Corpo de cabeleireira morta pelo irmão é sepultado em Taguatinga

Amigos dividiram despesas do enterro. Acusado de ter ajudado o tio a ocultar cadáver de Sandra Maria, filho da vítima não foi ao cemitério

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atualizado 28/11/2019 20:29

Foi realizado na tarde desta quinta-feira (28/11/2019) o sepultamento do corpo da cabeleireira Sandra Maria de Sousa Moraes, 39 anos, no cemitério de Taguatinga. O filho dela, Brendo de Sousa Moraes, acusado de ajudar na ocultação do cadáver, não compareceu à cerimônia.

A família optou por não realizar velório, devido ao fato de o corpo de Sandra já se encontrar em um estado de decomposição avançado. Ela foi morta no sábado (23/11/2019): segundo a polícia, o irmão da vítima, o pedreiro Danilo Moraes Gomes, matou a cabeleireira e ocultou o corpo de Sandra com ajuda do filho dela.

Conforme revelado pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, o cadáver foi localizado na segunda-feira (25/11/2019), em área do Assentamento 26 de Setembro, em Vicente Pires, pelos investigadores da 38ª Delegacia de Polícia. Samara Sousa Moraes, a filha da vítima, denunciou o crime às autoridades. Em volta do pescoço da cabeleireira, havia um fio enrolado.

Parentes e amigos estiveram presentes ao sepultamento nesta tarde. Marilene de Freitas, 53 anos, frequentava o salão de beleza que Sandra mantinha em sua casa, em Vicente Pires. Ela lamentou a morte brutal da amiga. “Foi uma tragédia. O sentimento agora é de perda, uma tristeza muito grande”, diz.

A principal preocupação de Marilene, a partir de agora, é com Samara. “A mãe era a vida dela. Não sei como vai fazer agora. Precisava era de uma medida protetiva”, considera a mulher.

Outra cliente e amiga de Sandra que esteve presente ao sepultamento foi Nádia Vieira, 42. Emocionada, ela foi uma das quase 50 pessoas que aguardaram por quase uma hora e meia até que o caixão chegasse ao Cemitério de Taguatinga. “Muita gente precisou ir embora, já que [o enterro] estava marcado para as 15h e só chegou 16h30”, comenta.

Clientes, amigos e vizinhos da cabeleireira se mobilizaram e dividiram as despesas do enterro de Sandra, uma pessoa muito querida e considerada batalhadora por todos que a conheciam. Nádia Vieira foi uma das mulheres que ajudaram na vaquinha para que o corpo fosse enterrado dignamente. “O que juntamos ajudou a reservar o local do enterro e a comprar as coroas de flores. O resto será para ajudar a Samara”, revela.

O pai de Samara esteve presente no enterro e permaneceu todo o tempo ao lado da filha. O homem chegou ao DF nesta quinta: ele mora no Pará. “Não sei qual será o futuro da menina. Agora, talvez, viaje com o pai. Ela precisa mesmo de ajuda” diz Nádia, a amiga de Sandra.

 

Veja fotos do caso: 

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Sentimento de injustiça

Em entrevista ao Metrópoles, Brendo, o filho de Sandra, afirmou ter se sentido obrigado pelo tio a ajudar na ocultação do corpo da mãe.  “Tinha que fingir que estava com ele. Me mandou carregar o corpo e, mesmo não querendo, eu tive que fazer. Se não fizesse, ia me matar também”, disse.

O rapaz lamentou que a maioria das pessoas esteja pensando que ele teve participação no assassinato da mãe. “Estou agora com a minha família na casa de uma amiga. Não posso voltar para onde moro, pois acham que sou culpado”, destacou. Assim, nesta quinta, Brendo não participou da despedida a Sandra, no Cemitério de Taguatinga. O jovem chegou a ficar preso por ocultação de cadáver, mas foi liberado com medidas cautelares nessa quarta (27/11/2019), após audiência de custódia.

A disputa dos irmãos pelo terreno onde Sandra morava e mantinha um salão de beleza, em Vicente Pires, é a principal linha adotada pela polícia para explicar o motivo do crime. Esse ponto ainda precisa ser esclarecido, assim como a real participação de Brendo no caso. Segundo a equipe da 38ª DP não há dúvidas de que Sandra tenha sido assassinada pelo irmão de forma premeditada: Danilo permanece foragido.

Neste 2019, o Metrópoles iniciou um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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