Diárias no hotel de Bolsonaro em Israel vão de R$ 2,2 mil a R$ 3,6 mil

Os preços, segundo assessoria do presidente, variam em visitas oficiais. Nem toda a comitiva brasileira ficará no mesmo estabelecimento

atualizado 31/03/2019 11:35

Divulgação

Enviado especial a Jerusalém (Israel) – As diárias do Hotel King David, em Jerusalém, onde o presidente Jair Bolsonaro (PSL) vai se hospedar durante a visita oficial a Israel, custam entre R$ 2,2 mil e R$ 3,6 mil. A acomodação, de cinco estrelas, foi construída em 1931 e faz parte do grupo Hotéis Líderes do Mundo. Chefes de Estado e personalidades costumam se hospedar no luxuoso estabelecimento.

No lobby do hotel, há um tapete com o nome e a assinatura de personalidades históricas que se instalaram no King David durante sua passagem pela Terra Santa. Entre eles, o primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill; o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan e o ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kofi Annan. Artistas como Bono Vox e Quentin Tarantino deixaram seus autógrafos na tapeçaria.

Veja fotos do hotel de Bolsonaro e da cidade de Jerusalém:

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Comitiva tem 60 pessoas
Viaja com o presidente da República uma comitiva com aproximadamente 60 pessoas, entre o chamado “escalão avançado”, composto por pouco menos de 50 pessoas, há quatro ministros, auxiliares próximos de Bolsonaro e quatro parlamentares, incluindo o filho do presidente e senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O grupo ficará dividido entre o King David e o outro hotel na região, cujo nome não foi divulgado.

O hotel que receberá o presidente brasileiro tem diversas instalações para os hóspedes, como quadra de tênis, academia e piscinas ao ar livre para adultos e para crianças. Os quartos mais luxuosos, que custam a partir de R$ 2,9 mil, têm banheira e vista para a Cidade Velha de Jerusalém, segundo informam sites de busca de hotéis.

Os valores dos quartos, no entanto, são diferentes para a recepção de autoridades de outros países, informa a assessoria de imprensa que acompanha o presidente. Os preços variam para se adaptar às necessidades de conforto e segurança, podendo ser mais altos ou mais baixos.

Com muita história na bagagem, o Hotel King David foi alvo de um ataque terrorista em 22 de julho de 1946, antes, portanto, do nascimento do Estado de Israel, que data de 1949. Na ocasião, 91 pessoas morreram e outras 45 tiveram ferimentos graves.

A autoria do atentado foi atribuída à organização sionista denominada Irgun. O líder da organização era Menachem Begin, que, anos depois, com a criação do Estado de Israel, virou primeiro-ministro do país entre 1977 e 1981. Ele pertencia ao Likud, mesmo partido do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

Veja imagens de Bolsonaro deixando o Palácio da Alvorada, rumo ao embarque para Israel: 

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Veja imagens do presidente com o premiê de Israel, durante a passagem de Netanyahu pelo Brasil:

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Conflitos

Arte/Metrópoles

 

Os conflitos entre Israel e os países vizinhos têm uma longa história. O professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP), atualmente pesquisador da Universidade de Tel Aviv, Samuel Feldberg, lembra que a origem das disputas políticas na região tem a ver com o próprio nascimento de Israel.

“Quando, em 1949, o Estado é criado, os países árabes não aceitam e atacam Israel. Daí vem a Guerra de Independência”, conta Feldberg. A Organização das Nações Unidas (ONU), porém, reconheceu a nova nação. Assim como fez o Brasil.

Novos conflitos vieram. A população que vivia no local e que não aceitava a formação dessa pátria acabou, pouco a pouco, sendo isolada em duas regiões: a Faixa de Gaza, no sul, e a Cisjordânia, no leste. Esse povo, que não tem um Estado próprio, é chamado de palestino.

“Quando fala-se da Palestina, temos um problema de definição. Temos que diferenciar o território da Autoridade Palestina, que é parte da Cisjordânia, e a Faixa de Gaza, dominada pelo Hamas e a jihad islâmica”, explica Feldberg.

Segundo o acadêmico, a Cisjordânia, dominada pelo grupo chamado Autoridade Palestina, é um território no qual há muita cooperação com Israel. Inclusive, com intercâmbio de trabalhadores e investimentos. Gaza, por outro lado, não aceita e prega a extinção do Estado judeu.

“Em Gaza existe um diálogo tenso, mas existe. A questão é que os grupos políticos que dominam têm um lado sectário”, prossegue o professor Samuel Feldberg.

Do lado israelense, igualmente há setores que se recusam a conversar com os palestinos e, até o momento, o governo não conseguiu articular uma solução que contemple a coexistência dos dois países.

Golan

vladi79/Metrópoles
Vista das colinas de Golan, em Israel

 

Nesta semana, o presidente norte-americano, Donald Trump, reconheceu as Colinas de Golan como território israelense. A terra foi conquistada da Síria na chamada Guerra dos 6 Dias, em 1967, juntamente com a Península do Sinal, que seria devolvida ao Egito nos anos 1970, a Cirjordânia e a Faixa de Gaza, a última desocupada em 2005.

“As colinas eram um ponto estratégico, aproximadamente 800 metros acima de Israel e próximo. Eram ótimas para bombardeios. Por isso o Exército tomou a região”, conta o professor Samuel Feldberg.

Golan foi formalmente anexada a Israel em 1981. Desde então, aumentou a instalação de colonos israelenses no território, o que tem provocado o protesto da Síria, de líderes palestinos e de países árabes em fóruns internacionais. A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que Israel deve se retirar dos territórios. Trump foi o primeiro líder ocidental a reconhecer as colinas como parte do território israelense.

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