Cobras Naja e Víbora-verde devem ser transferidas ao Butantan nesta semana

Desejo de não ficar com as cobras já havia sido manifestado pelo Zoológico na semana passada

atualizado 10/08/2020 21:23

Naja no Zoo de BrasíliaIvan Mattos/ Zoológico de Brasília

As cobras Naja kaouthia e Víbora-verde-de-Vogel, apreendidas em investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) acerca de tráfico de animais exóticos, estão próximas de serem transferidas para o Instituto Butantan, de São Paulo. De acordo com o centro de pesquisa, as serpentes devem chegar ainda nesta semana.

Os animais estão no Zoológico de Brasília desde julho e, segundo a Fundação, o contato com a equipe técnica do Ibama já foi realizado a fim de concluir os trâmites burocráticos de destinação deles. “Todos os preparativos para o transporte das serpentes já foram realizados pelo Zoológico de Brasília que, no momento, aguarda a data final de embarque dos exemplares”, informa.

Na semana passada, o Zoológico manifestou que pretendia manter apenas cinco das 13 espécies apreendidas durante as várias fases da Operação Snake. Segundo a Fundação, a escolha de animais que integram o plantel é feita com base em um documento interno chamado Plano de Populações. Ele é elaborado pela equipe técnica com propósitos de “conservação, educação e pesquisa, que prioriza espécies da fauna local e espécies contempladas por programas de conservação nacionais e internacionais que dependam de esforços humanos para não serem extintas”.

Segundo a nota, espécies com alto potencial para educação ambiental e pesquisas científicas voltadas à conservação “também são prioridade para a instituição”. O conceito de apenas realizar a exibição de animais não é avaliado.

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Fins científicos

O Brasil tem 1.315 cobras registradas vivendo em cativeiro, de acordo informações do Ibama analisadas pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles.

Desse total, 1.242, ou 94%, estão em instituições com fins científicos. As outras 73 serpentes encontram-se em estabelecimentos comerciais, como museus e aquários.

De acordo com o Ibama, cobras peçonhentas podem ser criadas apenas com fins comerciais por instituições farmacêuticas. Se o criador tiver o intuito de conservação, o animal só deve ser colocado em cativeiro quando não for possível voltar à natureza, por diversos motivos, como ter sido vítima de maus-tratos. No caso de espécies não venenosas, o interessado deve solicitar autorização no órgão ambiental do estado.

A instituição com a maior quantidade de serpentes registradas é o Butantan, referência em pesquisa biológica no Brasil, com 790 indivíduos. É de lá, inclusive, que veio o soro aplicado no estudante brasiliense. Em seguida estão a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, com 271 cobras, e a Universidade Federal da Bahia, com 181. O gráfico a seguir traz o ranking total.

Desde 2010, mais de mil pessoas morreram por conta de picadas de cobras no país.

“Fica, Naja”

Apesar de todas as justificativas, os brasilienses têm se manifestado a favor de poder visitar e conhecer a famosa Naja. A Ouvidoria-Geral do Distrito Federal (Ouv-DF) passou a receber pedidos para que a cobra permaneça em exposição na capital federal. Há solicitações, até, para que seja feita uma vaquinha virtual “para construção de um recinto especial para a mesma”.

Nas justificativas, os cidadãos argumentam que a cobra “será sempre motivo de curiosidade e, inclusive, de orgulho para todos os brasilienses, pois foi por meio dela que todo um esquema de tráfico de animais foi desarticulado pela Polícia Ambiental”, afirma um dos pedidos.

Nas investidas, os moradores do DF também preveem um aumento de visitantes na instituição após o fim do período mais crítico da pandemia do novo coronavírus. “Acredito que após o retorno normal das atividades do Zoológico no período pós-pandemia, as visitas ao local aumentarão consideravelmente, o que poderia aumentar também o fluxo de caixa.”

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