Justiça mantém preso homem que extorquiu deputado federal no DF

Com a ajuda de câmeras presas ao corpo de Luis Miranda, PCDF prendeu Daniel Luís Mogendorff Franken nessa quinta (06/09/2019)

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atualizado 06/09/2019 16:07

Em audiência de custódia nesta sexta-feira (06/09/2019), a juíza Lorena Alves OCampos converteu em preventiva a prisão em flagrante de Daniel Luís Mogendorff Franken. O homem, que tem passaporte alemão, foi detido na noite dessa quinta-feira (05/09/2019), em Brasília, acusado de extorquir o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF). E pode ficar na cadeia até o julgamento.

Conforme a coluna Grande Angular mostrou, há pelo menos um mês, Daniel Luís Mogendorff vinha mantendo contato com o parlamentar. Nas conversas, ele exigia R$ 760 mil em troca da promessa de cessar publicações produzidas por um grupo de youtubers que atacava o político do DF nas redes sociais.

“O fato é gravíssimo e demonstra a necessidade concreta da prisão para se evitar a reiteração da conduta. Ressalto, ainda, que o custodiado tem nacionalidade alemã, veio do Uruguai para se encontrar e extorquir a vítima e afirmou residir em Israel. Não há qualquer segurança para a instrução criminal e consequente aplicação da lei penal em manter o agente em liberdade”, destacou a juíza, em sua decisão.

Daniel desembarcou em Brasília na quarta-feira (04/09/2019), supostamente para receber o dinheiro cobrado do deputado. O que ele não esperava é que Miranda (foto em destaque) comunicasse à PCDF o encontro. Diante da possibilidade de um flagrante, os investigadores prepararam o parlamentar.

Nas roupas de Miranda, instalaram microfones e câmeras invisíveis. Um dos botões da camisa, por exemplo, serviu para esconder uma filmadora que registrou a extorsão.

Durante a reunião, que ocorreu no restaurante Coco Bambu do Lago Sul, o suspeito, sem saber que era gravado, teria confessado uma série de crimes, inclusive o de lavagem de dinheiro para políticos influentes por meio da venda de diamantes.

Instruído pela polícia, para caracterizar o flagrante, o deputado disse ao criminoso que daria somente R$ 4 mil de sinal e que depois repassaria o restante. Nesse instante, mais de 20 agentes à paisana monitoravam o encontro.

Veja uma parte do encontro. Miranda aparece de preto nas imagens:
Preso em hotel

Após guardar o dinheiro, o homem entrou em um carro e se dirigiu ao Carlton, no Setor Hoteleiro Sul, onde foi detido pela equipe da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). A operação foi comandada pelo delegado Giancarlo Zuliani.

Procurado pelo Metrópoles, Luis Miranda contou detalhes da coação sofrida. “Era um grupo que a PCDF investigava há um tempo e decidiu promover ataque a mim na internet. A intenção dessa quadrilha era minar minha imagem e conseguir dinheiro”, disse. Já passava da meia-noite quando Miranda chegou ao Departamento de Polícia Especializada (DPE) para prestar depoimento.

O Metrópoles teve acesso às três páginas da oitiva do parlamentar. Nelas, o político narra que Daniel teria dito que um programa de uma grande emissora de televisão brasileira estaria produzindo uma reportagem com denúncias contra o deputado, mas caso recebesse R$ 1 milhão conseguiria usar sua suposta influência e impedir que a matéria fosse ao ar.

Antes do encontro no Coco Bambu, pela manhã, no Carlton, o criminoso teria convidado Miranda para um café e pediu R$ 360 mil para excluir do YouTube vídeos que denigrem a reputação do deputado do DF.

Outros investigados

A Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC) da Polícia Civil do DF investiga outras quatro pessoas que seriam integrantes de organização criminosa suspeita de extorquir o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

A primeira delas seria Giselle Souza Pereira. Ela é qualificada no inquérito como escritora e residente no DF. Em trecho de conversas captados pela polícia, Giselle afirma que deu várias entrevistas e pretende disponibilizar links em blogs independentes lidos pela comunidade brasileira nos EUA. As informações serviriam para denegrir a imagem de Miranda.

Outro indiciado pela DRCC e relatado é Lauri de Matos Filho, que usa o apelido “Santista USA” em suas publicações no YouTube. O homem, que mora na cidade de Santos, em São Paulo, chegou a afirmar que Luis Miranda havia ajudado a aumentar a audiência de seu canal após chamá-lo de criminoso em um de seus vídeos. “Logo após isso, as pessoas foram no meu canal conferir”, disse em um grupo de WhatsApp, do qual outros integrantes da suposta organização criminosa faziam parte.

A polícia também indiciou um advogado que mora em Los Angeles (EUA) e faria parte da organização criminosa articulando os ataques virtuais contra o parlamentar. Mauro Cavanha Conceição vivia em Curitiba, no Paraná, antes de mudar para os EUA. O advogado comenta que pode ajudar outro youtuber a aumentar suas visualizações caso grave três vídeos denegrindo a imagem de Luis Miranda. “Vamos fazer uma ação para você chegar nos quatro mil minutos e monetizar o canal. Depois, você paga um churrasco pra turma em Chicago”, disse.

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