Bolsonaro criou orçamento em troca de base no Congresso, diz jornal

O governo federal teria destinado R$ 3 bilhões em emendas, "boa parte delas para a compra de tratores e equipamentos agrícolas"

atualizado 09/05/2021 16:52

Presidente Jair Bolsonaro chega à exposição de demonstração das aplicações práticas do uso da nova tecnologia 5G no BrasilHugo Barreto/Metrópoles

Uma reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, neste domingo (9/5), mostra um esquema que teria sido montado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no final de 2020, para aumentar sua base de apoio no Congresso Nacional.

De acordo com a publicação, o orçamento paralelo seria de R$ 3 bilhões em emendas, “boa parte delas destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo”.

O texto aponta ainda que é possível observar o descontrole de dinheiro público em um conjunto de 101 ofícios enviados por deputados e senadores ao Ministério do Desenvolvimento Regional e órgãos vinculados para indicar como eles preferiam usar os recursos.

Porém, oficialmente, o próprio presidente Bolsonaro vetou a tentativa do Congresso de impor o destino de um novo tipo de emenda (conhecida como RP9), criada durante o seu governo, por “contrariar o interesse público” e ainda estimular o “personalismo”.

Critérios eleitorais

O Estadão obteve ofícios, ao longo dos últimos três meses, que mostram que o esquema também atropela leis orçamentárias, pois são os ministros que deveriam definir onde aplicar os recursos.

Segundo a reportagem, a ação dificulta o controle do Tribunal de Contas da União (TCU) e da sociedade. “Os acordos para direcionar o dinheiro não são públicos, e a distribuição dos valores não é equânime entre os congressistas, atendendo a critérios eleitorais. Só ganha quem apoia o governo”, diz o texto.

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