Maior chacina do DF: defesa dos acusados apela e critica investigação

Advogados dos réus contestaram provas, apontaram fragilidades no inquérito e citaram que todas testemunhas estavam mortas

atualizado

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Carla Sena / Arte Metrópoles
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1 de 1 maior-chacina-do-dfjpg - Foto: Carla Sena / Arte Metrópoles

Por três horas e 20 minutos, os advogados dos cinco envolvidos no caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal sustentaram a tese de defesa diante dos jurados. O julgamento do crime hediondo de assassinato de 10 pessoas da mesma família avança para o quinto dia nesta sexta-feira (17/4) . A expectativa é que se estenda até o fim de semana.

Entre as estratégias utilizadas pelos advogados dos reús foi pedido que os membros do júri se colocassem nos lugares dos acusados. Também foram feitas criticas às investigações e até mesmo citações de passagens da Bíblia.

A defensora pública Karol Arruda, que defende o réu Gideon de Menezes, apresentou a tese que seu cliente seria inocente. Já o advogado de Horácio Barbosa, afirmou não concordar com as versões apresentadas pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). Ele argumentou não haver provas suficientes que indiquem a participação direta de seu cliente nos crimes.

Em determinado momento, a defesa recorreu a referências religiosas para ilustrar o risco de julgamentos injustos, mencionando o episódio bíblico do julgamento de Jesus Cristo e a postura de Pôncio Pilatos. A comparação foi utilizada como forma de alertar os jurados sobre a responsabilidade da decisão.

A defesa também argumentou “fragilidade das investigações”, apelando para o fato de que todas as testemunhas do caso foram mortas.

Versões conflitantes

Durante os debates, a defesa de Carlomam Nogueira afirmou que a decisão dos jurados deveria se basear exclusivamente nas provas e na legislação, evitando condenações desproporcionais.

Na sustentação, a advogada Daniela Visona destacou que “não cabe às partes determinar quem merece perdão”. Nesse momento, houve tensão com o Ministério Público após a advogada relembrar um caso anterior envolvendo erro judicial – o crime da 113 Sul. O promotor Marcelo Leite contestou a fala, afirmando que a comparação era indevida.

A defesa prosseguiu com a fala da advogada Rebeka Gomes, dizendo que Carlomam participou dos crimes, porém, se entregou e colaborou com as investigações desde o início. Segundo ela, o réu manteve a versão de que não havia cometido o assassinato das crianças.

Os advogados de defesa reforçaram que a condenação não pode se basear em interpretações subjetivas, mas sim em provas apresentadas e nos critérios legais.

Comprovação dos fatos

Enquanto a defesa de Carlomam estava com a palavra, o promotor Nathan Neto pediu para rebater os argumentos da advogada. O promotor afirmou aos jurados que a autoria de um crime não se limita a quem executa a ação, mas também inclui quem participa ou tem controle da situação.

O promotor destacou que o réu Carlomam já fora condenado por integrar uma facção criminosa, ressaltando que isso não é apenas uma acusação, mas um fato comprovado.

O MPDFT também contestou a tese da defesa de que o acusado colaborou com as investigações. Segundo Nathan, não houve colaboração premiada, nem acordo formal.

Conforme narrou o promotor, quando o réu se apresentou, já havia ordem de prisão e provas suficientes, como digitais, imagens e delações dos comparsas. O representante do MPDFT concluiu afirmando que, mesmo em silêncio, o acusado seria condenado. Por fim, pediu aos jurados que não considerassem a versão apresentada pela defesa.

Maior chacina do DF

O Tribunal do Júri da chacina teve início na segunda-feira (13/4) e tem previsão de estender até domingo. Os jurados já ouviram 18 testemunhas e os depoimentos dos cinco acusados, bem como de seus advogados de defesa.

Saiba quem são os réus e como participaram do crime:

  • Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano.
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos.
  • Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções.
  • Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período.
  • Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição e sequestro de uma das vítimas.

De acordo com a denúncia do MPDFT, se condenados, os acusados podem pegar até 358 anos de prisão.

Os réus respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.

Entenda o caso

  • Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã (DF), e também para obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar seus familiares.
  • Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
    As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina (DF), onde Marcos foi morto e enterrado.
  • No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
  • Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
  • O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere. Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
  • Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
  • Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
  • Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.

Disputa por terreno de R$ 2 milhões

Um terreno no Itapoã (DF),  avaliado em R$ 2 milhões, teria motivado os assassinos a arquitetarem a morte de 10 pessoas. O local tem cachoeira privativa, ampla área de pastagem de gado e cerca de 5 hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados.

O plano seria assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar nenhum herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia à vítima, o patriarca da família, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara era alvo de disputa judicial desde 2020, na qual os verdadeiros donos tentam recuperar a área.

Os integrantes da família foram atraídos para emboscadas e assassinados um a um. São eles:

  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca
  • Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos
  • Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal
  • Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal
  • Elizamar da Silva – esposa de Thiago
  • Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar
  • Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos
  • Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia

Execução do crime

A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro, em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.

A partir daí, os criminosos passaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família

Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.

Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída junto com os três filhos pequenos do casal

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