Caso Marinésio: jovem reconhece carro vermelho, mas datas não batem

Adolescente contou que teria sido atacada pelo maníaco em abril deste ano. Mas atual dono do veículo disse que o comprou há dois anos

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 06/09/2019 8:57

A adolescente de 17 anos que afirma ter sido vítima de Marinésio dos Santos Olinto, 41, confirmou, nesta quinta-feira (05/09/2019), na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), que o Palio vermelho que pertenceu ao irmão do cozinheiro foi o veículo usado pelo maníaco para abordá-la no Paranoá. A jovem garante ter sido estuprada, agredida e xingada pelo cozinheiro em abril de 2019. A versão dela, entretanto, não bate com as informações prestadas pelo atual dono do automóvel, que assegura estar com o veículo há quase dois anos.

O Palio Weekend, ano de 2001, atualmente pertence ao auxiliar de serviços gerais Ademar Paulino de Araujo, 42. Ele é o terceiro dono, depois do irmão de Marinésio, e também esteve na 6ª DP, nesta quinta (05/09/2019), para que a adolescente e outra possível vítima, de 43 anos, fizessem o reconhecimento do automóvel. As duas serão levadas depois ao Departamento de Polícia Especializada (DPE) para fazer o reconhecimento facial do agressor, que está preso na carceragem.

 

Segundo o atual proprietário, ele tem o carro há quase dois anos e diz que só quem o utiliza é sua esposa. “Ligaram para mim, foram lá em casa e pediram para trazer aqui para reconhecer. Nem sabia qual era esse caso”, afirmou. “Só eu que uso, ele nem sabe dirigir. Não somos de emprestar para ninguém”, disse a mulher. A Polícia Civil ainda não se manifestou sobre o desencontro de informações.

A jovem afirma ter sido estuprada, abandonada e chamada de “lixo”. Segundo contou, também foi abordada pelo cozinheiro em uma parada de ônibus. Para que entrasse no carro, o maníaco a teria ameaçado de morte com uma faca. A vítima foi levada à região dos pinheirais, no Paranoá, onde teria sido abusada pelo suspeito.

Após o reconhecimento, a adolescente reafirmou que o veículo que estava na delegacia foi o mesmo utilizado por Marinésio. “Eu vi o sofá estampado. É esse”, afirmou. “Ela reconheceu o carro na hora que chegamos aqui. Ela virou para o lado e falou: ‘É aquele ali'”, disse a mãe, de 42 anos. “Minha filha está o dia todo tendo crise, sem comer, passou a noite sem dormir”, completou.

A adolescente foi a primeira a denunciar que Marinésio usava carro diferente da Blazer prata apreendida, usada para abordar Letícia Sousa Curado, 26, e Genir Pereira de Sousa, 47. O maníaco confessou ter matado as duas, mas negou que tenha atacado outras mulheres.

O carro era do irmão de Marinésio, que o vendeu para um morador do Café Sem Troco, no Paranoá. A confirmação de que o cozinheiro Marinésio usava outros veículos para atacar mulheres fez aumentar o número de supostas vítimas dele. Em depoimento à PCDF, o irmão revelou que emprestava com frequência um Fiat Palio vermelho ao cozinheiro e pontuou ainda que o acusado também costumava dirigir um VW Gol preto.

Tentou suicídio

A outra mulher que foi reconhecer o carro é uma moradora do Paranoá de 43 anos, que pediu para não ter o nome divulgado. Ela chegou a tentar o suicídio duas vezes devido ao trauma causado pela violência sofrida: foi estuprada e espancada. A vítima parou de trabalhar e fez acompanhamento psiquiátrico. Hoje, tem depressão e síndrome do pânico.

O caso ocorreu em 2017. Naquele ano, Marinésio teria ameaçado a mulher de morte após ela tentar escapar do veículo do algoz. Aos investigadores, a vítima relatou que o maníaco estava em um carro vermelho – diferente da Blazer prata usada na morte de Letícia.

“Eu estava na parada quando ele encostou o carro vermelho, desceu, colocou uma faca no meu rosto e me mandou entrar, sem gritar. Fiquei apavorada e disse que, se ele quisesse minha bolsa, poderia levar. Mas implorei que não me matasse”, contou ao Metrópoles.

O suspeito dirigiu até uma área de mata onde fica um grande pinheiral na região administrativa. Foi quando, segundo a vítima relatou aos policias civis, ela teria sido violentada e agredida.

A mulher continua: “Ele pegou no meu pescoço e falou que se eu não ficasse quieta, ia morrer naquele momento. Mandou eu fazer o que ele queria, se não me mataria. Entre a minha vida e fazer o que ele queria fazer, preferi minha vida”. Marinésio fez mais ameaças: “Disse que ia matar porque eu tinha visto bem o rosto dele. Ele disse que quem via o rosto dele morria”, revela a denunciante.

Desesperada, ela conseguiu gritar e chamar a atenção de moradores das redondezas, que a socorreram. Marinésio, então, teria fugido.

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