Tarifas de banco chegam a custar até R$ 1 mil por ano para clientes

Nos últimos dois anos, preços dos pacotes das instituições financeiras aumentaram o dobro da inflação do período

Foto: Hugo Barreto/MetrópolesFoto: Hugo Barreto/Metrópoles

atualizado 01/09/2019 16:56

Já parou para colocar na ponta do lápis quanto você gasta com serviços bancários? Se a resposta for não, melhor rever essa questão. Os valores anuais podem variar de R$ 300 a quase R$ 1 mil, a depender do tipo de serviço utilizado. A constatação é do Instituto Brasileiro do Consumidor (Idec), que fez a comparação das tarifas ofertadas na forma de pacotes pelas cinco maiores instituições financeiras do país.

O levantamento mostrou ainda que, entre abril de 2017 e março de 2019, o reajuste sobre esses serviços chegou a 14%, o dobro da inflação calculada no período (7,45%). “No Brasil, quem determina isso é o mercado, pois não existe regulação específica sobre esses preços. Então, há um alinhamento de valores dos maiores bancos, e os consumidores é que sofrem com esses reajustes abusivos e sem justificativa”, destaca a economista do Idec Ione Amorim.

A especialista reclama da estratégia das instituições financeiras de “empurrar um pacote que a pessoa não sabe nem como funciona”. “O cliente vai pagar por algo sem serventia real. Os mais básicos custam algo em torno de R$ 25,50 por mês, mas a média dos mais caros é de R$ 80. E pode ser ainda mais”, afirma.

Por força da Resolução nº 3.919, do Banco Central, os bancos são obrigados a oferecer serviço com tarifa mínima para acesso a cartão de débito, quatro saques, dois extratos, dez folhas de cheque, duas transferências entre contas da mesma bandeira e consulta ilimitada de saldo pela internet. Qualquer operação que exceda a isso é cobrada ou contemplada por pacotes de serviço mais caros.

O estudante João Pedro Ferreira Pinheiro (foto em destaque), 21 anos, é correntista em uma modalidade mais cara de determinado banco. Segundo o rapaz, no seu caso, o pacote de serviços mínimos que pagava era de R$ 70, mas recentemente mudou para um de R$ 100 ao mês. “Eu já pagava esse que era caro, mas não havia vantagem alguma, então peguei um que é um tanto mais elevado para começar a ter algum benefício”, explica.

De acordo como o jovem, apesar de ter desembolsar R$ 30 a mais por mês, ele agora tem acesso a programas de fidelização e de pontos que lhe conferem alguma recompensa depois. “Confesso que nunca reparei nas outras tarifas que podiam ser cobradas. Sempre achei que estivesse tudo incluído no pacote”, admite.

Aula

Para o educador Thiago Luiz Silva Campos, que conduz o Hospital das Finanças, a falta de atenção é comum e quase cultural no país. “Um desafio é olhar a vida financeira em um período anual. Quando começam a fazer isso, as pessoas se surpreendem sobre quanto gastam com lavagem de carro, tarifas bancárias, etc”, ressalta.

Thiago, contudo, elogia a iniciativa de João Pedro de aderir a um sistema de premiações. Segundo o educador financeiro, são iniciativas como essa que reduzem ou compensam as perdas. “É o chamado cashback, conceito que está na moda. É como se fosse o Nota Legal, que te dá uma retorno de alguma forma”, frisa.

O especialista defende que as pessoas precisam calcular o quanto é economizado com esse programa de recompensas, combinado com outras ações. “Se você deixa de pagar R$ 20 de um pacote de serviços por mês, são R$ 240 no fim do ano. É um jantar naquele restaurante caro que você gosta. Uma viagem e por aí vai”, exemplifica.

Dicas

A economista Ione Amorim tem uma cartilha de dicas para evitar que os serviços pesem no bolso ao final do mês. Segundo a profissional, abrir contas nas startups financeiras conhecidas como fintechs, a exemplo do Banco Inter ou do Nubank, pode ser uma alternativa. “Elas não cobram por várias operações que as instituições tradicionais taxam, como transferências. O problema é que, para operações físicas, costumam cobrar a mais”, pondera.

Assim, o equilíbrio é um dos caminhos a serem seguidos, diz Ione. Outra dica é sempre usar os cartões de débito e reduzir ao máximo a quantidade de saques por mês, priorizando as redes virtuais.

O professor Anderson Rodrigues de Miranda, 41, foge ao máximo de operações físicas em seu banco.”Uso muito o internet banking. Uma reclamação é que nunca vejo discriminado o quanto pago dessas tarifas mínimas”, frisa.

O docente salienta que sempre opta pelos pacotes básicos justamente por não querer ser cobrado por nada além das contas do dia a dia. Ele considera um absurdo os outros tipos de cobrança. “Ter que pagar a mais para ter acesso ao meu próprio dinheiro é muito ruim. Não parece justo”, condena.

O Idec recomenda a busca pelo histórico de reclamações de cada banco, a comparação entre os serviços tarifados e atenção aos anúncios destacados como “sem taxas”, “não praticamos cobrança de tarifas exageradas” ou “você não paga pela abertura e manutenção de sua conta”.

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