Governador do DF recebeu cota do orçamento secreto de Bolsonaro

Parte do dinheiro foi aplicada no DF, e a outra, enviada ao Piauí, estado de origem do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha

atualizado 13/05/2021 10:58

O governador Ibaneis Rocha (MDB) recebeu R$ 15 milhões do orçamento secreto, criado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para aumentar sua base de apoio no Congresso. As informações são do jornal O Estado de São Paulo. De acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira (13/5), parte do dinheiro do Ministério do Desenvolvimento Regional foi direcionada ao Distrito Federal, e o outro montante, repassado ao Piauí, estado de origem do titular do Palácio do Buriti.

Ibaneis indicou a verba para compra de veículos, máquinas, obras de escoamentos e pavimentações. E ainda para despesas administrativas e de fiscalização da Companhia de Desenvolvimento dos vales São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal com sede em Brasília.

Por meio de nota, enviada ao Estadão, o emedebista admitiu ter direcionado parte da sua cota do orçamento secreto para outra unidade da Federação. “Todos os recursos destinados ao Distrito Federal foram devidamente aplicados. Nos demais casos, como não havia projetos, o governador destinou as verbas a algumas prefeituras do Piauí”, informou o documento.

O presidente Jair Bolsonaro negou esta semana a existência do orçamento secreto. “Como é que um orçamento que foi aprovado, discutido meses, agora aparecem R$ 3 bilhões? Só os canalhas do Estado de S. Paulo para escrever isso aí”, disse o mandatário, na saída do Palácio da Alvorada, na manhã dessa quarta-feira (12/5).

De acordo com a denúncia publicada pelo Estadão, o orçamento paralelo seria de R$ 3 bilhões em emendas, “boa parte delas destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo”.

O jornal aponta ainda que é possível observar o descontrole de dinheiro público em um conjunto de 101 ofícios enviados por deputados e senadores ao Ministério do Desenvolvimento Regional e a órgãos vinculados para indicar como eles preferiam usar os recursos.

A Codevasf está no centro da denúncia. A estatal virou um espaço para acomodar ainda mais políticos do Centrão.

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