Covid-19: novos hospitais de campanha do DF não terão leitos de UTI

Apesar do anúncio do GDF de que seriam 300 novos leitos de UTI, a Secretaria de Saúde informou, agora, que todos serão UCIs

atualizado 22/04/2021 15:26

Hospital de campanha do AutódromoArthur Menescal/Especial Metrópoles

Os três novos hospitais de campanha do Distrito Federal não terão leitos de unidade de Terapia Intensiva (UTI) e sim de unidades de Cuidados Intermediários (UCIs). As estruturas estão montadas em Ceilândia, no Gama e Plano Piloto desde a última semana e ainda serão inauguradas.

A UCI é um serviço hospitalar destinado a usuários em situação clínica de risco moderado.

Em nota enviada ao Metrópoles nesta quinta-feira (22/4), a Secretaria de Saúde do DF justificou que “de acordo com Portaria nº 1514, do Ministério da Saúde, nos hospitais de campanha, que são estruturas temporárias, não podem ser instalados leitos de UTI”.

Segundo a pasta, cada um dos três hospitais terá 100 leitos de unidade de cuidados intermediários (UCI), “com suporte ventilatório pulmonar e suporte dialítico, atendendo assim as principais necessidades dos pacientes com Covid-19”.

A portaria citada, entretanto, não proíbe a instalação de UTIs em hospitais de campanha. Recomenda que se priorize a abertura desses leitos em unidades hospitalares permanentes: “Priorizar a estruturação dos leitos clínicos e de UTI em unidades hospitalares existentes e permanentes da rede assistencial”.

Procurado, o Ministério da Saúde informou que não impede a implementação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) em hospitais de campanha. Segundo o MS, o órgão “não indica a existência de Leitos de UTI em Hospitais de Campanha (estrutura temporária), conforme consta no artigo 6º da Portaria nº 1.514, de 15 de junho de 2020”. No entanto, ressalta que não há impedimento — como fora apontado pela SES-DF.

No próprio Distrito Federal, os Hospitais de Campanha de Ceilândia, Santa Maria e da Polícia Militar já contam com leitos de UTI. O sistema InfoSaúde, do GDF, mostra os números de UTIs Covid em cada uma destas unidades.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) disse que a força-tarefa de enfrentamento à Covid-19 está acompanhando o caso, mas não deu mais detalhes.

Licitação

A retomada da licitação para a construção dos três hospitais de campanha foi publicada no Diário Oficial do DF em 16 de março, prevendo a construção de leitos de UTI. Veja:

aviso de licitação de hospitais de campanha

Os três novos hospitais de campanha do Distrito Federal começaram a ser erguidos em 27/3, segundo a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). As empresas contratadas tinham até 20 dias para a entrega e terminaram as obras no prazo máximo, em 15 de abril.

Em 16 de abril, os locais foram entregues para o Governo do Distrito Federal (GDF) começar a inspeção. De acordo com a Secretaria de Saúde, nessa mesma data, o GDF solicitou novas informações sobre especificações técnicas para a empresa que irá gerenciar os hospitais. A pasta já recebeu a resposta, que agora está sendo analisada pela área técnica.

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Nessa terça-feira (20/4), o governador assinou contrato com a empresa que gerenciará os hospitais. De acordo com o chefe do Executivo local, com a medida, em cerca de 10 dias será possível abrir os 300 novos leitos. A empresa vencedora é a Mediall Brasil.

O contrato do GDF com a empresa terá duração de 180 dias. A contratada deverá fornecer manutenção e insumos necessários ao funcionamento dos equipamentos (incluindo computadores e impressoras) e atendimento dos pacientes (medicamentos, materiais médico-hospitalares, gases medicinais e esterilização de equipamentos e materiais, além de alimentação, nutrição enteral e parenteral).

Ocupação de UTIs

A taxa de ocupação de unidades de Terapia Intensiva (UTIs) voltadas para pacientes adultos com Covid-19 na rede pública do Distrito Federal está em 99% nesta quinta-feira (22/4). O dado é do portal InfoSaúde, do GDF, atualizado às 8h25. A taxa de ocupação de leitos em geral está em 97,4%.

Atualmente, há 449 leitos para pacientes com o novo coronavírus ocupados e 12 vagos na rede pública. Porém, entre as unidades disponíveis, duas são pediátricas, seis neonatais, e outras quatro para adultos. Nove aguardam liberação.

A lista de espera por UTIs na rede pública de saúde tem 126 pacientes com suspeita ou confirmação de infecção pelo novo coronavírus. A lista de espera de UTIs, no geral, é de 221 pessoas.

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