Imediações do hotel de Bolsonaro em Israel recebem bandeiras do Brasil

Outras, de Israel e Jerusalém, compõem, com a brasileira, parte da recepção programada pelo Estado de Israel

atualizado 30/03/2019 19:15

Guilherme Waltenberg/Metrópoles

Enviado especial a Jerusalém (Israel) – A região onde o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ficará hospedado em Jerusalém, capital política do Estado de Israel, está enfeitada com uma série de bandeiras do Brasil. No raio de um quilômetro do hotel, em praticamente todos os postes, se alternam, além da brasileira, as bandeiras da cidade de Jerusalém e a de Israel.

Segundo funcionários do gabinete de imprensa do governo israelense, trata-se de uma deferência a um líder estrangeiro em visita ao país. A viagem de Bolsonaro terá início no domingo (31/3) e segue até quarta-feira (3/4), quando ele retorna ao Brasil.

Bolsonaro vai ficar hospedado no King David Hotel, na região de Jaffa Gate, próximo à cidade antiga de Jerusalém. Desde o Bloomfield Garden, um parque urbano vizinho ao hotel, há uma série de ornamentos. Logo na frente do hotel de Bolsonaro, há uma filial da associação de esportes YMCA.

Guilherme Waltenberg/Metrópoles
Vista da saída do hotel de Bolsonaro, o King David. No prédio histórico funciona a YMCA

 

A comitiva que acompanha o presidente, chamada de “escalão avançado” do governo, é composta por aproximadamente 50 pessoas. Elas estão divididas entre o hotel onde fica o presidente e um outro da região.

Sinais de respeito
Além das bandeiras na rua, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, vai receber Bolsonaro no aeroporto. Essa é uma homenagem prestada a poucos outros chefes de Estado. Entre eles estão o papa Francisco, chefe do Vaticano, e o presidente norte-americano, Donald Trump.

Confira imagens das ruas enfeitadas:

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), primeiro e último mandatário brasileiro a visitar Israel, em 2010, não recebeu a mesma deferência no aeroporto. Na época, o então chefe de Estado brasileiro foi recebido por Shimon Perez, presidente de Israel, na residência oficial. Netanyahu já era primeiro-ministro, mas não dedicou essa atenção a Lula.

Israel é governado por um sistema parlamentarista, no qual o chefe de Governo é o primeiro-ministro, e o chefe de Estado, com menos atribuições, o presidente.

Segundo a assessoria de imprensa da comitiva de Bolsonaro em Israel, a recepção faz parte da agenda encaminhada pela equipe do primeiro-ministro israelense.

Eleições
No próximo dia 9 de abril, Netanyahu enfrenta eleições-gerais no país. Ao mesmo tempo que ele busca se manter no cargo, uma série de denúncias de corrupção assolam o governo. Recentemente, familiares dele foram chamados a depor sobre o assunto.

Segundo o professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador convidado da Universidade de Tel Aviv, Samuel Feldberg, a chegada do presidente da maior economia do hemisfério sul pode fortalecer a posição, uma vez que política externa é um assunto muito presente no debate político israelense, diferentemente do que ocorre no Brasil.

“Acho que é mais uma questão de prestígio. O que tinha que ser feito [sobre as parcerias] já foi. O ministro de Ciência e Tecnologia [Marcos Pontes] já visitou [Israel]. assim como o resto da USP [Vahan Agopyan] e firmaram acordos com instituições importantes. A recepção é política”, avaliou.

Economia
A relação comercial entre Brasil e Israel é pequena. O país do Oriente Médio é apenas o 65º maior importador de produtos brasileiros e, na visão de Bruno Huberman, pesquisador em economia e política israelense do Programa San Tiago Dantas, não há tanto espaço para ampliar as exportações para Israel.

Há um interesse grande de diversos setores em importar produtos israelenses. Sobretudo produtos considerados de alto valor agregado, como dessalinização de água e segurança, uso de drones e outras tecnologias que podem ser aplicadas em cidades

Bruno Huberman, pesquisador em economia e política israelense

Huberman destacou o interesse manifesto pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), e o governador do estado, Wilson Witzel (PSC), em ampliar a cooperação nesse sentido. O chefe do Executivo fluminense chegou a anunciar que iria a Israel com o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente da República, para comprar drones a serem usados em operações policiais nas comunidades do Rio de Janeiro.

Flávio integra a comitiva que acompanha Jair Bolsonaro a Israel e deve ir com o pai às visitas em instalações militares e de segurança do país, o quarto visitado por Bolsonaro desde que assumiu a Presidência da República.

Veja imagens do presidente em outras missões internacionais:

 

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