“Se eu não fizesse, ele ia me matar também”, diz filho de Sandra

Em entrevista ao Metrópoles, Brendo Sousa Moraes explica por que ajudou o tio a ocultar o corpo de cabeleireira enforcada com fio no DF

atualizado

metropoles.com

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Vicente-Pires-Feminicidio-5
1 de 1 Vicente-Pires-Feminicidio-5 - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Acusado pela polícia de ter ajudado a ocultar o corpo da própria mãe, vítima de feminicídio, Brendo Sousa Moraes (foto em destaque), 21 anos, foi liberado pela Justiça do Distrito Federal em audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (27/11/2019). Já em liberdade, em entrevista exclusiva ao Metrópoles, o filho da cabeleireira Sandra Maria Sousa Moraes (foto abaixo), 39 anos, deu a sua versão para o crime e contou sobre a sua participação no caso.

Breno diz ter se sentido obrigado pelo tio, Danilo Moraes Gomes, a ajudar a enterrar a mãe em um matagal no Assentamento 26 de Setembro, em Vicente Pires. Segundo ele, caso não cooperasse, seria morto. “Se não fizesse [o que o tio mandava], ia me matar também”, resume.

Conforme conta, Brendo se encontrou com o tio no dia do crime – o último sábado, 23/11/2019. “Assisti ao jogo do Flamengo com ele, tudo normal”, lembra. Só depois de o jovem voltar para casa e se preparar para dormir, por volta das 22h, foi novamente contatado por Danilo. “Ele me ligou falando que tinha ganhado umas coisas e disse que poderia passar para me buscar. Tudo estaria na casa da minha mãe”, explica.

Segundo Brendo, a conversa dentro do carro correu normalmente e tudo levava a crer que Sandra teria conseguido algumas doações para a casa nova do filho. “Só quando chegamos no lote que meu tio disse: ‘Sua mãe já era’. Fiquei em estado de choque”, afirma.

PCDF/Divulgação

 

A situação piorou quando Danilo afirmou que o crime teria sido cometido pela irmã de Brendo, Samara Sousa Moraes, 22 anos. “Falou que minha mãe puxou uma faca e minha irmã a empurrou. Aí ela teria batido a cabeça e morrido”, resume o caçula de Sandra.

A reação imediata de Brendo foi querer vingança, mas o tio tentou repelir a ideia. A atitude levantou suspeitas. “Quando ele disse para eu não fazer nada eu gelei. Já vi que ele estava mentindo”, diz.

Sem opção

Vendo-se sozinho com o tio, à noite e com o cadáver da mãe no chão, Brendo diz que sentiu medo de não obedecer as ordens de Danilo. “Tinha que fingir que estava com ele. Me mandou carregar o corpo e, mesmo não querendo, eu tive que fazer. Se não fizesse, ia me matar também”, relata.

Dessa forma, ele ajudou Danilo a enrolar o corpo de sua mãe em um lençol e colocá-lo no carro da própria cabeleireira. “Chegando na casa dele, me obrigou a ficar lá, sendo vigiado o tempo todo. Largou o corpo por ali e deixou por uma noite”, afirma o rapaz.

No domingo, por volta das 10h, Danilo voltou a intimar Brendo. “Tive que pegar o corpo e colocar perto de onde seria enterrado. Ele mesmo que cavou o buraco e jogou lá. Não tive nada a ver com isso”, diz.

Conforme revelado pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, o corpo de Sandra foi localizado pelos investigadores da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) na segunda-feira (25/11/2019), após Samara, a filha da vítima, denunciar o crime às autoridades. Ela estava com um fio enrolado no pescoço: segundo o delegado titular da 38ª DP, Yury Fernandes, era um cabo que Danilo arrancou da TV minutos antes de estrangular a irmã até a morte.

