Maior chacina do DF: promotor aposta na condenação dos réus pelo júri

Julgamento começou na segunda (13/4) e deve se estender até domingo. Cinco acusados respondem pela execução de 10 pessoas da mesma família

atualizado

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Breno Esaki/Metrópoles
Promotor do MPDFT
1 de 1 Promotor do MPDFT - Foto: Breno Esaki/Metrópoles

O promotor de justiça à frente do caso da maior chacina do Distrito Federal, Nathan da Silva Neto, disse acreditar que o Tribunal do Júri vai acatar as teses apresentadas pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e condenará os réus envolvidos na execução de 10 pessoas da mesma família.

“O Ministério Público tem confiança no seu trabalho. Fomos muito cuidadosos e didáticos na apresentação das provas aos jurados. Estamos muito confiantes de que eles acolherão nossas teses, pois, afinal de contas, o processo reúne provas suficientes e a participação de cada acusado foi devidamente demonstrada”, declarou.

O Tribunal do Júri da chacina teve início na segunda-feira (13/4) e tem previsão de terminar neste fim de semana. Até o momento, os jurados ouviram 18 testemunhas e o depoimento dos cinco acusados.

Saiba quem são os réus e como participaram do crime

  • Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano.
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos.
  • Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções.
  • Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período.
  • Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição e sequestro de uma das vítimas.

De acordo com a denúncia do MPDFT, se condenados, os acusados podem pegar até 358 anos de prisão.

Os réus respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.

Durante conversa com a imprensa, o promotor contou que o andamento dos atos processuais ocorre dentro da previsão.

“As testemunhas foram ouvidas, os interrogatórios foram realizados. Ontem, o Ministério Público sustentou a acusação na íntegra apresentando aos jurados as provas que estão reunidas no processo. Buscamos demonstrar a participação e a conduta de cada acusado”, comentou.

O Ministério Público demonstrou que Gideon e Horácio eram as lideranças do grupo e que eles tinham “poder de mando sobre os demais acusados”. “Demonstramos que Fabrício e Carlomam eram os responsáveis pelo cativeiro. Também comprovamos que Carlomam, juntamente com Gideão e Horácio, eram responsáveis pela execução das vítimas. Conseguimos demonstrar ainda a participação do menor, bem como a de Carlos Henrique, no homicídio e sequestro de Thiago”, detalhou o promotor.

Segundo ele, a previsão é que, ao longo do dia de hoje, os advogados dos acusados sustentem as teses de defesa. A expectativa é que até o início da tarde se inicie a votação dos quesitos pelos réus. Quesitos são perguntas formuladas pelo juiz-presidente do Tribunal do Júri, baseadas na denúncia e nas teses de defesa. As perguntas são feitas aos jurados, que respondem “sim” ou “não” para decidir sobre a condenação ou absolvição do réu. Até o momento, há 500 quesitos aguardando análise.

“Como são cerca de 500 quesitos, acreditamos que não teremos tempo suficiente para concluir a votação ainda hoje. Amanhã, gastaremos todo o dia realizando a votação, mas é bem provável que adentremos o domingo para finalizar os questionamentos”, avaliou o promotor.  Ele completou explicando que: “a leitura da sentença é feita a partir do resultado da votação”.

Entenda o caso

Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã (DF), e também para obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar seus familiares.

Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina (DF), onde Marcos foi morto e enterrado.

No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.

Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.

O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere. Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.

Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.

Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.

Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.

Disputa por terreno de R$ 2 milhões

Um terreno no Itapoã (DF),  avaliado em R$ 2 milhões, teria motivado os assassinos a arquitetarem a morte de 10 pessoas. O local tem cachoeira privativa, ampla área de pastagem de gado e cerca de 5 hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados.

O plano seria assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar nenhum herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia à vítima, o patriarca da família, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara era alvo de disputa judicial desde 2020, na qual os verdadeiros donos tentam recuperar a área.

Os integrantes da família foram atraídos para emboscadas e assassinados um a um:

  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca
  • Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos
  • Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal
  • Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal
  • Elizamar da Silva – esposa de Thiago
  • Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar
  • Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos
  • Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia

Execução do crime

A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro, em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.

A partir daí, os criminosos passaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família

Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.

Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída junto com os três filhos pequenos do casal

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