“Já era”, disse suspeito de matar irmã enforcada no DF

Filho de cabeleireira morta em Vicente Pires voltou ao local do crime e deu detalhes à polícia. Ele teria ajudado tio a ocultar cadáver

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 26/11/2019 12:29

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) esteve na casa da cabeleireira Sandra Maria Sousa Moraes, em Vicente Pires, nesta terça-feira (26/11/2019), com o filho dela, Brendo Sousa Moraes (foto em destaque), 21 anos, para investigar a suposta cena do crime. Sandra foi morta enforcada com um fio de telefone, no sábado (23/11/2019), e enterrada em uma área do Assentamento 26 de Setembro, na mesma cidade.

O pedreiro Danilo Moraes Gomes, irmão da vítima, é o principal suspeito. Ele está foragido. A notícia foi revelada em primeira mão pela coluna Grande Angular.

De acordo com o depoimento de Brendo, o tio chegou à casa da irmã por volta das 20h de sábado e logo saiu com ela para o terreno atrás da residência. Ele teria retornado minutos depois, sem Sandra. Então, disse à filha da cabeleireira, Samara Sousa Moraes, 22 anos, que a mãe dela “já era” porque ela havia caído no córrego.

Danilo e Samara seguiram até onde estava o filho da vítima, no Assentamento 26 de Setembro. O suspeito e Brendo voltaram à residência da vítima. O rapaz ajudou Danilo a colocar o corpo da mãe dentro do carro e o levaram para ser enterrado no assentamento. Ele nega ter participado e disse que só ajudou o tio porque estava com muito medo.

Brendo foi preso, também, em setembro deste ano por porte ilegal de arma. Ele estava com uma espingarda em Águas Lindas (GO).

Veja fotos do caso:

0
Investigação

Brendo acompanhou a polícia nesta terça-feira (26/11/2019) durante visita à casa de Sandra Maria, onde ela mantinha também o salão de beleza. Segundo o delegado chefe da 38ª DP, Yuri Fernandes, responsável pela investigação do caso, uma diligência está sendo feita em casas da vizinhança.

“Vamos observar se alguma imagem da região conseguiu captar o momento da entrada de Danilo na casa e mostre se ele agiu sozinho ou com a ajuda de alguém. Agora vamos analisar os vídeos colhidos.”

A perícia no local também foi realizada. “Não há vestígios na casa. Nada foi encontrado lá. Eles saíram andando de dentro do terreno. Nós acreditamos que ele cometeu o crime sozinho e estaria usando a relação conturbada do Brendo com a mãe para acusar o Brendo para a Samara e vice-versa”, diz Fernandes.

“Acreditamos que, se conseguirmos a imagem dele chegando no carro dele, uma picape, sozinho, comprovaremos que ele agiu sem ajuda.”

“Infelizmente, estamos com uma pessoa de extrema periculosidade solta e empenhados em capturar o autor desse crime lamentável”, disse o delegado.

O caso

A polícia soube do caso com a denúncia da filha de Sandra e irmã de Brendo, Samara Sousa Moraes, 22 anos. Na manhã de segunda-feira (25/11/2019), ela foi à 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) e contou que fugiu da casa do tio, onde estaria presa desde sábado.

Segundo versão de Samara, o tio contou que a mãe estava morta. Depois, teria mantido a sobrinha em cárcere e a estuprou.

A polícia foi atrás de Brendo, que mostrou onde o corpo da mãe estava enterrado: cerca de 50 metros mata adentro e a 15 centímetros do chão.

O filho negou participação no feminicídio, mas acabou detido e será autuado por ocultação de cadáver.

Condenação

Danilo foi condenado pela Justiça do Maranhão por um crime semelhante. Até recentemente, ele estava preso no Complexo Penitenciário de Pedrinhas (MA), onde cumpria pena por estupro e latrocínio, conforme consta no site do Tribunal de Justiça do estado.

Segundo o delegado titular da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), Yury Fernandes, Danilo teria matado uma mulher no Maranhão, enforcando-a com um fio de telefone. Antes, de acordo com a Justiça do Maranhão, o pedreiro estuprou a vítima. A data desse crime não foi revelada, assim como outros detalhes. Ainda de acordo com o delegado Fernandes, o pedreiro fugiu da cadeia maranhense.

Neste 2019, o Metrópoles iniciou um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

Últimas notícias