Veja fotos do caso: 

“Se eu não fizesse, ele ia me matar também”, diz filho de Sandra - destaque galeria
13 imagens
O salão de beleza funcionava ao lado da residência
A cabeleireira era muito elogiada pela simpatia e pelo trabalho
O local de trabalho de Sandra sempre foi muito bem cuidado, segundo clientes
Filho de Sandra havia sido preso em setembro por porte ilegal de arma
Brendo teria ajudado o tio a enterrar o corpo da própria mãe
A casa branca, ao fundo, é onde Sandra morava
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A casa branca, ao fundo, é onde Sandra morava

Rafaela Felicciano/Metrópoles
O salão de beleza funcionava ao lado da residência
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O salão de beleza funcionava ao lado da residência

Rafaela Felicciano/Metrópoles
A cabeleireira era muito elogiada pela simpatia e pelo trabalho
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A cabeleireira era muito elogiada pela simpatia e pelo trabalho

Rafaela Felicciano/Metrópoles
O local de trabalho de Sandra sempre foi muito bem cuidado, segundo clientes
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O local de trabalho de Sandra sempre foi muito bem cuidado, segundo clientes

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Filho de Sandra havia sido preso em setembro por porte ilegal de arma
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Filho de Sandra havia sido preso em setembro por porte ilegal de arma

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Brendo teria ajudado o tio a enterrar o corpo da própria mãe
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Brendo teria ajudado o tio a enterrar o corpo da própria mãe

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Danilo Moraes Gomes, acusado de matar Sandra, em Vicente Pires
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Danilo Moraes Gomes, acusado de matar Sandra, em Vicente Pires

Reprodução
Samara Sousa Moraes, 22 anos, denunciou o crime à polícia
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Samara Sousa Moraes, 22 anos, denunciou o crime à polícia

André Borges/Especial para o Metrópoles
Para o delegado, disputa de terreno na região de 26 de Setembro pode ter motivado o feminicídio
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Para o delegado, disputa de terreno na região de 26 de Setembro pode ter motivado o feminicídio

André Borges/Especial para o Metrópoles
Delegado Yury Fernandes, responsável pela apuração do caso.  O investigador suspeita de que Danilo matou e enterrou a irmã com auxílio de Brendo, que é filho da vítima
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Delegado Yury Fernandes, responsável pela apuração do caso. O investigador suspeita de que Danilo matou e enterrou a irmã com auxílio de Brendo, que é filho da vítima

André Borges/Especial para o Metrópoles
Sandra Maria tinha 39 anos e era dona de um salão em Vicente Pires
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Sandra Maria tinha 39 anos e era dona de um salão em Vicente Pires

Reprodução
Local próximo de onde o corpo de Sandra foi enterrado
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Local próximo de onde o corpo de Sandra foi enterrado

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Carro da cabeleireira Sandra Maria, no qual ela teria sido levada depois de morta
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Carro da cabeleireira Sandra Maria, no qual ela teria sido levada depois de morta

Matheus Garzon/Especial para o Metrópoles
Sentimento de injustiça

Brendo afirma lamentar que a maioria das pessoas esteja pensando que ele teve participação no assassinato da mãe. “Estou agora com a minha família na casa de uma amiga. Não posso voltar para onde moro, pois acham que sou culpado”, diz.

Acusado de ter uma relação conturbada com a mãe, ele ressalta que nunca aconteceu algo fora do normal. “A gente se dava bem, mas eu na minha e ela na dela. Nossas brigas eram muito de intromissão no meu relacionamento. Nada além disso”, explica.

Brendo também diz não saber o que levou o tio a pegar um cabo de TV e enforcar Sandra. “Não tem lógica. Eles tinham uma relação normal. O que pode ser é a questão do lote lá. Alguém pode ter convencido meu tio”, especula.

A disputa dos irmãos pelo terreno onde Sandra morava e mantinha um salão de beleza, em Vicente Pires, é a principal linha adotada pela polícia para explicar o motivo do crime. Esse ponto ainda precisa ser esclarecido, assim como a real participação de Brendo no caso. Segundo a equipe da 38ª DP não há dúvidas de que Sandra tenha sido assassinada pelo irmão de forma premeditada: Danilo permanece foragido.

Neste 2019, o Metrópoles iniciou um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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