Maníaco será indiciado por tentativa de feminicídio contra adolescente

Menina de 17 anos escapou por pouco da morte. Em depoimento, ela disse que Marinésio a chamou de lixo, indicando menosprezo e discriminação

Andre Borges/Especial para o MetrópolesAndre Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 11/09/2019 17:40

A adolescente de 17 anos, primeira vítima a denunciar que o cozinheiro Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos, conduzia um carro diferente da Blazer prata usada para abordar Letícia Sousa Curado, 26, e Genir Pereira de Sousa, 47, terá seu caso classificado como tentativa de feminicídio. O inquérito que apura o estupro cometido contra a adolescente ainda será relatado e depende de algumas informações produzidas pelo Instituto de Criminalística (IC), mas o indiciamento de Marinésio já foi decidido e será mantido, já que a jovem escapou por pouco da morte, configurando tentativa de feminicídio.

Na tarde da última quinta-feira (05/09/2019), a adolescente fez o reconhecimento facial de Marinésio nas dependências do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Para os investigadores, não há dúvidas de que a menina foi vítima do maníaco.

Em depoimento, a garota afirmou ter sido estuprada pelo homem em abril deste ano. “Peguei o ônibus para ir ao Itapuã. Quando desci na parada, ele passou. Ficou me olhando e me abordou com uma faca. Disse que se eu não entrasse no carro ele ia me matar. Me levou para a região dos pinheiros e me estuprou. Depois, pegou meu pescoço, me jogou para fora e disse que eu era um lixo”, contou a jovem.

Segundo a lei, para serem consideradas feminicídio ou tentativa de feminicídio, as situações devem envolver violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher, como no caso da adolescente, que foi chamada de “lixo” pelo cozinheiro.

Há, entretanto, lacunas a serem preenchidas no caso. A jovem esteve na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) para reconhecer o carro que o cozinheiro teria usado para abordá-la. Na ocasião, identificou o Pálio Weekend vermelho, supostamente usado por Marinésio. A versão contada pela adolescente, entretanto, não bate com as informações prestadas pelo atual dono do automóvel, que assegura estar com o veículo há quase dois anos. O carro pertenceu ao irmão de Marinésio.

Além do reconhecimento, o veículo passou por perícia e teve material genético e impressões digitais colhidas pelos peritos do IC, da mesma forma que ocorreu com a Blazer usada por Marinésio nos dias em que matou Letícia e Genir. O maníaco nega que tenha atacado outras mulheres.

 

Segundo o advogado designado pela Ordem dos Advogados do Brasil Seccional DF (OAB-DF) para acompanhar o caso, Dalton Ribeiro, ainda há uma série de evidências coletadas em cenas de crime, veículos e no corpo das vítimas que precisam ter suas perícias finalizadas.

“Não existe ainda a conclusão definitiva do laudo que pode apontar violência sexual no caso da Letícia, por exemplo. Existe apenas informação de um laudo preliminar. A OAB acompanha esse caso com muita atenção e vamos aguardar todos os desdobramentos”, disse.

O acusado

Marinésio morava com a esposa e a filha em uma casa humilde no Vale do Amanhecer. Tinha uma vida acima de qualquer suspeita. O homem, de 1,60 m de altura, é considerado calmo. “Vivi com ele muitos anos [19, no total] e não sabia de nada. Era um bom marido e bom pai. Nunca agrediu minha filha. Estamos arrasadas”, disse a companheira do maníaco.

Após ser preso, o cozinheiro confessou ter matado duas mulheres e afirmou que pagará pelos crimes. “Só peço desculpas a todos. Minha família não merecia estar passando por isso. Vou pagar o que eu fiz”, disse Marinésio, detido desde a madrugada de 25/08/2019 pelo assassinato de Letícia. Ele também admitiu ser autor da morte da auxiliar de cozinha Genir Pereira de Sousa, 47, em junho passado.

As declarações foram dadas no dia 26/08/2019, na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina), região administrativa onde Letícia morava com o marido e o filho, criança de apenas 3 anos. O cozinheiro agia sempre com o mesmo modus operandi: as vítimas eram abordadas em paradas de ônibus ou em rodoviárias pelo suspeito, que se passava por loteiro (motorista de lotação).

O homem usava sua Blazer prata, placa JFZ 3420-DF, nos crimes. O carro passou por análise minuciosa do Instituto de Criminalística da Polícia Civil. Os peritos buscam principalmente material genético das vítimas no veículo. Fios de cabelos e sangue, caso sejam encontrados, podem ser confrontados com o DNA das pessoas que acusam o maníaco de crimes.

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