Delegado: lesões causaram morte de adolescente agredido por piloto
A defesa de Rodrigo Castanheira afirmou ao Metrópoles que o soco desferido por Pedro Turra, de 19 anos, foi a causa da morte do garoto
atualizado
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O delegado Pablo Aguiar que investiga a morte do adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, disse que as novas alegações feitas pelo advogado da família deverão ser submetidas aos médicos do Instituto de Médico Legal (IML) através da delegacia. Nesta quarta-feira (11/1), Albert Halex, afirmou ao Metrópoles que, segundo o prontuário médico, o soco desferido por Pedro Turra, de 19 anos, foi a causa da morte de Rodrigo, e não o fato dele ter batido a cabeça no carro.
“No que se refere à dinâmica específica do evento — se o traumatismo foi provocado diretamente por um dos golpes ou se resultou de impacto subsequente contra o veículo — trata-se de circunstância que demanda apuração técnico-científica, a ser definida exclusivamente por meio de exame pericial realizado pelos médicos legistas, com base nos elementos médico-legais colhidos”, disse o delegado.
Aguiar ainda complementa: “Não há qualquer dúvida de que a morte decorreu das lesões sofridas pela vítima em razão dos golpes desferidos pelo autor estando plenamente configurado o nexo causal entre a conduta agressiva e o resultado morte”.
Nas redes sociais, o advogado Albert Halex informou que a família teve acesso ao prontuário médico e que dados preliminares “indicam ausência de relação entre causa do falecimento e o veículo mencionado”.
“Ressaltamos que todos os traumas e as cirurgias foram realizados no lado esquerdo do crânio de Rodrigo, local do soco, enquanto soco desferido pelo agressor apresentou impacto de altíssima intensidade, com força considerada descomunal”, revelou o advogado de Rodrigo
Delegado repudia crítica de advogado
O delegado do caso repudiou as falas da defesa de Turra que acusou a Polícia Civil do DF (PCDF) de fazer “uma espetacularização do caso” e criticou o choro da autoridade durante uma entrevista coletiva. “A autoridade policial responsável pelo caso repudia de forma veemente e categórica as declarações proferidas por advogado constituído, as quais carecem de qualquer base jurídica, distorcem deliberadamente as atribuições constitucionais da atividade policial e não correspondem à realidade dos fatos”, disse o delegado.
O titular da 38ª Delegacia de Polícia afirmou que a investigação é conduzida em estrita conformidade com a Constituição Federal e o Código de Processo Penal. “Inexistindo sigilo legal, a comunicação institucional com a imprensa é legítima, não configurando abuso de autoridade, violação ao devido processo legal ou desvio de finalidade”.
Sobre a acusação da condução do caso, o delegado também se pronunciou. “Não houve juízo de culpa, tampouco qualquer tentativa de indução do Ministério Público, instituição autônoma e constitucionalmente responsável pelo controle externo da atividade policial. A autoridade policial seguirá atuando com rigor técnico, imparcialidade e responsabilidade, independentemente de acusações infundadas, levianas ou meramente retóricas”.
Em entrevista dada ao Metrópoles, o advogado Eder Fior reclamou da condução do caso. “Nós realmente sentimos muito em torno dessa espetacularização que está sendo feita. Observe que o juiz que determinou a prisão do Pedro foi enfático, ao fim da decisão, em determinar que a polícia não fizesse espetacularização do caso, não expusesse a imagem do Pedro e se certificasse para que aquilo se desse dentro de um ambiente de proteção. Não foi o que aconteceu. Nós vimos autoridade chorando”, criticou.
Entenda o caso
- Pedro Turra e um adolescente de 16 anos se envolveram em uma briga, na noite do dia 22 de janeiro deste ano, em Vicente Pires (DF).
- Durante a briga, Pedro jogou um chiclete mascado em um amigo do menor de idade; este respondeu que não deixaria barato se a situação tivesse ocorrido com ele.
- Em seguida, a briga começou. Vídeos gravados por testemunhas mostram Pedro e o adolescente se agredindo.
- Em certo momento, o piloto dá um soco no adolescente, que acabou batendo a cabeça em um carro. Ele parece perder as forças, e colegas, enfim, separam a briga.
- Gravemente ferido, Rodrigo Castanheira foi levado ao Hospital Brasília, em Águas Claras, onde ficou intubado em estado grave. Ele vomitou sangue ao ser socorrido.
- O jovem morreu no último sábado (7/2) após 16 dias internado e foi internado sob pedidos de justiça dos familiares e amigos no domingo (8/2) no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul.
MP pede que seja julgado por homicídio
A coluna Mirelle Pinheiro apurou, com exclusividade, que a promotoria do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) pediu à Justiça que o ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso — preso pela morte do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira — seja encaminhado ao Tribunal do Júri por homicídio qualificado.
A solicitação ocorre após o MPDFT considerar que pode ter havido dolo eventual da parte de Pedro Turra, uma vez que ele teria sido indiferente ao aceitar o resultado morte da lesão corporal.
Caso a solicitação seja acatada, Turra será julgado por homicídio qualificado e não por lesão corporal seguida de morte.
O ex-piloto da Fórmula Delta está preso desde o dia 30 de janeiro e foi transferido para a Papuda no dia 2 de fevereiro, onde está preso em cela individual.












