Foragido, corretor dá golpe dos móveis planejados e deixa prejuízo de R$ 100 mil

Vítima pagou a bagatela pelos móveis planejados no DF, mas obra não foi entregue; suspeito tem mandado em aberto e passagens pela polícia

atualizado

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1 de 1 golpe-marcenariajpg-1 - Foto: Arte/Metrópoles

Um morador do Distrito Federal amargou prejuízo de quase R$ 130 mil, após contratar uma empresa para fabricação e instalação de móveis planejados em um apartamento em Águas Claras (DF) e levar um golpe. Grande parte dos pagamentos foi feita de forma antecipada, mas o serviço nunca foi concluído e os valores não foram devolvidos.

A vítima é diretor de TI de uma empresa com sede em Brasília e pediu para não ser identificado. Ao Metrópoles, ele contou que conheceu Allan Rodrigues Viana, 30 anos, enquanto buscava referências para a reforma do imóvel onde mora há cerca de um ano e seis meses.

“Allan se apresentou inicialmente como corretor e nos levou em algumas casas aqui na Arniqueira de um grande construtor conhecido e referência aqui em Brasília. Segundo ele, ele fazia a marcenaria desse construtor”, disse o diretor de TI.

Segundo a vítima, Allan lhe apresentou diversos imóveis nos quais teria executado serviços de marcenaria, o que aumentou a confiança no trabalho oferecido.

O cliente afirma que decidiu fechar contrato com a empresa após a promessa de que a marcenaria poderia ser executada paralelamente à obra do apartamento, sem comprometer o cronograma.

“Como teríamos que fazer a obra e a marcenaria, ele disse que conseguiria trabalhar em paralelo com o time da obra para tentar entregar a marcenaria junto da obra. Já que os demais profissionais que cotamos disseram que precisava esperar terminar a obra para começar a marcenaria”, explicou.

Allan é sócio da Viana Negócios Imobiliários Ltda. Em nota, assinada pelo advogado Jackson Alessandro de A. Caetano, disse “rechaçar veementemente as acusações e informa que não se encontra foragido e que está à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários”. “Por fim, por estrita orientação jurídica e para não prejudicar a apuração em curso, novas manifestações sobre o caso se darão estritamente nas vias judiciais”.

A expectativa do casal era adiantar os serviços e receber os móveis planejados em um prazo mais curto. O contrato foi assinado em 23 de junho de 2025 e previa a fabricação e instalação de móveis para sala, três suítes e escritório. O prazo de entrega estabelecido era de 90 dias a partir de 1º de setembro de 2025. 

Segundo a vítima, porém, os problemas começaram logo após a assinatura do contrato. De acordo com o relato, Allan passou a solicitar pagamentos elevados antecipadamente sob a justificativa de compra de materiais e insumos, mesmo sem o início efetivo da marcenaria.


O valor do contrato era de R$ 123.320 mil. Do total, R$ 100 mil foram pagos antecipadamente em diferentes datas e modalidades:

  • R$ 1 mil como sinal no ato da contratação;
  • R$ 2 mil no cartão em 5 de setembro de 2025;
  • R$ 15 mil e R$ 9.750 via Pix em 10 de setembro de 2025;
  • R$ 20.169 em 16 de outubro de 2025;
  • R$ 34.938 em 23 de outubro de 2025;
  • R$ 28 mil em fevereiro de 2026.

O valor restante só seria pago após a conclusão integral dos serviços.

A entrega dos móveis estava prevista para o fim de novembro de 2025, mas o prazo não foi cumprido. Mesmo assim, conforme o relato, Allan continuou pedindo novos pagamentos em dezembro.

O cliente afirma que, em 12 de dezembro, Allan informou que a montagem da marcenaria começaria no dia seguinte. No entanto, segundo ele, a obra ainda apresentava pendências e praticamente não havia avanço na instalação dos móveis.

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Allan fala sobre o andamento da obra
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Ainda de acordo com a vítima, os poucos itens instalados apresentavam problemas estruturais e de acabamento. “No dia 17 de dezembro o teto estava instalado errado, parafusos para fora, não estava alinhado e segundo o mesmo, estava para ajuste”, disse.

Novo prazo e defeitos na obra

Em de 2026, o calvário da família continuava. A vítima afirma que os serviços executados na sala apresentavam desalinhamento, parafusos aparentes e instalação inadequada de um aparelho de ar-condicionado. Segundo ele, foi necessário gastar cerca de R$ 2,5 mil para corrigir o problema.

Mesmo assim, Allan solicitou um novo prazo para a entrega dos móveis. “Apesar de eu ter questionado repetidamente sobre o ritmo das obras, apontando que a velocidade atual era insuficiente para cumprir o cronograma, o responsável insistia que o prazo seria respeitado conforme o planejado”, afirmou.

Segundo a vítima, Allan também admitiu atrasos nas mensagens trocadas por WhatsApp e chegou a reconhecer que parte dos móveis instalados na sala precisaria ser refeita por falta de segurança estrutural.

