Justiça mantém presos técnicos acusados de matar pacientes no DF
Presos desde janeiro deste ano, os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius, Amanda e Marcela Camilly têm a prisão avaliada a cada 90 dias

A Justiça do Distrito Federal manteve a prisão dos técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, acusados de matar pelo menos três pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), em janeiro deste ano. A decisão sobre a reavaliação da prisão preventiva foi publicada na última quinta-feira (20/8).
Presos desde janeiro, os técnicos de enfermagem têm a prisão avaliada a cada 90 dias, assim como determina o Código Penal em todos os casos de prisões preventivas.
O juiz João Marcos Guimarães Silva destaca que não constam no processo novos elementos ou mudanças nos fatos que sejam capazes de afastar os motivos que justificaram a prisão original. O magistrado se manifestou a favor da prisão para “garantia da ordem pública”.

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Ver todasO magistrado argumenta ainda que as medidas previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal, como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de frequentar determinados lugares, não seriam suficientes nem cabíveis para o caso.
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O trio é acusado e denunciado pelas mortes de Marcos Moreira, aos 33 anos, João Clemente Pereira, 63, e Miranilde Pereira da Silva, 75. Os técnicos de enfermagem estão presos desde o dia 12 de janeiro.
Em 12 de março, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) denunciou os envolvidos por homicídio doloso (quando há a intenção de matar). Com a anuência da Justiça, os técnicos se tornaram réus. Marcos Vinícius e Marcela Camilly foram denunciados por três óbitos, enquanto Amanda Rodrigues irá responder por dois. Eles também devem responder por algumas tentativas de homicídio.
O trio passou por audiência de instrução entre o fim de maio e junho deste ano, onde foram ouvidas testemunhas de defesa e acusação do caso. Os técnicos seguem presos enquanto a Justiça do Distrito Federal segue com as diligências processuais junto ao Ministério Público e a Polícia Civil.
Veja a cronologia do caso
- Em 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
- Àquela altura, porém, o caso ainda não havia vindo à tona. O teor da operação só foi noticiado em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta.
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição notar estranheza nos óbitos e semelhança entre os casos.
- Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 teriam injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.
- Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.
Quem eram as vítimas
Os pacientes mortos na UTI do Hospital Anchieta são João Clemente Pereira, 63, Marcos Moreira, 33, e Miranilde Pereira da Silva, 75.
Marcos Moreira, 33 anos, era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos. O servidor dos Correios deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.
Outra vítima é João Clemente Pereira. Ele tinha 63 anos e era servidor da Caesb. Segundo a família, o paciente reclamava de dores de cabeça. No hospital, foi constatado que ele estava com um coágulo na parte superior do crânio.
Após cirurgia, o paciente apresentou algumas complicações pulmonares devido à intubação, mas melhorou com o passar dos dias. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. João Clemente se aposentaria em dois anos. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.
A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a investigação policial, o técnico preso injetou desinfetante na mulher.
Os técnicos de enfermagem estão presos desde o dia 12 de janeiro e aguardam julgamento.



