Caso Rhuan completa 1 ano e júri de assassinas é adiado pela pandemia

Partes envolvidas não acreditam que julgamento ocorra neste ano em função do novo coronavírus

atualizado 02/06/2020 13:31

Garoto em pé com as mãos no bolsoReprodução

Há um ano, o país se chocava com o assassinato brutal do menino Rhuan Maycon da Silva Castro. Aos 9 anos, o garoto foi esfaqueado, degolado vivo e esquartejado pela própria mãe, Rosana Auri da Silva Cândido, e sua companheira, Kacyla Priscyla Santiago. A dupla ainda tentou assar partes do corpo da criança para que a carne se desprendesse dos ossos.

Presas desde a data do crime, as duas ainda aguardam julgamento, mesmo um ano depois de um dos assassinatos mais brutais já registrados na capital do país.

O processo, que corre em segredo de Justiça, seria levado a júri popular em março deste ano. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), contudo, decidiu adiá-lo em função da pandemia do novo coronavírus.

A última movimentação do caso foi feita em novembro do ano passado. Na ocasião, a Justiça negou recurso da defesa das acusadas para absolver a dupla e manteve o júri popular. Após a recusa, o advogado da dupla interpôs outro recurso em 2ª instância.

Sem previsão de quando vai ocorrer o julgamento, as acusadas esperam pelo veredicto encarceradas na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia. Desde a prisão, mais de 10 testemunhas do caso já foram ouvidas pela Justiça. Entre os depoimentos, está o do pai do menino Rhuan, Maycon da Silva Castro.

Ao Metrópoles, Maycon afirmou que o julgamento das acusadas deve ocorrer ainda neste ano. O pai de Rhuan ainda sofre com a perda precoce do filho.

“Para mim, sempre será difícil tocar no assunto, mas tive de relembrar tudo de novo. Eles [a Justiça e o Ministério Público] queriam saber o motivo de tanto ódio. Eu repeti o que já tinha dito ao delegado: ódio não tem motivo, não existe explicação para uma mãe odiar o próprio filho”, contou o pai do menino à época do caso.

Crime chocou o país

O crime ocorreu em 31 de maio de 2019, em Samambaia. Após o assassinato, a dupla esquartejou, perfurou os olhos e dissecou a pele do rosto da criança. Elas também tentaram incinerar partes do corpo em uma churrasqueira, com o intuito de destruir o cadáver e dificultar o seu reconhecimento.

Como o plano inicial não deu certo, as criminosas colocaram partes em uma mala e duas mochilas. Rosana jogou a bolsa em um bueiro próximo à sua residência. Antes que ela ocultasse as duas mochilas, moradores da região desconfiaram da atitude da mulher e acionaram a polícia, que prendeu as autoras em flagrante, em 1 de junho. As duas confessaram a barbárie.

No entendimento do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), as denunciadas premeditaram o assassinato, planejando como executariam e destruiriam o corpo da criança. De acordo com as investigações, na noite do assassinato, a dupla esperou Rhuan dormir para cumprir o plano. Rosana, a mãe, desferiu o primeiro golpe no peito do menino, que acordou com o ataque.

Kacyla o segurou para que Rosana desferisse as outras facadas. Por fim, a mãe decepou a cabeça do filho ainda com vida. Elas foram acusadas de homicídio qualificado, lesão corporal gravíssima, tortura, ocultação e destruição de cadáver, e fraude processual. Entre as qualificadoras do homicídio apontadas pelo MPDFT, estão o motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Tortura e lesão corporal

Desde 18 de dezembro de 2014, Rosana vivia com o filho de maneira clandestina. Rhuan foi retirado à força dos cuidados dos avós paternos e era procurado pela família. Até a sua morte, a criança foi submetida a intenso sofrimento físico e mental como forma de castigo pessoal. Enfrentou desprezo e privações. Foi impedido de manter contato com outras pessoas. Ele também não frequentava a escola.

Um ano antes do assassinato, a dupla extraiu os testículos e o pênis de Rhuan, em casa, de forma rudimentar, sem anestesia ou acompanhamento médico. Por esses crimes, elas foram denunciadas por tortura e lesão corporal gravíssima.

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A menina, de 8 anos, que presenciou o esquartejamento e a morte de Rhuan, foi morar com o pai, o agente penitenciário de Rio Branco (AC) Rodrigo Oliveira. Ela passou por um período de adaptação e faz acompanhamento psicológico para lidar com o trauma.

Rodrigo conta que desejava a guarda da filha desde o dia em que Kacyla desapareceu com a menina. O servidor procurava a criança havia cinco anos e, assim que soube do caso, movimentou-se para vir a Brasília reencontrá-la.

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