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Educação

Ex-morador de rua consegue aprovação no IFB, perde prazo e batalha para continuar os estudos

Plínio do Carmo passou no curso de gestão pública no Instituto Federal de Brasília (IFB) , mas perdeu prazo de inscrição. Jovem, agora, tenta curso técnico e é um dos participantes do projeto da revista brasiliense Traços

12/02/2016 05:17, atualizado 12/02/2016 11:48
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Leonardo Arruda/Esp. Metrópoles
Ex-morador de rua consegue aprovação no IFB, perde prazo e batalha para continuar os estudos

O entusiasmo é a marca registrada de Plínio do Carmo, 25 anos. Mesmo com muitas dificuldades, o baiano, que saiu das favelas de Salvador, veio a Brasília tentar uma vida melhor. Em 2014, depois de concluir o ensino médio pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), ele, encorajado pela diretora da escola, decidiu prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Caseiro, servente, catador de lixo… No mesmo período em que fez a prova, Plínio passou por todos esses ofícios, mas não conseguiu segurar o emprego e o aluguel. A solução foi morar na rua. Sem endereço fixo para receber correspondência ou acesso à internet, ele só descobriu que passou no curso que queria depois do término das inscrições.

Leonardo Arruda/Esp. Metrópoles

Por meio do projeto da Revista Traços, publicação brasiliense comercializada por moradores de rua, Plínio conseguiu ajuda para criar um abaixo-assinado online na plataforma Change.org pedindo que o Instituto Federal de Brasília (IFB), instituição na qual foi aprovado, permitisse o seu ingresso no curso de gestão pública. “Desistir? Jamais. Vim para Brasília com a promessa de garantir algo melhor para os meus pais”, comenta.

Na página da petição, a população do Distrito Federal deixou comentários solidários. “Acho que o Plínio merece a chance de mudar de vida”, postou um internauta. Apesar dos quase 500 apoiadores, o IFB informou que não será possível atender o pedido do abaixo-assinado.

Por ser uma instituição pública, o IFB deve seguir princípios básicos da administração pública como a impessoalidade e legalidade em suas ações. Plínio se inscreveu para o processo seletivo para ingresso no 2º semestre de 2015 e, segundo o edital, é válido apenas para o preenchimento das vagas ofertadas para o semestre a que ele se refere

Nota do IFB

O comunicado do IFB afirma ainda que “não quer que o sonho de Plínio seja interrompido. A instituição está de portas abertas para recebê-lo. Inclusive, o centro educacional está com matrículas abertas, que estão sendo preenchidas por ordem de chegada, em cursos técnicos e de qualificação”. Enquanto o próximo processo seletivo do Enem não chega, o jovem seguirá a recomendação e fará o curso de serviço público. “Também quero tentar uma formação na área de mecânica no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)”, acrescenta.

“O Plínio é muito inteligente e esforçado. O nosso objetivo agora é ajudá-lo a dar um pontapé na carreira”, esclarece a produtora cultural da revista Traços, Chaia Dechen, 32. Ela foi a responsável por orientar o parceiro do projeto a criar a petição na plataforma e, agora, deve ajudá-lo a ingressar em uma agência de modelos.

Com brilho nos olhos, o ex-morador de rua comemora as conquistas após começar a vender os exemplares da Traços: “Saí da rua, aluguei uma quitinete em São Sebastião, paguei todas as minhas contas e ainda consegui enviar dinheiro para a minha família, em Salvador, encomendar um bolinho de aniversário para o meu sobrinho”. Plínio mostra a alegria de suas conquistas em fotos do celular. Ele faz questão de mostrar na tela do aparelho imagens da criança e dos parentes, e não se cansa de dizer: “Continuarei lutando pelos meus sonhos”.

Minutos antes de se despedir da reportagem, Plínio se preocupa: “Moça, não se esqueça de mandar o link da reportagem e as fotos. Acho que o meu depoimento pode encorajar muita gente”.

Change.org
A plataforma de abaixo-assinados conta com quase 130 milhões de usuários em 196 países. Mais de 50 milhões de pessoas já assinaram pelo menos uma petição vitoriosa .É uma ferramenta de mobilização aberta e qualquer pessoa ou grupo pode criar um documento e lançar uma campanha.