“Materialização do ódio”, diz deputada sobre morte de professor no DF
João Emmanuel Moura, 32 anos, foi encontrado morto numa parada de ônibus de Sobradinho II no domingo (4/1)
atualizado
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A deputada federal pelo Distrito Federal Erika Kokay (PT) classificou, nesta terça-feira (6/1), a morte do professor João Emmanuel Moura (foto em destaque), 32 anos, como a “materialização do ódio”. João foi encontrado morto em uma parada de ônibus de Sobradinho II, no domingo (4/1).
Em publicação no Instagram, a parlamentar afirmou que o crime foi de “extrema crueldade” e expõe os riscos enfrentados pela população LGBTQIAPN+ em uma “sociedade ainda atravessada pelo ódio”.
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Erika lamentou profundamente a morte do professor e manifestou solidariedade à família, aos amigos, colegas e alunos da vítima.
“A resposta deve ser investigação rigorosa, responsabilização e enfrentamento real à violência e ao preconceito”, escreveu a deputada.
“Retrato cruel de ódio”
O deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF) também se manifestou sobre o caso. Para ele, é revoltante começar o ano com um crime bárbaro de homofobia no Distrito Federal
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Em publicação nas redes sociais, o deputado afirmou que a investigação descartou a hipótese de emboscada pelo Grindr, uma das linhas de investigação que acreditava que o professor tinha marcado um encontro com um homem pelo aplicativo antes de ser morto.
“João foi assassinado simplesmente por ser gay. É o retrato cruel de um ódio que segue matando e de um país que ainda falha em proteger a população LGBTI+”, escreveu Fábio Felix.
Entenda o caso
- O corpo de João Emmanuel Ribeiro Gonçalves de Moura Carvalho foi encontrado em uma parada de ônibus na região do Grande Colorado, no quilômetro 2 da DF-150, em Sobradinho II.
- Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), João foi localizado por volta das 6h30. O Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) foi acionado e constatou o óbito.
- Em exame preliminar, constatou-se lesões na cabeça e nos olhos de João, provavelmente causadas por golpes. Havia sinal de violência na parte de trás do crânio, o que levanta a hipótese de que ele possa ter sido atacado pelas costas.
- A 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho) é responsável pela investigação do caso.
Suspeito foi preso
Guilherme Silva Teixeira, 24 anos, foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), nessa segunda-feira (5/1), pelo homicídio do professor. A vítima foi brutalmente espancada e teve o rosto pisoteado.
O suspeito disse em depoimento que cometeu o crime após ter recebido uma “cantada” da vítima.
De acordo com o delegado-chefe da 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho 2), Ricardo Viana, a vítima chegou em um carro de aplicativo à própria residência, por volta das 5h50, deixou o celular e uma mochila e voltou para a rua, dirigindo-se à parada de ônibus próxima de casa.
“Do outro lado da pista, em frente a um condomínio, o suspeito aguardava uma carona para ir ao trabalho. Já alcoolizada, a vítima supostamente teria passado a se dirigir ao autor e, segundo ele, teria dado em cima dele e chamado para a prática de atos sexuais, o que o deixou ofendido”, disse o delegado.
Nesse momento, de acordo com o Ricardo Viana, o autor atravessou a pista correndo e iniciou as agressões com socos, chutes e pisões. “A violência foi tão intensa que a marca do chinelo do autor ficou impressa no rosto da vítima, que morreu no local, quase em frente à própria casa”, afirmou.
O delegado da 35ª DP disse ainda que o motorista que daria carona ao suspeito é vizinho da vítima e, tanto ele quanto o autor, trabalham como serralheiros.
“Sinônimo de alegria”
João Emmanuel foi descrito por amigos e familiares como uma pessoa “cheia de vida” e com muita “luz”. Além disso, Nuel, como era conhecido, era “sinônimo de alegria”, como relata uma de suas primas, Beatriz Buenos Aires.
“É tão difícil encontrar as palavras certas. Não havia espaço para tristeza em sua vida. Compartilhamos tantos momentos juntos na infância. E agora uma parte da minha infância se tornou cinza e saudosa com sua partida”, desabafou.
A perda é considerada trágica por todos. “Dessas notícias que não esperamos. Descanse em paz, primo. Você tinha muito ainda para viver”, pontuou Graciane Moura, outra prima de João.
Em meio ao luto, as lembranças em vida e o companheirismo do professor são relembrados pelos amigos neste momento de dor e tristeza. “João nos ensinou a viver, como estar presente, inteiro, disponível para o agora. A dor da perda existe porque houve amor, vínculo, verdade. E é justamente isso que permanece”, declarou Ithalo Alves, amigo do docente.
