“Meu filho começou a perguntar pela mãe agora”, diz viúvo de Letícia

Marido da funcionária do MEC assassinada por maníaco na última sexta-feira se emocionou em missa de despedida à esposa

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 29/08/2019 20:44

Cerca de 200 pessoas compareceram à Paróquia de São Sebastião, em Planaltina, na noite desta quinta-feira (29/08/2019), para a celebração da Missa da Saudade em homenagem a Letícia Souza Curado, 26 anos. A advogada, que era funcionária terceirizada do Ministério da Educação (MEC) foi morta por Marinésio dos Santos Olinto, 41, na última sexta-feira (23/08/2019), após se opor ao assédio do criminoso.

Seis dias depois do desaparecimento da esposa, Kaio Fonseca, viúvo de Letícia, está devastado e diz que as lembranças ainda estão muito vivas. “Tento sair da rotina, esquecer um pouco, mas ainda está muito difícil”, comentou.

Ele afirma que só agora, com o passar do tempo, que está começando a entender que não poderá mais encontrar a esposa. “A ficha começou a cair hoje, pois tive que mexer com a parte burocrática da morte dela”, contou.

Vestido com uma camisa em homenagem a Letícia e carregando panfletos com fotos do casal, Kaio se emociona ao falar sobre o futuro. “Os sonhos foram por água abaixo. Meu filho, de 3 anos, começou a perguntar pela mãe agora. Dá um grande aperto no coração. Ainda não sei lidar com isso”, disse Kaio durante a cerimônia. O garoto estava na casa de parentes e não participou da missa.

Quem também estaca inconsolável com a morte de Letícia é Jaime Vinícius de Paula, 20 anos, primo de Kaio. O estudante diz que a advogada fará falta. “Era uma pessoa muito tranquila e muito dedicada aos estudos”, recordou.

Punição a Marinésio

Para Kaio, o crime é imperdoável. Ele afirmou que continuará a acompanhar o caso para que o assassino seja punido. “Tenho que acreditar na Justiça. Foi por essa causa que minha mulher sempre batalhou”, afirmou.

Kaio relata que já teve a oportunidade de encontrar a família do assassino, que pediu desculpas. “A culpa não é deles. O pai tentou se ajoelhar para pedir perdão, mas eles não têm participação nisso”, finalizou.

O acusado

Marinésio morava com a esposa e a filha em uma casa humilde no Vale do Amanhecer. Tinha uma vida acima de qualquer suspeita. O homem de 1,60 m de altura é considerado calmo. “Vivi com ele muitos anos [19, no total] e não sabia de nada. Era um bom marido e bom pai. Nunca agrediu minha filha. Estamos arrasadas”, disse a companheira do maníaco.

 

Após ser preso, o cozinheiro confessou ter matado duas mulheres e afirmou que pagará pelos crimes. “Só peço desculpas a todos. Minha família não merecia estar passando por isso. Vou pagar o que eu fiz”, disse Marinésio, detido desde a madrugada de domingo (25/08/2019) pelo assassinato de Letícia. Ele também admitiu ser autor da morte da auxiliar de cozinha Genir Pereira de Sousa, 47, morta em junho passado.

As declarações foram dadas na segunda (26/08/2019), na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina), região administrativa onde Letícia morava com o marido e o filho, criança de apenas 3 anos.

O cozinheiro agia sempre com o mesmo modus operandi: as vítimas eram abordadas em paradas de ônibus ou em rodoviárias pelo suspeito, que se passava por loteiro (motorista de lotação).

O homem usava sua Blazer prata, placa JFZ 3420-DF, nos crimes. O carro passou por análise minuciosa do Instituto de Criminalística da Polícia Civil. Os peritos buscam principalmente material genético das vítimas no veículo. Fios de cabelos e sangue, caso sejam encontrados, podem ser confrontados com o DNA das pessoas que acusam o maníaco de crimes.

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