Mãe denuncia sequestro de bebê em hospital do DF

De acordo com familiares, menino teria sido levado por uma mulher de jaleco no HRT. Polícia investiga o caso

atualizado 28/11/2019 9:49

HRTDaniel Ferreira/Metrópoles

A Polícia Civil investiga suposto sequestro de bebê no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). De acordo com familiares do menino, uma mulher de jaleco teria visitado a criança na madrugada desta quinta-feira (28/11/2019) e a levado para fazer um exame de glicemia. No entanto, não a devolveu.

“Mais ou menos umas 3h da madrugada, uma mulher de jaleco apareceu e disse que tinha que fazer um exame de glicemia. Mas minha irmã ficou incomodada com a demora”, conta Luana de Almeida Ribeiro, 22 anos, irmã de Larissa de Almeida Ribeiro, 21, mãe do bebê.

É o primeiro filho de Larissa. Ela e a família moram no Gama.

“Ninguém viu a mulher. Antes, o hospital não tinha deixado minha irmã entrar com acompanhantes”, diz Luana. Segundo a descrição, a mulher era alta, magra, usava calça preta, blusa cinza, tênis roxo e coque no cabelo. Segundo familiares, Larissa foi nesta manhã para a 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga).

 

Reprodução/Facebook
Postagem de irmã de Larissa, que denunciou o sequestro
Secretaria

A Secretaria de Saúde confirmou que uma paciente comunicou à equipe da enfermaria da ginecologia que seu bebê havia sido levado para exames e não teria retornado. A ocorrência foi registrada de imediato pela enfermeira no posto policial do hospital. No início da manhã, a mãe foi encaminhada para a delegacia para prestar depoimento.

“O HRT está colaborando com a polícia, com informações que possam ajudar a solucionar o caso. O bebê, que estava no terceiro andar, onde havia segurança, nasceu às 8h da manhã de ontem (quarta-feira), de parto cesariana”, disse a Secretaria de Saúde, em nota.

Ainda no documento, a pasta informou que a equipe de vigilância do hospital conta com 15 seguranças e um supervisor. “Assim que o fato foi comunicado, os vigilantes iniciaram uma varredura em todas as instalações do hospital e na área externa. Desde a madrugada, seguranças do hospital, juntamente com as polícias Militar e Civil, fazem buscas nas áreas próximas ao hospital”, destacou.

A Saúde informou que, no HRT são realizados, em média, 300 partos por mês. Este ano, até outubro, foram registrados 3.562.

Sequência

A criança tinha apenas 19 horas de vida quando o fato ocorreu. A avó materna, Francisca de Almeida Ribeiro, 55, conta que a filha havia sido transferida da UPA do Gama para o HRT ainda nessa terça-feira (26/11/2019), mas o parto só ocorreu na manhã de quarta (27/11/2019).

“Foi um bom parto. Fomos transferidos da UPA do Gama porque lá não poderíamos realizar o ultrassom”, lembra. Em Taguatinga, após a cesariana, Larissa não pôde ficar com acompanhantes, segundo os familiares, porque ela tinha que ficar em observação.

Por volta das 10h da manhã dessa quarta-feira (27/11/2019), Francisca voltou para casa, mas manteve contato com a filha. “Eu falei para ela: ‘Cuida do bebê, não deixa ninguém pegar nele'”, diz.

“Eles vão ter que pagar isso aí. É muita falta de responsabilidade”, revolta-se Francisca, na porta da 12ª DP, referindo-se ao hospital.

Outros casos

Um caso semelhante ocorreu no Distrito Federal em junho de 2017. A estudante de enfermagem Gesianna de Oliveira Alencar, 25 anos, foi acusada de ter sequestrado o pequeno Jhony dos Santos Júnior da maternidade do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), onde o bebê estava com a mãe. A polícia encontrou a suspeita e conseguiu devolver a criança aos pais.

Segundo policiais da Divisão de Repressão a Sequestro (DRS), Gesianna planejou o sequestro. Simulando uma gravidez, ela enganou a família e chegou a ir à unidade de saúde dias antes da ação. Voltou no dia 6 de junho de 2017, entrou às 7h com o nome falso de Juliana e carregou a criança de apenas 13 dias de vida, por volta das 11h, em uma bolsa.

Porém, a história mais famosa da capital do país ocorreu em 1986. Pedro Júnior Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, foi sequestrado naquele ano, na Maternidade Santa Lucia, em Brasília.

Levado para Goiânia, ele viveu 16 anos como filho de Vilma Martins Costa, com o nome de Osvaldo Martins Borges. Em 2002, os pais biológicos encontraram o menino, e o episódio ficou conhecido como “caso Pedrinho”. Ele ainda mantém contato com Vilma, que chegou a ser presa.

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