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Vítima reclama sobre a demora da obra
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Corretor de imóveis afirma que vai acelerar a obra
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Corretor de imóveis afirma que vai acelerar a obra

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Vítima reclama sobre a demora da obra

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“Os demais cômodos permaneciam na mesma situação, sem que qualquer item de marcenaria tivesse sido instalado até aquele momento. O cenário nos outros ambientes não era diferente, uma vez que ainda careciam totalmente da montagem dos móveis planejados”, disse.

Diante dos atrasos e problemas apontados, Allan teria apresentado, no fim de janeiro, um novo marceneiro identificado como Claudio para dar continuidade à obra. Segundo a vítima, a proposta previa que todos os custos adicionais fossem pagos pelo próprio cliente. O novo orçamento apresentado teria sido de R$ 46 mil.

“Dessa forma, Alan pretendia repassar todo o prejuízo para a minha conta, deixando a conclusão do serviço sob a responsabilidade de Claudio sem oferecer qualquer compensação pelos problemas anteriores”, afirmou.

Ainda segundo o diretor de TI, Allan alegou posteriormente que o novo marceneiro teria desaparecido com os materiais já pagos.

“Ele não terminou, não quis devolver o dinheiro e colocou outra empresa, fez eu pagar a entrada dessa empresa, essa empresa também não entregou o serviço, tomei prejuízo e Allan sumiu”, disse.

A vítima afirma ter desembolsado mais R$ 28 mil para refazer a sala, que, segundo ele, havia sido executada de forma incorreta pela equipe inicial.

“Allan não terminou nem um dos 4 cômodos que ele deveria terminar, colocou outra empresa para refazer, essa empresa refez a sala completa, um cômodo e ainda me cobrou R$ 28 mil reais pelo retrabalho que teve que fazer do Allan pois o Allan e equipe estavam fazendo absolutamente tudo errado”, afirmou.

Mesmo após a entrada da nova empresa, o restante da marcenaria não teria sido concluído. O prejuízo, segundo a vítima, ultrapassou os valores pagos diretamente à marcenaria. Isso porque, além dos quase R$ 100 mil desembolsados inicialmente, o diretor de TI afirma que precisou arcar com novos custos após os atrasos e falhas na execução do serviço.

“O do Allan o prejuízo passou dos 100 mil já que, além da empresa que ele indicou pra finalizar, também me cobrou mais 28 mil reais, e também porque como nenhum prazo foi respeitado, estou gastando um valor grande de aluguel todo mês aguardando a obra estar pronta”, disse.

Segundo ele, os atrasos fizeram com que a mudança para o apartamento precisasse ser constantemente adiada, aumentando ainda mais os gastos mensais da família.

“Então estou praticamente pagando dois apartamentos ao mesmo tempo e estendendo minha estadia, gerando mais custos em um momento que deveria estar no meu apartamento”, afirmou.

Tentativa de acordo frustrada

Segundo a vítima, uma tentativa de acordo foi feita em março deste ano, mas Allan teria acusado o cliente de agir de má-fé após interromper os trabalhos e contratar fiscalização independente.

“Ele disse que eu agi de má fé, que me apropriei do material que ele levou e disse que, após eu ter colocado um profissional para fiscalizar o trabalho dele, ele disse que não era mais segundo o projeto mas segundo o que o fiscal queria”, relatou.
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Vítima tenta negociar com Allan
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Vítima tenta negociar com Allan

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Vítima tenta negociar com Allan

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Nas mensagens, Allan afirma para o cliente que não tem o que fazer em relação a situação. “Venderam o acesso, mudaram o projeto e a execução não foi mais como era”, disse Allan.

Após a tentativa de acordo, a vítima levou o caso para a Justiça e atualmente o processo tramita no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). Na ação, a família pede restituição de R$ 146 mil.

Para a vítima, o episódio deixou não apenas prejuízo financeiro, mas também desgaste emocional. Segundo ele, o sentimento é de “angustia e tristeza absurda”, além de desgosto com o projeto do apartamento devido ao que aconteceu.

“Impotência, porque o cara não foi homem suficiente para arcar com a palavra e assumir o prejuízo”, disse a vítima.

Ainda em nota, a empresa justifica que a não entrega dos móveis planejados se deu porque, “sem qualquer aviso prévio ou alinhamento contratual, o cliente optou por substituir equipes e inserir novas empresas na execução dos serviços, dificultando a organização da obra e inviabilizando a continuidade adequada do cronograma inicialmente estabelecido. Também foi colocada uma pessoa no local com a orientação de impedir nossa presença e qualquer tentativa de diálogo ou solução prática para finalização dos serviços, o que agravou ainda mais a situação e impossibilitou uma resolução amigável naquele momento”, disse.

Quem é Allan

Nas redes sociais, Allan se apresenta como corretor especializado em imóveis exclusivos e de alto padrão em Brasília. O perfil reúne cerca de 5 mil seguidores e divulga imóveis milionários e projetos residenciais.

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Allan Rodrigues Viana, de 30 anos
Allan Rodrigues Viana, de 30 anos
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A empresa Viana Negócios Imobiliários Ltda tem sede em Taguatinga Norte e foi fundada em 2022. Segundo consulta ao sistema da Serasa, a empresa segue ativa.

Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Allan também possui um mandado de prisão em aberto desde abril de 2026. Além disso, o histórico policial dele inclui registros por injúria, vias de fato, ameaça e violência doméstica com base na Lei Maria da Penha.

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