“Destruíram nossos sonhos”, diz noiva de vigilante esquartejado

Francisleide Braga e Marcos Aurélio se casariam em janeiro. Segundo a brigadista, a família e os amigos querem justiça pelo crime bárbaro

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 22/11/2019 16:07

A noiva de Marcos Aurélio Rodrigues de Almeida, 32 anos, morto e esquartejado no início do mês, em Samambaia, ainda procura uma razão para a crueldade do crime. O vigilante foi enterrado na tarde desta sexta-feira (22/11/2019), no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. Amigos e familiares do vigilante estiveram lá para prestar as últimas homenagens.

Francisleide Braga de Souza, 38, se casaria com Marcos Aurélio em janeiro. “Está todo mundo aqui com o coração destruído. Infelizmente, ninguém pôde se despedir dele, o caixão não pôde ser aberto”, lamentou a brigadista.

“A gente quer justiça, e as pessoas que fizeram isso vão pagar caro. Destruíram nossa vida, nossos sonhos”, lamentou. Francisleide lembrou de quanto o noivo era querido.

“O Marcos representa força e felicidade. Ele tinha o sorriso mais lindo deste mundo. Ele queria que a gente fosse firme”, desabafou.

A brigadista conta que a única despedida que teve do noivo foi quando ele saiu da casa dela para trabalhar, no dia 8 de novembro. Segundo ela, a última coisa que Marcos disse foi: “Não importa o que aconteça, eu vou cuidar de você”.

Investigação

A noiva comentou sobre as investigações terem apontado a ex-namorada de Marcos como participante do crime brutal. “A gente já suspeitava. Eles tiveram um relacionamento curto, de 15 dias, quando a gente tinha terminado. Eles terminaram e a gente voltou. Ela não aceitou o fim do relacionamento e acabou com as nossas vidas”, finalizou.

Durante o enterro, a dor e o desespero da mãe de Marcos, Sônia Maria Rodrigues de Almeida, 56, consternou a todos os presentes. “Meu filho! Deixa eu ver meu filho! Eu não podia perder ele dessa forma!”, gritou Sônia, quando o corpo de Marcos chegou. “Eu quero abraçar meu filho. Meu filho, meu filhinho. Por que, por que tinha que ser assim?”, perguntava-se.

Segundo familiares, a mãe não sabia que Marcos Aurélio havia sido esquartejado até a noite de quinta-feira (21/11/2019). Partes do corpo do vigilante estavam espalhadas em Samambaia, onde ele supostamente foi assassinado. A família resolveu realizar a cerimônia fúnebre mesmo sem que a Polícia Civil do DF (PCDF) tivesse encontrado a cabeça do homem.

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O caso

O drama da família teve início em 9/11/2019, último dia que parentes tiveram contato com Marcos Aurélio. Por volta das 8h30, ele mandou mensagem para a mãe, dizendo que estava indo do SIG para a Rodoviária do Plano Piloto, onde pegaria um ônibus para casa, em Samambaia. O contato ocorreu quando o vigilante saía do trabalho. Depois disso, ninguém teve mais teve notícias dele.

Em 11 de novembro, a polícia localizou parte do corpo em um bueiro na Quadra 327 de Samambaia. No dia seguinte, o tronco foi encontrado e a identidade da vítima, confirmada. O caso ainda está em investigação. Dois dias mais tarde, mais partes do cadáver do vigilante foram encontradas em outro bueiro.

No dia 16, PCDF localizou um fêmur ao lado da Escola Classe 325 de Samambaia. A suspeita é de que o osso pertencia ao vigilante. A 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul) apura o caso e procura pelo paradeiro da cabeça e de uma das coxas da vítima.

Suspeitos

Os investigadores prenderam um casal suspeito do crime (*), no dia 13 de novembro. O fêmur localizado estava muito perto do local onde policiais recolheram o tronco de Marcos Aurélio. Por isso, existe a suspeita de que a parte possa realmente pertencer à vítima. Mas apenas o laudo pericial poderá confirmar.

A noiva do vigilante, a brigadista Francisleide Braga de Sousa, 38 anos, desabafou sobre a situação. “Ainda não sabemos se é mesmo a coxa dele. Mas esperamos Justiça. Isso não pode ficar impune. Um crime desses… monstruoso e bárbaro. A família toda quer eles presos”, disse.

(*) Por serem considerados suspeitos, o Metrópoles, por enquanto, não vai divulgar os nomes dos dois.

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