Marinésio é reconhecido por adolescente e mulher que o denunciaram

A informação foi dada pela mãe da jovem de 17 anos. Segundo ela, as duas teriam chorado ao ficar frente a frente com o maníaco

Andre Borges/Esp. MetrópolesAndre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 05/09/2019 22:26

O cozinheiro Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos, foi reconhecido na tarde desta quinta-feira (05/09/2019) por uma garota de 17 anos e por uma dona de casa de 43. Elas contam terem sido abordadas em paradas de ônibus e estupradas pelo maníaco. A informação foi dada ao Metrópoles pela mãe da adolescente. “É ele mesmo: as duas ficaram desesperadas. Minha filha saiu de lá chorando muito”, afirmou.

O reconhecimento facial foi feito no Departamento de Polícia Especializada (DPE), no Parque da Cidade. Mais cedo, na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), a jovem havia confirmado que o Palio vermelho que pertenceu ao irmão do cozinheiro foi o veículo usado pelo maníaco para abordá-la no Paranoá.

Ela diz ter sido violentada, agredida e xingada em abril de 2019. Essa versão, entretanto, não bate com as informações prestadas pelo atual dono do automóvel, que assegura estar com o veículo há quase dois anos.

O Palio Weekend, ano de 2001, atualmente pertence ao auxiliar de serviços gerais Ademar Paulino de Araujo, 42. Ele é o terceiro dono, depois do irmão de Marinésio, e também esteve na 6ª DP nesta quinta (05/09/2019).

 

Segundo o atual proprietário, ele tem o carro há quase dois anos e diz que só quem o utiliza é sua esposa. “Ligaram para mim, foram lá em casa e pediram para trazer aqui para reconhecer. Nem sabia qual era esse caso”, afirmou. “Só eu que uso, ele nem sabe dirigir. Não somos de emprestar para ninguém”, disse a mulher. A Polícia Civil ainda não se manifestou sobre o desencontro de informações.

Após o reconhecimento, a adolescente reafirmou que o veículo que estava na delegacia foi o mesmo utilizado por Marinésio. “Eu vi o sofá estampado. É esse”, afirmou. “Ela reconheceu o carro na hora que chegamos aqui. Ela virou para o lado e falou: ‘É aquele ali'”, disse a mãe, de 42 anos. “Minha filha está o dia todo tendo crise, sem comer, passou a noite sem dormir”, completou.

A adolescente foi a primeira a denunciar que Marinésio usava carro diferente da Blazer prata apreendida, usada para abordar Letícia Sousa Curado, 26, e Genir Pereira de Sousa, 47. O maníaco confessou ter matado as duas, mas negou que tenha atacado outras mulheres.

O carro era do irmão de Marinésio, que o vendeu para um morador do Café Sem Troco, no Paranoá. A confirmação de que o cozinheiro Marinésio usava outros veículos para atacar mulheres fez aumentar o número de supostas vítimas dele. Em depoimento à PCDF, o irmão revelou que emprestava com frequência um Fiat Palio vermelho ao cozinheiro e pontuou ainda que o acusado também costumava dirigir um VW Gol preto.

O acusado

Marinésio morava com a esposa e a filha em uma casa humilde no Vale do Amanhecer. Tinha uma vida acima de qualquer suspeita. O homem, de 1,60 m de altura, é considerado calmo. “Vivi com ele muitos anos [19, no total] e não sabia de nada. Era um bom marido e bom pai. Nunca agrediu minha filha. Estamos arrasadas”, disse a companheira do maníaco.

Após ser preso, o cozinheiro confessou ter matado duas mulheres e afirmou que pagará pelos crimes. “Só peço desculpas a todos. Minha família não merecia estar passando por isso. Vou pagar o que eu fiz”, disse Marinésio, detido desde a madrugada de domingo (25/08/2019) pelo assassinato de Letícia. Ele também admitiu ser autor da morte da auxiliar de cozinha Genir Pereira de Sousa, 47, em junho passado.

As declarações foram dadas na segunda (26/08/2019), na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina), região administrativa onde Letícia morava com o marido e o filho, criança de apenas 3 anos.

O cozinheiro agia sempre com o mesmo modus operandi: as vítimas eram abordadas em paradas de ônibus ou em rodoviárias pelo suspeito, que se passava por loteiro (motorista de lotação).

O homem usava sua Blazer prata, placa JFZ 3420-DF, nos crimes. O carro passou por análise minuciosa do Instituto de Criminalística da Polícia Civil. Os peritos buscam principalmente material genético das vítimas no veículo. Fios de cabelos e sangue, caso sejam encontrados, podem ser confrontados com o DNA das pessoas que acusam o maníaco de crimes.

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