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Cultura DF

Revista promove cultura do DF e reintegração de pessoas em situação de rua

Traços reproduz no DF uma ideia que já funciona em 123 cidades do mundo. A publicação será vendida em vários pontos da cidade a partir da próxima semana

03/11/2015 18:28
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Revista promove cultura do DF e reintegração de pessoas em situação de rua
Revista promove cultura do DF e reintegração de pessoas em situação de rua

A revista Traços começa a circular na próxima semana no Distrito Federal com a intenção de defender duas boas causas ao mesmo tempo. A primeira é divulgar e discutir a cultura na capital, numa tiragem mensal de 10 mil exemplares, vendida a R$ 5 a unidade. A outra é ajudar pessoas em situação de rua a recuperarem a autoestima e se reintegrarem à sociedade, tornando-os parceiros no projeto. Caberá a eles vender a revista em pontos determinados, como shopping e bares.

Em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social, foram selecionadas 50 frequentadores dos Centros Especializados para a População em Situação de Rua (Centros POP). Há um mês, o grupo — cujos integrantes são chamados de porta-vozes — recebe treinamento em oficinas duas vezes por semana (foto no alto).

Há um mês, beneficiários do projeto assistem a oficinas duas vezes por semana *Thaís Mallon*
Há um mês, beneficiários do projeto assistem a oficinas duas vezes por semana *Thaís Mallon/Divulgação*

“Eles aprendem como abordar uma pessoa, o que é jornalismo, como trabalhar em grupo, que precisam seguir um código de conduta…” enumera André Noblat, diretor da publicação, que conta na equipe com jornalistas como José Rezende Jr. e o fotógrafo Bento Viana. Além disso, uma única coisa foi pedida a todos eles: que leiam mais.

Atividade inclusiva
Para cada exemplar comercializado, o vendedor embolsa R$ 4 e deve reservar R$ 1 para adquirir um novo exemplar a ser revendido. “O pagamento de R$ 1 por revista é para que eles entendam que não se trata de esmola, mas de uma atividade inclusiva e que poderá abrir portas para outras oportunidades”, explica o diretor da publicação..

Na aproximação com os possíveis beneficiários, os idealizadores do projeto se depararam, com todo tipo de problema, especialmente o uso de drogas. A prioridade, porém, foi dada aos que deixaram mais evidente o desejo de sair da situação em que vivem atualmente. Além dos 50 selecionados, outros 23 inscritos formam uma lista de espera para ocupar vagas no caso de desistências.

A ideia não é nova. Existe em pelo menos 123 cidades do mundo, inclusive em São Paulo. Mas André Noblat levou 10 anos alimentando o plano de concretizá-la no Distrito Federal. Além da necessidade de patrocínio, havia a determinação de só levá-lo adiante quando houvesse possibilidade de se criar um cinturão de apoio ao projeto. “Tínhamos Buenos Aires como um modelo ideal. Lá, a prefeitura conseguiu criar esse cinturão de atendimento aos participantes. Em São Paulo, por exemplo, onde esse apoio não existe, o projeto enfrenta vários problemas”, conta André.

Ocupações culturais são tema de reportagem no primeiro número da Traços *Thaís Mallon/Divulgação*
Ocupações culturais são tema de reportagem no primeiro número da Traços *Thaís Mallon/Divulgação*

Lançamento oficial
Traços será apresentada oficialmente nesta quarta em evento, às 19h30, no Museu Nacional. Na próxima semana, poderá ser comprada na mão dos porta-vozes. A lista de pontos de venda ainda está sendo fechada, mas a maioria deverá se concentrar no Plano Piloto. “Fizemos essa opção por causa do poder aquisitivo da população e porque é no Plano que a maioria desses porta-vozes exercem a mendicância”, diz André Noblat.

O primeiro número traz entrevista com o bandolinista Hamilton de Holanda na matéria de capa, além de reportagem sobre ocupações culturais em Brasília. Inclui também um artigo da jornalista Míriam Leitão sobre mães de pessoas com deficiência e um ensaio fotográfico de Bento Viana. Até agora, os porta-vozes participam de discussões sobre a pauta, mas a ideia é que a partir do terceiro ou quarto número eles também possam produzir conteúdo.

Durante o lançamento, no Museu Nacional, a criatividade dos novos “jornaleiros” já poderá ser conferida numa mostra de fotos feitas por eles durante as oficinas de treinamento.