Mapa da Covid-19: veja quais cidades do DF a doença mais avançou em maio

Aumento de contaminados foi de 579% no mês. A curva de infectados mostra que moradores de regiões pobres são os mais atingidos

atualizado 03/06/2020 14:11

Povo frequenta aglomeração e ambulantes oferecem produtosHugo Barreto/Metrópoles

O mês de maio ficou marcado pela explosão de novos infectados com o novo coronavírus e pela mudança no perfil dos contaminados. Se em 5 de março, quando o primeiro caso foi detectado na capital, os mais ricos eram o alvo principal, em maio, a curva mudou: cidades pobres e populosas passaram a registrar mais doentes.

No total de infectados, somente do dia 1º de maio até a segunda-feira (01/06), o aumento de pessoas com teste positivo para a Covid-19 foi de 579%. A capital passou de 1.546 ocorrências para 10.510, de acordo com o último balanço do Painel Covid-19, alimentado pelo GDF.

Com os números computados até o início da tarde desta terça (02/06), a porcentagem aumenta. A cidade chegou a 10.648 casos, ou seja, um crescimento de 588,7%. Por outro lado, entre segunda e terça, não houve registro de mortes.

Em 1º de maio, Ceilândia era a quinta colocada entre as 31 regiões administrativas do DF. A cidade mais populosa da capital, com cerca de 500 mil habitantes, tinha 72 casos. Plano Piloto, Águas Claras e Lago Sul eram, disparados, os primeiros da lista de pessoas com a Covid-19 confirmada por meio de testes. Os números absolutos eram de 231, 158 e 78 infectados, respectivamente. Veja gráfico:

Em 30 dias, o perfil inverteu-se. A Covid-19, que entrou no DF por meio de pessoas que viajaram ao exterior, alastrou-se pelas cidades com baixa renda. De quinto lugar, Ceilândia passou para o topo da curva. A quantidade de contaminados com coronavírus subiu 1.380%. De 72 casos, a região passou a contabilizar 1.066.

Taguatinga, que figurava em sétimo lugar saltou para terceiro lugar. O crescimento foi de 1.160%, de 55 para 693 casos confirmados. A cidade fica atrás do Plano Piloto, que cresceu muito menos em percentual, uma marca de 312%, mas se manteve no topo do contágio com 952 doentes.

A mesma inversão ocorreu em Samambaia, com incremento de 1.073%; Planaltina, de 1.351% a mais; Santa Maria, com 922% ; Sobradinho, com 871%; e Guará, com 434%.

Veja no gráfico os números absolutos de infectados nas regiões até 1º de junho:

Decretos

No mesmo mês em que os registros explodiram, pelo menos três decretos flexibilizaram a quarentena no DF. Em 16 de maio, houve o retorno do teletrabalho para os servidores da Secretaria de Mobilidade, do Ibram e da Secretaria de Agricultura. Foi autorizada a reabertura das lojas de roupas, calçados, extintores e serviços de corte e costura.

Em 22 de maio, estabelecimentos comerciais puderam reabrir as portas, com horários restritos. No dia 27 foi a vez dos shoppings.

Toda essa mudança fez a quantidade de pessoas que acessam o transporte público, por exemplo, aumentar. Em 23 de maio, houve pico de acessos nos ônibus e Metrô, com 494 mil pessoas usando esses serviços. De acordo com pesquisa da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), o número é 14,6% maior do que no mesmo dia de abril.

O pico de movimentação veicular também foi verificado no período. As principais vias do DF tiveram 2,9 milhões em circulação, um aumento de 9,5%.

Infecção

Essa conexão entre as cidades por meio do transporte, a falta de medidas protetivas, como o uso de máscaras e a higienização das mãos, podem ter contribuído para a mudança do perfil dos contaminados.

“Cerca de 50% das pessoas se deslocam para ir ao trabalho, vão de uma cidade a outra. Assim, há uma circulação do vírus”, explicou a diretora de estudos e pesquisas socioeconômicas da Codeplan, Clarissa Jahns Schlabitz.

Além disso, ela ressalta que era questão de tempo as cidades mais populosas, como Ceilândia, Taguatinga e Samambaia, subirem nas estatísticas.

“Com a densidade demográfica maior, o número de pessoas por quilômetro quadrado é maior, as pessoas têm menos espaço para manter o distanciamento. Têm mais contato, o que aumenta o contágio”, ponderou.

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Lockdown

Para tentar conter o avanço da doença, o GDF iniciou uma série de ações, como a distribuição de máscaras em Ceilândia, Sol Nascente/Pôr do Sol, Samambaia e Estrutural.

Ao todo, 40 mil acessórios de tecido foram distribuídos para a população dessas cidades.

A força-tarefa mobilizou mais de 100 servidores de diferentes órgãos, como a Secretaria de Governo, o DF Legal, Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Militar e Departamento de Estradas de Rodagem (DER/DF), além dos funcionários das administrações regionais das quatro cidades.

O comércio também foi fiscalizado a fim de evitar aglomerações. O governo local tem feito uma série de ações nesse sentido.

Mesmo assim, o GDF afirmou estar preparado para decretar o lockdown (fechamento total) em caso de aumento acentuado de infectados e de mortes por coronavírus nos próximos dias, conforme antecipou a coluna Grande Angular.

Um dos critérios para que a medida mais drástica seja tomada será o comportamento dos comerciantes que receberam autorização do GDF para voltar às suas atividades.

O outro fator a ser levado em conta para que ocorra o fechamento total de cidades inteiras será o acompanhamento rigoroso da curva de crescimento dos casos de coronavírus no DF.

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