Golpista investigado no DF torrou fortuna em fim de semana com modelos

Alvo de cinco inquéritos instaurados pela Polícia Civil, Marlon Gonzalez teria gasto cerca de R$ 200 mil no litoral do Rio de Janeiro

atualizado 30/08/2019 17:58

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Investigado em cinco inquéritos instaurados pela Polícia Civil do Distrito Federal, o estelionatário Marlon Gonzalez, de 23 anos, gastou cerca de R$ 200 mil em apenas um fim de semana na companhia de 14 modelos. As profissionais foram contratadas para uma ação de publicidade no litoral de Angra dos Reis, município do Rio de Janeiro, conhecido pelas belas ilhas.

O caso do estelionatário que aplicou uma série de golpes, com fraudes que ultrapassam a casa dos R$ 3 milhões, foi revelado pelo Metrópoles nesse domingo (25/08/2019). Fingindo ser megainvestidor, o estelionatário usa a lábia para convencer operadores financeiros a pagarem fortunas em transações envolvendo moedas virtuais. As vítimas que Marlon fez no Distrito Federal sofreram desfalques entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.

Os brasilienses que caíram na armadilha de Marlon passaram a monitorar os passos do jovem e descobriram que, no início de agosto, foi a vez de investidores paulistas serem enganados. Eles esperavam comprar grandes quantidades de bitcoins – uma das modalidades de moeda digital –, mas amargaram prejuízos que chegariam a R$ 880 mil.

Marlon teria usado o mesmo modus operandi utilizado para lesar investidores chineses e brasileiros, que perderam R$ 600 mil em uma transação feita em Hong Kong. O jovem simulava a transferência das moedas digitais após a fortuna entrar em contas de laranjas.

Após conseguir lesar os paulistas no início do mês, em 15 de agosto, Marlon contratou 14 modelos brasilienses e cariocas, pagando cachês de R$ 2 mil, mais passagem aérea e hospedagem. Ao todo, 15 quartos foram reservados no Hotel Windsor Leme, na Avenida Atlântica, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Cada diária no hotel de luxo da capital fluminense custa cerca de R$ 500, mais taxas. À noite, o estelionatário bancou uma noitada em um camarote na boate All Win, na Barra da Tijuca, com comida e bebida liberados para as garotas.

Na manhã seguinte, com uma equipe de filmagem e maquiadora contratadas por Marlon, todos embarcaram em um iate de 100 pés, alugado por R$ 38 mil. “Nesse valor não estão inclusos os serviços de marinheiro e combustível. Para isso, é preciso pagar mais R$ 15 mil, totalizando R$ 53 mil”, contou uma funcionária da locadora de barcos onde o golpista contratou o serviço.

A mulher comentou, sem saber que estava falando com uma das vítimas do fraudador, que o valor foi pago à vista, em dinheiro vivo. Além de todo o aparato e equipamentos alugados, Marlon ainda teria contratado um grupo de seguranças armados, que acompanharam as modelos durante os dias de filmagem.

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Gonzalez Group

Todas as modelos que participaram da sessão de fotos e filmagens a bordo do luxuoso iate trajavam maiôs pretos com o logotipo “Marlon Gonzalez Group”, espécie de empresa supostamente criada pelo estelionatário para oferecer serviços especializados em tecnologia e operação no mercado financeiro e de moedas digitais.

Em suas redes sociais, Marlon chegou a publicar a imagem do que seria um aparelho de telefone celular desenvolvido por ele, que custaria R$ 20 mil.

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Monitoramento

As redes sociais de Gonzalez permanecem monitoradas tanto pelas vítimas quanto por investigadores da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte). O golpista responde a cinco inquéritos na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por crimes como estelionato, associação criminosa, denunciação caluniosa, falsa comunicação de crime e fraude a seguro.

Ele entrou no radar da Polícia Civil quando um falso advogado começou a ser investigado por usar a identidade funcional de outra pessoa. Entre os documentos apreendidos com o suspeito, os policiais encontraram papéis com o timbre da empresa M3 Private, de propriedade de Marlon.

A partir daí, os investigadores descobriram um esquema montado para cooptar as vítimas. A fim de tentar passar uma impressão de investidor bem-sucedido, o falsário usa as redes sociais para simular uma vida de sucesso, com carros esportivos de luxo e viagens em locais paradisíacos. Contudo, depois de aplicar cada golpe, ele desativa os perfis e viaja para países na Europa, Caribe e Ásia.

O primeiro golpe que Marlon aplicou e que a polícia começou a apurar ocorreu em abril e teve como alvo uma operadora chinesa que trabalha com a compra e venda de moedas digitais. Baseada em Hong Kong, a DSUNDC Limited amargou um prejuízo de R$ 600 mil.

Um dos sócios da empresa é o investidor Alexandre Dantas, brasileiro radicado há anos nos Estados Unidos. Dantas conheceu Marlon por meio de um amigo em comum que mora no DF e ambos demonstraram interesse em fazer negócios onde Marlon prometia vender uma grande quantidade de bitcoins.

O golpista armou um esquema com comparsas e abriu contas bancárias de fachada em nome de empresas chinesas e conseguiu concluir uma transação na qual Dantas e seus sócios transferiram US$ 150 mil para uma das contas.

Em seguida, o dinheiro percorreu caminhos desconhecidos e Marlon não atendeu mais as ligações. Para simular legalidade na transação, o estelionatário chegou a enviar um representante para Hong Kong com a missão de concluir pessoalmente a operação.

Logo após os chineses transferirem o dinheiro, Marlon avisou por WhatsApp que o valor não havia entrado na conta e jamais repassou as moedas digitas. O representante do golpista chegou a ser preso no país asiático e foi liberado após a polícia local descobrir que ele também havia sido enganado e não fazia ideia de que Marlon planejara aplicar o golpe.

Sempre após enganar as vítimas, o falso investidor desativa as redes sociais e viaja para países na Europa, Caribe ou Ásia onde passa temporadas torrando os valores fruto das fraudes.

A reportagem entrou em contato com o delegado Sergio Bautzer, que investiga o caso. Sem entrar em detalhes, Bautzer explicou que, de fato, existem cinco inquéritos que apuram os crimes, mas que todos foram remetidos à Justiça e aguardam parecer do Ministério Público. “Fizemos toda a apuração, ouvimos vítimas e colhemos provas. Depois disso relatamos os IPs” , resumiu.

O outro lado

Procurado pela reportagem, Marlon Gonzalez afirmou que seus advogados preparariam uma resposta sobre as acusações feitas pelas vítimas e as informações que fazem parte dos cinco inquéritos conduzidos pela Polícia Civil do DF. Até a última atualização deste texto, o documento não havia sido enviado. Assim que chegar, a resposta será acrescentada na matéria.

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