“Está doendo muito”, diz marido de Letícia, morta por serial killer

Kaio Fonseca falou sobre o desfecho trágico do caso ao sair para o IML, onde está o corpo da advogada e funcionária do MEC

atualizado 27/08/2019 10:46

JP Rodrigues/Metrópoles

Um dia após o corpo de Letícia Sousa Curado, 26, ser encontrado, o educador físico Kaio Fonseca, 25, marido da advogada e funcionária do Ministério da Educação (MEC), falou sobre o desfecho trágico do caso. Ao sair de casa, em Planaltina, para o Instituto Médico Legal (IML), na manhã desta terça-feira (27/08/2019), resumiu o seu sentimento de dor.

“É difícil chegar à noite e não ter a minha esposa ao meu lado. Está doendo muito”, disse, visivelmente emocionado. Em meio à dor, ele ressaltou que a família vai trabalhar em conjunto com a polícia e os advogados para que não ocorram mais casos como o de Letícia. “A gente nunca espera que aconteça com a gente. Letícia era uma pessoa que sempre procurava o bem. Na última semana mesmo, ela juntou um monte de roupas do nosso filho para doar a uma criança passando por necessidades”, assinalou.

A residência onde a advogada vivia com Kaio e o filho de 3 anos amanheceu com um pano preto na varanda, em sinal de luto. O crime chocou a vizinhança da quadra 3 do Arapoanga, em Planaltina, e deixou a família devastada. “Para a gente, esse desfecho trágico significa o fim de uma angústia e o início da saudade. Depois de todo o mal feito a ela e termos conhecimento disso, só queríamos entregá-la nas mãos de Deus. É um momento difícil para a gente. Agora, vamos preservar a nossa família”, resumiu o bombeiro militar e padrinho do filho da vítima, Leandro Marra de Oliveira Dias, 30.

Um comerciante da loja em frente ao apartamento onde a família reside disse que todos estão abalados. “Não os conhecia. Soubemos quem era a moça após a reportagem. Sempre saía muito cedo e chegava tarde da noite. Um caso chocante. Um crime bárbaro”, destacou.

Outro vizinho, que preferiu não se identificar, disse que esteve com o esposo de Letícia depois do desfecho do caso. “A sensação é de que está em choque. Não caiu a ficha. Havia a esperança de que ela pudesse estar viva. Um casal muito amigo e tranquilo. A Letícia era muito gente boa. Uma perda grande”, afirmou.

O corpo de Letícia foi achado às margens da DF-250, na região de Planaltina, nessa segunda-feira (26/08/2019), após a prisão do acusado pelo crime, o cozinheiro desempregado Marinésio dos Santos Olinto, 41. Com 1,60 m de altura e fala mansa, o homem chocou o Distrito Federal ao confessar, nessa segunda-feira (26/08/2019), os assassinatos de Letícia e Genir Pereira de Sousa, 47.

A funcionária do MEC foi morta na última sexta-feira (23/08/2019), no mesmo dia em que sumiu de uma parada de ônibus em Planaltina; Genir perdeu a vida em 12 de junho. Após Marinésio ser preso, nessa segunda-feira, uma jovem de 23 anos o reconheceu na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina) e afirmou aos policiais ter conseguido fugir dele, em 11 de agosto. Os investigadores agora apuram se há ligação entre Marinésio e outras ocorrências, como o desaparecimento de pelo menos mais duas mulheres.

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Marinésio trabalhava como funcionário terceirizado em um supermercado do Lago Norte e não possuía antecedentes criminais. Ele é casado e tem uma filha de 16 anos. A família mora no Vale do Amanhecer, próximo ao local do crime mais recente.

Depois de matar as duas mulheres, Marinésio pegou pertences das vítimas. Para investigadores da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), tratam-se de “troféus” pelos crimes cometidos. No porta-luvas do carro dele, uma Blazer prata de placa JFZ 3420-DF, estava uma bolsa com fichário e material escolar, além de um relógio – objetos pessoais de Letícia.

O celular da advogada estava atrás do banco do veículo. A bolsa de Genir, segundo a delegada-chefe da 6ª DP, Jane Klébia, também foi levada por Marinésio, mas ainda permanece sumida.

Policiais da 6ª DP e da Divisão de Repressão ao Sequestro (DRS) mapearam os casos em aberto com o mesmo modus operandi ocorridos na Saída Norte do Distrito Federal. As vítimas foram abordadas em paradas de ônibus ou a caminho dos abrigos para esperar coletivos, entraram no carro achando que se tratava de transporte pirata e desapareceram.

A polícia investiga se o destino de Letícia e Genir foi o mesmo de outras duas mulheres que sumiram no DF. Há cerca de um ano e meio, por exemplo, uma babá moradora da Fercal desapareceu no Altiplano Leste, após embarcar num ônibus e descer nas proximidades da Barragem do Paranoá. No dia chuvoso, a mulher pegou uma lotação e nunca mais foi vista.

Outro caso ocorreu em Sobradinho: uma residente da Nova Colina sumiu após sair de um posto de gasolina. Pelo menos três mulheres foram à 31ª DP e disseram ter escapado dos ataques de Marinésio após aceitarem embarcar no carro dele.

Nas redes sociais, familiares e amigos iniciaram uma campanha com frase: “Parem de nos matar” e “Somos todos Letícia”.

 

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