DF: primeira audiência do caso Noélia ocorre nesta terça-feira

Instrução será realizada no Fórum de Águas Claras. Ao Metrópoles, o marido da vítima de feminicídio disse esperar "justiça"

atualizado 04/02/2020 10:53

Reprodução/Facebook

A primeira audiência de instrução e julgamento do caso de feminicídio da vendedora Noélia de Oliveira Rodrigues (foto em destaque), 38 anos, ocorre na tarde desta terça-feira (04/02/2020), no Fórum de Águas Claras. Na sessão, que terá início às 14h, serão ouvidas inicialmente testemunhas de acusação, como colegas de trabalho da vítima e o marido dela, Marcos Paulo Mendes Santana, 42.

De acordo com o advogado do marido, Geraldo Madureira, Marcos Paulo deve depor sobre o que lembra do dia em que a esposa foi assassinada.

Segundo Madureira, após marido, amigas e investigadores da Polícia Civil do DF serem ouvidos, também deverão depor as testemunhas de defesa: a esposa e o filho do réu, Almir Evaristo Ribeiro, 43. Ao todo, são oito testemunhas. O acusado será o último a falar.

“Marcos vai contar que falou com a Noélia quando ela saiu do trabalho e depois já não conseguiu mais, o que ele fez nesse dia. Também devem perguntar se ele sabia sobre o suposto caso que ela teve com o assassino”, comentou o advogado.

Ao Metrópoles, o marido da vítima disse esperar que, nesta terça-feira (04/02/2020), tenha início um julgamento que culmine na “punição” de Almir Evaristo, acusado de cometer o feminicídio, em outubro de 2019.

“Esperamos que, de fato, ele seja punido, que haja justiça. Ainda temos poucas informações do que aconteceu, pelo fato de ele não ter falado nada. Só temos aquilo que foi passado pela polícia. Agora, vamos tentar esclarecer tudo que aconteceu naquele dia, porque só sabemos que foi ele, mas não sabemos a motivação”, afirmou Marcos Paulo.

Conforme o advogado do réu, Norberto Soares Neto, o acusado deverá dar a versão do crime pela primeira vez durante a audiência. Durante o período de investigações, Almir não confessou o feminicídio aos policiais.

“Eu sempre acho que o réu deve falar, é a peça de defesa dele. Ele tem que contar a história dele”, defendeu o advogado. Neto, porém, não informou como deverá ser nem se ele confessará o crime ou não.

Denúncia

Em novembro de 2019, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou Almir Evaristo Ribeiro, 43, pelo assassinato de Noélia de Oliveira Rodrigues, 38, e por porte ilegal de arma de fogo. Ele está detido desde o fim de outubro do ano passado e teve prisão temporária convertida em preventiva pela Justiça no mês de novembro.

De acordo com a denúncia oferecida pela Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Águas Claras, o homicídio é duplamente qualificado por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima (disparo de arma de fogo a curta distância) e feminicídio (condição de sexo feminino).

O crime

Noélia foi encontrada morta no Assentamento 26 de Setembro, em Vicente Pires. De acordo com peritos do Instituto de Criminalística (IC) que analisaram o local onde o crime ocorreu, a vendedora levou um tiro à queima-roupa no rosto.

No início das apurações, o Metrópoles teve acesso a informações que faziam parte do laudo preliminar sobre o feminicídio. Elas apontavam que o disparo foi feito próximo à face de Noélia e indicaria que ela poderia estar dentro de um veículo, supostamente usado pelo autor do crime — o que se confirmou posteriormente.

O corpo de Noélia foi encontrado no dia seguinte ao desaparecimento. O enterro ocorreu em 20 de outubro. Ela tinha três filhos: dois meninos, de 16 e 5 anos, e uma garota, de 9.

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