Colégio militar do DF reavalia inclusão de livro após treta com pais
Pais de alunos do 4º ano consideraram livro A Bolsa Amarela inadequado para faixa etária por abordar tema relacionado à identidade de gênero
atualizado
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Após a repercussão entre pais de alunos do Colégio Militar Dom Pedro II, a adoção do livro A Bolsa Amarela, da escritora Lygia Bojunga, para turmas do 4º ano do ensino fundamental passou por reavaliação da área pedagógica responsável pela escolha das obras literárias na instituição.
Conforme publicado pela coluna Na Mira, a obra passou a ser alvo de críticas de famílias que consideraram inadequada a abordagem de temas relacionados à identidade de gênero para crianças de aproximadamente 9 anos.
O centro da controvérsia é uma passagem da obra em que a personagem principal manifesta o desejo de ter nascido menino. Para alguns pais, o trecho representa abordagem considerada inadequada para a faixa etária dos estudantes.
Por meio de nota, o colégio informou que o livro citado não foi adotado pela unidade escolar, tampouco indicado como leitura obrigatória ou objeto de trabalho pedagógico com os estudantes.
De acordo com a instituição, a referência questionada, tratava-se de um recorte de uma das páginas da obra, que constava em material complementar acessado por meio de link externo, utilizado como apoio a exercícios de interpretação e análise textual.
“Após as manifestações recebidas, o link externo foi retirado preventivamente para reavaliação pela área pedagógica competente. A análise técnica realizada não identificou prejuízo pedagógico aos discentes, tampouco qualquer direcionamento de natureza ideológica no material utilizado como apoio complementar“, disse o colégio militar.
Todavia, a escola esclareceu que, o referido material não foi reinserido na atividade inicialmente disponibilizada, “considerando que se tratava de atividade semanal já encerrada, cujo prazo de realização havia sido finalizado quando concluída a análise pedagógica”.
A instituição também ressaltou que a proposta da atividade estava relacionada exclusivamente ao desenvolvimento de competências de leitura, interpretação e produção textual, “não havendo direcionamento de natureza ideológica”.
“O colégio reforça que todas as atividades pedagógicas desenvolvidas pela Instituição estão submetidas a acompanhamento e revisão permanentes, em consonância com os princípios educacionais, técnicos e institucionais que norteiam o ensino oferecido à comunidade escolar”, pontuou.
Entenda a polêmica
Na última semana, o ambiente entre pais e responsáveis de alunos do Colégio Militar Dom Pedro II ficou tenso após a inclusão do livro A Bolsa Amarela, da escritora Lygia Bojunga, na lista de leitura de turmas do 4º ano do ensino fundamental.
A obra A Bolsa Amarela, publicada originalmente em 1976, é conhecida por abordar questões que envolvem infância, identidade, desejos e conflitos pessoais sob a perspectiva de uma criança. O livro já foi adotado em diferentes instituições de ensino no país ao longo das últimas décadas.
A reação ocorreu principalmente em grupos de WhatsApp utilizados para comunicação entre pais de alunos. Em mensagens compartilhadas entre os responsáveis, houve críticas à escolha pedagógica e questionamentos sobre a compatibilidade do conteúdo com os valores tradicionalmente associados ao ensino militar.
“Na boa, pode ser o ministro da Educação falando. Se tem esse tipo de ideia de mudança de gênero, ou outras ideias que não são para a idade das crianças, não tem que estar na grade curricular. O tipo de ensino que me apresentaram era de uma educação tradicional militar. Se fosse para ser diferente, eu levaria para outra escola”, afirmou um dos pais.
Veja os prints:
Segundo relatos de responsáveis, parte das famílias considera que assuntos ligados à identidade de gênero, educação sexual e questionamentos sobre a estrutura familiar tradicional não deveriam ser apresentados a crianças antes da puberdade.
Uma das mães relatou que a leitura provocou questionamentos do filho dentro de casa. “Ontem, meu filho me perguntou o que era homossexualismo [sic]. Precisei introduzir o assunto”, comentou.



