Coronavírus: população de rua tem vulnerabilidade agravada no DF

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, são cerca de 3 mil pessoas vivendo nas ruas do DF, tendo menor acesso a condições de higiene

moradora de rua no chãoHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 17/03/2020 22:01

O rápido aumento de casos do novo coronavírus no Distrito Federal tem assustado brasilienses dia após dia. Com a confirmação de contaminação local na capital do país, as parcelas mais vulneráveis da população enfrentam realidade ainda mais complicada, como as pessoas em situação de rua.

Com menor acesso à higiene e maior exposição a ambientes onde falta saneamento básico, aqueles que vivem nas ruas também não têm a possibilidade do isolamento domiciliar caso contraiam a doença. “Com essa situação, as pessoas podem levar esse vírus para dentro das casas de acolhimento, dos albergues, e contaminar outros”, afirmou Rogério Barba, 48 anos, diretor social do Instituto Cultural e Social No Setor.

Segundo ele, a entidade já conversa com o Governo do Distrito Federal (GDF) para que seja desenvolvido algum plano que tenha por objetivo oferecer apoio a moradores em situação de rua em meio à pandemia de Covid-19.

“A gente tem uma preocupação muito grande, porque essa população é invisível. O governo fala para as pessoas lavarem as mãos, terem maior higiene, mas muitos deles não conseguem nem ir ao banheiro”, comentou.

De acordo com Rogério Barba, apenas no Setor Comercial Sul, cerca de 150 pessoas  dormem nas calçadas do local a cada noite. “A pessoa em situação de rua já tem difícil acesso a hospitais, e com essa situação de coronavírus está mais difícil ainda para ela. Por isso, pedimos ajuda do governo agora”, afirmou.

“Várias instituições não governamentais pararam ações de entregar comida para eles também. Então, precisamos urgentemente que nossos governantes olhem para essa população, que coloquem torneiras em alguns lugares da cidade para esse pessoal poder lavar as mãos”, ressaltou Rogério Barba.

Sem acesso à saúde

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), o DF tem, atualmente, um público rotativo de aproximadamente 3 mil indivíduos em situação de rua. No centro de Brasília, diferentes pessoas passam dias e noites abrigadas na Rodoviária do Plano Piloto. Vivendo atualmente no local, Maria Zilmar Pereira (foto em destaque), 58 anos, é uma delas.

A mulher está em situação de rua há mais de 50 anos. Em meio à pandemia do novo coronavírus, ela tem sofrido ainda mais com dificuldades no acesso à saúde e higiene. “Moro na rua desde pequenininha, por volta dos 7 anos. Eu cato papelão para vender, porque meu marido morreu. Sou só eu”, contou.

Nos últimos dias, Maria machucou o pé e precisou ir ao hospital, mas não conseguiu atendimento. “Eu fui no Hran [Hospital Regional da Asa Norte], porque queria pegar um curativo e remédio para dor de cabeça, mas saí de lá sem nada”, disse.

morador de rua dormindo no chão
Várias pessoas em situação de rua dormem na Rodoviária do Plano Piloto diariamente
O que diz a secretaria

Procurada pelo Metrópoles, a Secretaria de Desenvolvimento Social informou que atua nos pontos onde encontra pessoas em situação de rua por meio do serviço de abordagem social. Nesse procedimento, são apresentados serviços especializados de atendimento a essa população. O trabalho é feito diariamente com 30 equipes.

Em relação a ações em prol da higienização desse público, a secretaria conta com dois Centros Pops (Taguatinga e Plano Piloto), que atendem uma média de 500 pessoas diariamente.

“Nesses lugares, a população em situação de rua pode tomar banho, lavar roupas, utensílios pessoais e afins. Além de tomar café da manhã e almoçar, também passam por oficinas de integração e capacitação, recebem acompanhamento psicossocial da equipe técnica, se inscrevem no Cadastro Único e têm a oportunidade de conhecer e acessar benefícios e auxílios da assistência social”, informou a pasta, em nota.

Sobre o coronavírus, a Sedes disse que, em parceria com o Consultório na Rua, realizou uma ação no DF explicando “como se proteger do coronavírus por meio de palestra que abordou a higienização pessoal frequente”.

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