Na Mira

Treta sobre livro adotado por escola do CBMDF revolta pais: “Podre”

Famílias de alunos do 4º ano do Colégio Militar Dom Pedro II reagem à adoção de livro e questionam conteúdo apresentado a crianças de 9 anos

atualizado

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1 de 1 Colégio Militar Dom Pedro II - Metrópoles - Foto: Gustavo Moreno/Metrópoles

O ambiente entre pais e responsáveis de alunos do Colégio Militar Dom Pedro II, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF), ficou tenso após a inclusão do livro A Bolsa Amarela, da escritora Lygia Bojunga, na lista de leitura de turmas do 4º ano do ensino fundamental. A obra passou a ser alvo de críticas de famílias que consideram inadequada a abordagem de temas relacionados à identidade de gênero para crianças de aproximadamente 9 anos.

A reação ocorreu principalmente em grupos de WhatsApp utilizados para comunicação entre pais de alunos. Em mensagens compartilhadas entre os responsáveis, houve críticas à escolha pedagógica e questionamentos sobre a compatibilidade do conteúdo com os valores tradicionalmente associados ao ensino militar.

“Na boa, pode ser o ministro da Educação falando. Se tem esse tipo de ideia de mudança de gênero, ou outras ideias que não são para a idade das crianças, não tem que estar na grade curricular. O tipo de ensino que me apresentaram era de uma educação tradicional militar. Se fosse para ser diferente, eu levaria para outra escola”, afirmou um dos pais.

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Reprodução

“Que palhaçada”

Outra mãe também demonstrou indignação com a adoção do livro pela instituição. “Que palhaçada é essa? Daqui a pouco vai ter parada do ‘orgulho’ dentro da escola. O que está acontecendo com os bombeiros do DF? Se fosse para meus filhos terem acesso, nessa idade, a esse tipo de conteúdo, com certeza não seria no ensino militar tradicional”, escreveu.

Segundo relatos de responsáveis, parte das famílias considera que assuntos ligados à identidade de gênero, educação sexual e questionamentos sobre a estrutura familiar tradicional não deveriam ser apresentados a crianças antes da puberdade. Uma das mães relatou que a leitura provocou questionamentos do filho dentro de casa. “Ontem, meu filho me perguntou o que era homossexualismo [sic]. Precisei introduzir o assunto”, comentou.

O centro da controvérsia é uma passagem da obra em que a personagem principal manifesta o desejo de ter nascido menino. Para alguns pais, o trecho representa abordagem considerada inadequada para a faixa etária dos estudantes.

Bolsa Amarela

A obra A Bolsa Amarela, publicada originalmente em 1976, é conhecida por abordar questões que envolvem infância, identidade, desejos e conflitos pessoais sob a perspectiva de uma criança. O livro já foi adotado em diferentes instituições de ensino no país ao longo das últimas décadas.

A coluna demandou o CBMDF sobre o caso. Até o momento, não houve posicionamento público oficial da direção do Colégio Militar Dom Pedro II sobre as críticas apresentadas pelos pais. O espaço permanece aberto para manifestações.

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