Irmão acusado de matar Sandra Maria premeditou o crime, diz PCDF

Polícia também não tem mais dúvida quanto à autoria do feminicídio, porém ainda falta saber a motivação e se o filho da vítima participou

atualizado 26/11/2019 20:42

Reprodução

O pedreiro Danilo Moraes Gomes (foto em destaque) matou a irmã, a cabeleireira Sandra Maria Sousa Moraes (foto abaixo), de 39 anos, de maneira premeditada. A informação é da Polícia Civil do Distrito Federal. De acordo com as investigações conduzidas pelo delegado Yury Fernandes, titular da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), o homem – considerado suspeito até ontem – pegou um cabo de televisão antes de conduzir a vítima até um local ermo, dentro do próprio lote onde ela morava, para matá-la.

Conforme revelado pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, o fio estava enrolado ao pescoço de Sandra quando o corpo dela foi localizado, nessa segunda-feira (25/11/2019). Segundo a polícia, o feminicídio ocorreu no sábado (23/11/2019).

Com essas informações, os investigadores não têm mais dúvida quanto à autoria e à premeditação do feminicídio. Ainda restam, no entanto, dois pontos a serem esclarecidos.

PCDF/Divulgação

 

O primeiro é a da participação ou não de Brendo Sousa Moraes, filho de Sandra, no assassinato. Apesar de ele ter confessado que ajudou o tio a ocultar o corpo em um lugar de mata fechada, a polícia irá apurar se o rapaz também atuou na execução da cabeleireira. “Agora, vamos analisar as imagens de câmera de segurança do condomínio para saber se Danilo chega e sai acompanhado da casa”, explica o delegado-chefe Yury Fernandes.

Outra questão a ser resolvida é o motivo do crime. Segundo o investigador, a principal hipótese é a de que haveria uma desavença entre a vítima e Danilo relacionada ao terreno em que Sandra morava. “Vamos ouvir uma testemunha que reforça essa tese, mas ainda é muito cedo. Precisamos entender o que o irmão teria a ver com o local”, aponta Fernandes.

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Choque de versões

Danilo deu duas versões diferentes para os crimes, de acordo com os depoimentos de Brendo e Samara Sousa Moraes, 22 anos, também filha de Sandra. Segundo o delegado Yury Fernandes, a intenção do tio era colocar um sobrinho contra o outro. “Ele disse para Samara que o Brendo matou e vice-versa”, revela o investigador.

Em cada um dos depoimentos, entretanto, há algumas particularidades. Brendo, por exemplo, afirma que não foi avisado por Danilo de que a mãe estava morta até o momento em que chegou ao condomínio. “O tio teria mandado mensagem avisando apenas que queria ‘pegar umas coisas’. Depois contou que Samara teria empurrado a mãe num córrego”, detalha o titular da 38ª DP.

Já Samara diz que viu Danilo chegando em casa para falar com a mãe de maneira amistosa, mas voltou sozinho. “Falou que o Brendo, de alguma forma, tinha aparecido lá e matado”, completa o responsável pelas investigações.

Logo após relatar à Samara o que teria acontecido, Danilo ainda teria tirado uma faca de açougueiro da cintura e obrigado a jovem a se despir. “Ele a deixou nua, mas a menina começou a chorar demais e ele acabou desistindo [de estuprá-la]”, diz o delegado. Uma vez que não houve conjunção carnal, a moça não passará por exame de corpo de delito.

Buscas continuam

Danilo foi condenado pela Justiça do Maranhão por crime semelhante. Até recentemente, estava preso no Complexo Penitenciário de Pedrinhas (MA), onde cumpria pena por estupro e latrocínio, conforme consta no site do Tribunal de Justiça do estado.

Segundo o delegado titular da 38ª DP, Yury Fernandes, o pedreiro teria matado uma mulher no Maranhão, após enforcá-la com um fio de telefone. Antes, de acordo com a Justiça daquele estado, o homem estuprou a vítima. A data desse crime não foi revelada, assim como outros detalhes. O investigador informou ainda que o pedreiro fugiu da cadeia maranhense.

Danilo foi visto pela PCDF apenas uma vez, quando policiais foram ao assentamento onde a família reside para prender os suspeitos do feminicídio, após Samara acionar a corporação. Enquanto Brendo não resistiu ao flagrante, o assassino correu para o meio do mato.

O pedreiro permanece foragido. O pedido de prisão do acusado ainda não foi expedido, mas a expectativa é de que o documento saia nesta quarta-feira (27/11/2019).

Preso por ocultação de cadáver, Brendo será ouvido durante audiência de custódia também nesta quarta.

 

Neste 2019, o Metrópoles iniciou um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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