Com câmeras nas roupas de deputado federal, PCDF flagra extorsão

Homem viajou de Israel a Brasília somente para exigir de Luis Miranda (DEM-DF) R$ 760 mil para cessar a publicação de vídeos ofensivos

Ricardo Botelho/Especial para o MetrópolesRicardo Botelho/Especial para o Metrópoles

atualizado 06/09/2019 7:11

A Polícia Civil do DF prendeu em flagrante, na noite dessa quinta-feira (05/09/2019), um homem com passaporte alemão que extorquia o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF). Há pelo menos um mês, Daniel Luís Mogendorff vinha mantendo contato com o parlamentar.

Nas conversas, ele exigia R$ 760 mil em troca da promessa de cessar publicações produzidas por um grupo de youtubers que atacava o político do DF nas redes sociais.

Apesar do documento emitido pela Alemanha, Daniel mora em Tel Aviv, em Israel, e desembarcou em Brasília na quarta-feira (04/09/2019) supostamente para receber o dinheiro cobrado do deputado.

O que ele não esperava é que Miranda comunicasse à PCDF sobre o encontro. Diante da possibilidade de um flagrante, os investigadores prepararam o parlamentar.

Nas roupas de Miranda, instalaram microfones e câmeras invisíveis. Um dos botões da camisa, por exemplo, serviu para esconder uma filmadora que registrou a extorsão.

Durante a reunião, que ocorreu no restaurante Coco Bambu, no Lago Sul, o suspeito, sem saber que era gravado, teria confessado uma série de crimes, inclusive o de lavagem de dinheiro para políticos influentes por meio da venda de diamantes.

Instruído pela polícia, para caracterizar o flagrante, o deputado disse ao criminoso que daria somente R$ 4 mil de sinal e que depois repassaria o restante. Nesse instante, mais de 20 agentes à paisana monitoravam o encontro.

Veja uma parte do encontro. Miranda aparece de preto nas imagens:
Preso em hotel

Após guardar o dinheiro, o homem entrou em um carro e se dirigiu ao Carton, no Setor Hoteleiro Sul, onde foi detido pela equipe da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). A operação foi comandada pelo delegado Giancarlo Zuliani.

Procurado pelo Metrópoles, Luis Miranda contou detalhes da coação sofrida. “Era um grupo que a PCDF investigava há um tempo e decidiu promover ataque a mim na internet. A intenção dessa quadrilha era minar minha imagem e conseguir dinheiro”, disse.

Depoimento

Já passava da meia-noite quando Miranda chegou ao Departamento de Polícia Especializada (DPE) para prestar depoimento.

O Metrópoles teve acesso às três páginas da oitiva do parlamentar. Nelas, o político narra que Daniel teria dito que um programa de uma grande emissora de televisão brasileira estaria produzindo uma reportagem com denúncias contra o deputado, mas caso recebesse R$ 1 milhão conseguiria usar sua suposta influência e impedir que a matéria fosse ao ar.

Antes do encontro no Coco Bambu, pela manhã, no Carlton, o criminoso teria convidado Miranda para um café e pediu R$ 360 mil para excluir do YouTube vídeos que denigrem a reputação do deputado do DF.

Outros investigados

Além de Daniel Luís Mogendorff, a DRCC investiga a participação de outras quatro pessoas na rede montada na internet para extorquir o político. Todos foram indiciados por extorsão, incitação ao crime, organização criminosa e difamação.

 

 

 

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Saulo Araújo

Formado em 2008 pela Faculdade Estácio, iniciou a carreira no Jornal de Brasília. Depois, passou pela redação do Correio Braziliense e pelo portal de notícias do Governo do Distrito Federal (GDF), a Agência Brasília. Em todos os veículos, trabalhou na cobertura de assuntos relacionados a editoria de Cidades, como Polícia e Política. Também atuou como assessor de imprensa do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (SindSaúde).

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