Alugar imóveis em Sobradinho e Águas Claras é mais rentável do que no Plano

Pesquisa do portal WImóveis analisou o comportamento do mercado nos últimos 12 meses com base em cerca de 80 mil registros

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 09/09/2019 16:16

O mercado imobiliário do Distrito Federal está agitado. Pesquisas mostram que os preços de aluguel tornam essa modalidade interessante tanto para proprietários quanto para inquilinos. E cidades fora do Plano Piloto surgem como boas opções de negócios. Ao mesmo tempo, quem tem dinheiro para financiar encontra uma boa área para seguir.

Um levantamento do portal Wimóveis revelou rentabilidade acima dos 6% para os interessados em investir em regiões como Águas Claras e Sobradinho. Isso significa que, nesses locais, um investidor demora menos tempo para reaver o valor total do imóvel por meio de cobrança de aluguel.

Sobradinho, inclusive, surge com rentabilidade de 6,7% ao ano, acima de Águas Claras (6,3%) e Brasília (6,2%), que na pesquisa concentra Noroeste, Asa Norte, Sudoeste, Octogonal, Asa Sul e Lago Norte.

Crescimento do norte

“Na parte norte da cidade, a gente vê valorização maior primeiro porque o crescimento de Brasília foi para sempre para o sul. Enquanto isso, a parte norte foi reprimida. Vemos pleno crescimento por lá, com obras, e isso valoriza a nova qualidade de vida”, explica o economista-chefe da G2W Investimentos, Ciro Almeida.

Ele analisa, ainda, que morar de aluguel é uma boa escolha atualmente caso a pessoa tenha medo de se arriscar em um financiamento longo. Nesse sentido, os preços alcançam de o,3% a o,5% do valor total do imóvel. “Já esteve em 1%. Então, vale a pena manter dinheiro na sua posse, guardar para outras aplicações e morar nessa modalidade. Os imóveis não vão voltar a valer R$ 15 mil o metro quadrado de uma hora para outra”, orienta.

Contudo, ele lembra que a taxa básica de juros do país, a Selic, tem projeção de fechar o ano, conforme o Banco Central, em seu menor percentual desde 1997. Ou seja, 6%. Assim, quem tiver dinheiro de sobra também pode contar com mais possibilidades de ganhos em investimentos como imóveis do que deixando na renda fixa (poupança, por exemplo).

Na onda

É essa janela de oportunidade que incentiva famílias a se mobilizarem para deixar o aluguel e investidores a colocarem seus ativos na pista. Os empresários têm se movimentado para acompanhar a retomada do crescimento no setor imobiliário de outras formas. E um deles é Flávio Vasconcelos de Freitas (foto acima), 42, arquiteto e dono de uma companhia de TI.

Ele criou a plataforma Comdono.com, inaugurada no início deste mês, para facilitar corretagens e aproximar proprietários de eventuais inquilinos. Foi uma tentativa de embarcar em lançamentos no setor Noroeste e no Park Sul. “Eu acredito que a nova geração vai se relacionar com o mercado imobiliário de forma diferente”, projeta.

“Temos visto que 80% da compra de imóveis começam com buscas simples na internet”, diz. Assim, Flávio percebeu a grande demanda pelas áreas e aproveitou para se inserir no meio digital. “O cenário faz as pessoas perceberem que estão sendo empurradas para fazer uma compra, porque a valorização do imóvel vai ser maior do que a da renda fixa”, analisa.

Os poréns

A Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) atesta o movimento de reaquecimento. Desse modo, aponta que, apenas no primeiro semestre de 2019, foi lançado R$ 1,2 bilhão em valor global de comercialização de lançamentos, mesmo número na comparação com todo o ano passado.

O presidente da entidade, Eduardo Aroeira, faz ressalvas. Segundo ele, pesquisas como a do Wimóveis podem não trazer o cenário real. Aroeira afirma que um dado como o de rentabilidade precisa levar em consideração os valores menores da parte norte do DF em comparação com áreas nobres da cidade. “Mesmo que haja uma diferença positiva para outras regiões, a possibilidade de ganhos e os maiores valores ainda estão concentrados no Plano e em Águas Claras”, lembra.

Diferenças

No levantamento do portal, enquanto o preço médio de locação para um apartamento de 2 quartos, com 65 m² e vaga na garagem em Sobradinho está em R$ 985, no Plano Piloto, ele se encontra em R$ 2,4 mil; e em Águas Claras, o valor é de R$ 1,3 mil. Ademais, analisando os 12 meses anteriores, o aumento no preço do aluguel no Plano foi de 6,6%, ficando atrás apenas de Águas Claras, onde os valores subiram 7,6%. Em Sobradinho, houve queda de 0,7%.

Ao desmembrar a região de Brasília, é possível ver ainda que o Noroeste tem, aos poucos, apresentado as maiores valorizações da cidade. Assim, o valor médio de locação na área chegou a R$ 3.034 — mais caro do que Asa Sul (R$ 2.694) e Sudoeste (R$ 2.424).  Em termos de preço do metro quadrado, o Noroeste também conta com o maior valor entre os lugares pesquisados. São R$ 10,1 mil, mais de três vezes o constatado em Sobradinho, de R$ 2,7 mil (veja galeria abaixo).

Aroeira justifica os valores praticados na região pelo fato de ser “a última porção da área tombada ainda para construir”. “Agora, nós caminhamos para as últimas projeções da Terracap a serem vendidas. Assim, vemos que o investidor de lá é a pessoa que tem experiência no mercado, verificou uma tendência de rentabilidade e passou a aplicar em imóveis após o período de estabilidade de preços, acompanhando a inflação”, diz.

Oportunidade

A gerente de Marketing do Wimoveis, Angélica Quintela, detalha as noções de rentabilidade no mercado imobiliário. “Se você investe x no imóvel, quanto menos tempo leva para você cobrir o valor da venda do imóvel com dinheiro de locação, mais rentável ele é”, destrincha.

Segundo Angélica, o desaquecimento econômico vivido pelo país nos últimos três anos prejudicou o mercado e fez com que mais pessoas buscassem o aluguel em vez de arcar com prestações da casa própria. Essa situação gerou menor procura pela compra de imóveis e, consequentemente, os preços caíram. Como houve maior agitação na economia desde as vésperas das últimas eleições, Angélica enxerga um lento, mas gradual movimento de retomada.

“Já observamos uma valorização do imóvel para venda também. Não houve uma retomada grande, mas existe uma tendência. A rentabilidade hoje em dia também está boa por conta da queda da taxa Selic (taxa básica de juros). É um bom momento para ir atrás de algum investimento”, assegura.

Fogo baixo

Conforme a pesquisa do Wimóveis, houve expressivas diminuições de preço. Desse modo, os imóveis para alugar no Guará sofreram desvalorização de 9,6% no período de um ano. Situação parecida à do Gama, que viu os apartamentos e casas para locação ficarem a uma média de R$ 910 – 7,2% mais barato desde julho de 2018.

Quando o assunto é comercialização de imóveis usados, a região chamada de Brasília pela pesquisa (Noroeste, Asa Norte, Sudoeste, Octogonal, Asa Sul, Lago Norte) domina os preços mais caros no DF. O metro quadrado, em média, custa R$ 8.181.

Esse valor foi consolidado após aumento de 4,1% no decorrer dos últimos 12 meses, constituindo a segunda maior variação entre as regiões pesquisadas no período. A cidade que sofreu com o maior reajuste do metro quadrado foi Santa Maria, cujos preços subiram 5,8% e ficaram em R$ 2.957, na média.

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