico preso injetou desinfetante na mulher.
Os técnicos de enfermagem estão presos desde o dia 12 de janeiro e aguardam a Justiça decidir os próximos passos. Durante o processo, vários pedidos de prisão foram negados pela Justiça do DF.

















